29/06/2011

Descubra a Orquestra

O projeto Descubra a Orquestra é uma iniciativa da OSESP para formar público para a música sinfônica. Ele leva alunos e professores de escolas para assistir um concerto na Sala São Paulo. Antes do concerto, um professor da escola selecionada para participar do projeto, precisa fazer um curso de capacitação para preparar os alunos para o ambiente e para o repertório. Inscrevemos a escola, e, com muita alegria, fomos selecionados. Foram 102 crianças, dessa escola estadual de um bairro de periferia (leia-se 'tenso'), 8 funcionários da escola, entre coordenadores, professores e inspetores, e nós 10 do PIBID. Como na nossa escola nós já estamos fazendo um trabalho com música, nós ficamos responsáveis em fazer essa preparação dos alunos. Nessas preparações, foram trabalhados aspectos como paisagem sonora, a consciência dos sons que fazem parte do nosso dia-a-dia, dos sons que fazemos, gerando reflexões sobre se eles são bons, se são ruins, como diminuir os sons ruins, etc. Os levamos para assistir concertos da Orquestra Experimental e da Camerata Vivace da UFSCar. Apresentamos os instrumentos de uma orquestra sinfônica, família por família. Mostramos três músicas do repertório que seriam tocadas no concerto, duas eruditas e duas populares. Como conseguir que aqueles alunos que ouvem funk, pagode, rap tivessem interesse de ouvir uma música orquestral?, uma ópera? Como fazê-los escutar uma música que tem duração de 8 minutos? Essa tarefa se torna simples quando você tenta ver tudo com os olhos dos seus alunos e planejar as suas atividades pensando neles. A tarefa mais difícil era: como fazê-los ficar em silêncio, sentados, prestando atenção? Desenvolvemos algumas atividades para direcionar a energia deles, fazendo-os se mexerem, gritarem, para então, mais calmos, ficarem sentados e em silêncio. Tarefa árdua, mas funcionou. A viagem até São Paulo foi um grande momento para conversarmos, não de professor-aluno, mas de pessoa para pessoa. Pudemos conhecer melhor quem não conhecíamos, contar piadas. Foi uma prática social incrível. Chegando em São Paulo, as crianças que estavam no meu ônibus ficaram espantadas com o lixo jogado no chão, as pessoas dormindo na rua, as pareces pixadas, o céu cinza; e no meio desse ambiente descontraído pudemos conversar sobre como tratamos o patrimônio público, como cuidamos da nossa escola... Ao passarmos pela cracolândia, o que teria uma conotação de sermão, se feito em sala de aula, se transformou num espelho onde as crianças, por um momento, se viram partes daquela realidade, e elas, por elas mesmas, decidiram que não queriam acabar assim. Já na Sala São Paulo, aquele palácio, todos – inclusive nós – ficaram de boca aberta com a grandiosidade, com o brilho, com o sonho que era aquele lugar. A Orquestra de Heliópolis, que se apresentou para nós, fez um concerto lindíssimo, muito animado, contagiante, que até os mais resistentes foram contagiados. Certa hora, o regente fez uma pergunta para a platéia, e, para surpresa, um garoto da nossa escola respondeu e respondeu certo. Nós aplaudimos muito, a orquestra aplaudiu, a sala toda ovacionou!, e, ao dizer que tocava violino, o garoto foi convidado para subir no palco para tocar alguma coisa, qualquer coisa, que a orquestra ia acompanhando. Meu! O garoto da 5ª série da escola! Subir no palco com a Orquestra de Heliópolis e tocar junto com ela! Fiquei muito emocionara. Todos gritavam por ele. Mas com vergonha, não foi. No final do concerto, quando havia se instalado uma grande euforia, onde todos estavam em pé cantando e batendo palma, um dos violinistas desceu do palco e subiu com o garoto, que, no palquinho do Maestro, regeu a orquestra, me fazendo cair em lágrimas, e com a orientação dele, fez os movimentos de corte, e a orquestra parou de tocar. Todos gritavam, eu gritei muito. Foi uma emoção sem fim. Imagina o que não passou na cabeça desse menino? Imagine a felicidade de ouvir tanta gente gritando por ele. Esse menino, com certeza, não voltou o mesmo para casa. E todos nós, reles mortais, que não subimos no palco, também não voltamos iguais. De um lado da rua a Sala São Paulo, do outro lado da rua a cracolândia. De que lado cada um escolhe ficar? Quando você não conhece a luz, parece natural seguir os caminhos que a vida indica para nós. Mas quando entramos em contato com algo que é muito mais grandioso do que a vida miserável que se pretendia ter, mais do que a lembrança de momentos bons, ganhamos a opção de escolher; escolher continuar nessa maré, ou escolher sair. Nós, com o simples propósito de dar a oportunidade para eles conhecerem algo novo, demos a chance deles escolherem ser algo novo, e isso, não tem recompensa que pague.

25/06/2011

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces, porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.

No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida e eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados, para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.

Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.

E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas, serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes

#223


Arrumo a casa como quem arruma a vida.




Tenho a sensação de que algum poeta conhecido já tinha disto isso. Mas eu repito essa frase para mim tantas vezes, que já tenho ela como minha. Por isso vai assim mesmo, sem aspas.

25/05/2011

Status: tccendo

O tão esperado e temido último ano da faculdade chegou, e trouxe com ele uma série de preocupações para além-faculdade que eu não tinha antes. Acredite, a frase: "e agora, o que eu vou fazer?" é bem mais complexa do que se parece. Estou tentando construir uma carreira acadêmica para caso eu deseje fazer mestrado, e estou aproveitando com muita dedicação cada oportunidade, para ganhar experiências diversas, caso eu vá trabalhar. Penso que o meu TCC - trabalho de conclusão de curso - pode me abrir muitas portas, já que ele é sobre uma proposta de como enxergar a Educação Musical nas escolas, mas para isso ele precisa ser visto. Sendo assim, tenho escritoo muito e aprimorando minhas experiências, torcendo para que todo esse esforço renda bons frutos. Resultado disso é que a minha cabeça está super lotada. Tenho lido tanto, que até ler legenda de filme me cansa; escrito tanto, que fico com preguiça de entrar no msn para conversar. Fico nervosa ao ver as pessoas da minha turma totalmente desesperadas por conta do TCC, e fico desejando que elas guardem essa angústia para elas, assim como tenho feito, mesmo sabendo que de tempo em tempos, é bom contar para alguém como isso está nos pressionando. De qualquer forma, venho aqui pedir desculpas pelo infinito sumiço e total descaso; é que se eu paro para pensar em mim e nas coisas que eu estou fazendo e da forma como estou conduzindo toda essa vida bandida, eu desmorono.

11/05/2011

#219

É como se para a pessoa do quarto ao lado eu fosse só um meio de conseguir as coisas que ela não é capaz de fazer sozinha.

29/04/2011

Vários convidados

O que talvez muitos de vocês que acompanham o blog não saibam, é que um dos meus gêneros musicais favoritos é o Rap Nacional. Desde quando eu tinha uns 12 ou 13 anos. Hoje, com menos intensidade e sem acompanhar as novidade, ainda ouço e gosto muito. Posso até dizer que o Rap fez eu ser o que eu sou (leia mais aqui).

Hoje eu estava lembrando do show do Dexter que teve em Campinas no ano passado. Eu fiquei mais de um mês planejando, morrendo de ansiedade. Quando o dia realmente chegou, o meu lado classe média começou a se manifestar. Eu ficava pensando: "eu vou ser a pessoa mais branca desse show, eu vou apanhar", "eu e meu namorado temos moicano, vão achar que a gente é punk e a gente vai apanhar" (...). De fato, eu devia ser a pessoa mais branca, todos ficaram olhando pra gente, a gente chamou muita atenção enquanto dançava loucamente ao som do KL Jay ou cantava a todos pulmões (no meu caso, rs), mas eu nunca fui tão bem tratada!

www.rapnacional.com.br

Toda vez que alguém esbarrava em mim, pisava no meu pé, derrubava bebida, era uma chuva de "desculpa, foi mal" que eu desacredidei. E era pra mim, depois viravam pro meu namorado e pediam desculpa pra ele por terem feito qualquer coisa comigo. Juro, nunca vi tamanha educação/preocupação.

Sem contar o cara de Capão que se juntou a nós do lado de fora, que era simpático a sua maneira, e ficou conversando e bebendo com a gente.

Isso me fez pensar na visão que a gente tem das coisas. Sempre me julguei "melhor" por ouvir Rap, e me sentir mais próxima das pessoas que vivem nas periferias, por nós termos algo em comum; mas quando eu tive a chance de estar junto com essa galera, eu senti medo (não sei nem se "medo" é a palavra certa). Isso me provou  que todos nós temos preconceitos e por mais que a gente não os aceite e não queira que eles se manifestem, eles estão dentro de nós. E enquanto nós não o entendermos e não soubermos lidar, ele ainda vai estar lá.

15/04/2011

Dois patinhos na lagoa

Eis que mais um ano se passou, e venho aqui compartilhar com vocês que hoje é meu aniversário e que eu estou completando meu vigésimo segundo ano de vida!


E nessa brincadeira de pensar sobre fazer aniversário, fiz uma lista de coisas que provam para mim que eu estou ficando velha:
- Este é meu último ano da faculdade,
- Abri uma poupança para o meu casamento,
- Leio textos sobre Educação e morro de vontade de ter um filho pra ser meu cobaia, he :)
- Vejo crianças e morro de vontade de ter filho,
- Folheio revistas de designe de interiores e planejo minha casa com o meu futuro marido
- Vivo no dilema da minha profissão: trabalhar muito e ganhar pouco: será que isso não tem solução?
Entre outras coisas, claro.

Ao mesmo tempo que tudo isso me desespera um pouco, estou tranquila, porque eu sei que eu vou fazer as coisas sem pressa, e que tudo vai dar certo.

O jeito é aproveitar mais um dia de festa, porque o resto...
seja o que for!

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Curiosidades
Em dias 15 de abril, o Titanic naufragou, Oswaldo de Andrade e sua mulher Pagu foram presos, foi inaugurado o primeiro McDonald's em uma cidade de Illinois, Fidel Castro visitou os EUA pela primeira vez, foi liberado o uso de cartão de crédito brasileiro no exterior. Leonardo da Vince e Fernando Pessoa nasciam; e Joey Ramone morria.

Com 22 anos, Gandhi já tinha três filhos, era casado há nove anos e trabalhava como advogado; Che Guevara fazia uma viagem por 12 províncias Argentinas, percorrendo 4 mil km em uma moto.

01/04/2011

Seja voluntário

É o seguinte: começou a campanha universitária da ONG Um teto para meu País, e como eu sempre faço, estou aqui para convencê-los a participar.

Fui voluntária duas vezes durante as construções universitárias de férias. Duas foram as vezes que eu consegui, mas já estive, em pensamento, em várias outras.

Quero deixar claro que não é fácil. Não tenho pretensão nenhuma de iludir ninguém. Viajar para São Paulo é demorado e caro – isso sempre me breca.

Para mim, estar com pessoas que eu não conheço é verdadeiramente penoso: eu julgo muito, não me sinto a vontade... E lá estou fora da minha zona de conforto, sem ter pra onde fugir.

Quando a caixa de água da escola onde ficamos alojados é pequena e insuficiente, não podemos tomar banho – ou banho ou água para beber e fazer comida. E quando se meche com terra, madeira, e fica em baixo do sol, isso é terrível.

Acordar cedo é um dos meus tormentos. Acordar cedo, tendo ido dormir tarde e cansada, com pessoas super animadas, me irrita.

Mas eu não fui ser voluntária pensando em mim.

Subir e descer morros, andar por vielas estreitas, carregar muita madeira, cavar buracos, martelar, enquanto o sol nasce até ele morrer... Todo aquele exercício físico que eu nunca fiz na vida. Cansa. Cansa muito.

Das famílias que conheci, uma onde a filha parou de falar depois de um tapa que levou da professora; outra que estava grávida do 11º filho; uma que teve que levar o filho pra longe porque ele não dormia de tanto pensar na casa que ia ganhar.

Realmente, nada daquele esforço eu estava fazendo para mim.

Mas estranhamente eu saio com a sensação de ter ganhado uma nova vida.

Não tenho coragem de reclamar de falta de dinheiro, dos meus pais que não me entendem, de ter que andar a pé, no sol, carregar peso. “Eu já ergui uma casa” – é o que eu sempre falo quando quero dizer que sou forte.

Mas sinto raiva de ver outras pessoas reclamando por tão pouco, por falta de dinheiro, por uma saúde mais instável, por não terem a casa dos sonhos, precisarem de tantas drogas para conseguir encarar a vida, e tantas outras coisas que a gente sempre reclama sem pensar... Sinto tanta raiva quando ouço essas reclamações, mas a única coisa que eu penso é: “Vá construir com o Teto”.

Minha vida não é perfeita, e eu sei que não vai ser. A sua também não será, e não é pessimismo. Precisamos dos momentos baixos para valorizar os altos, e dos altos para conseguirmos sair dos baixos.

Você pode dar um sentido para a sua vida ajudando alguém que está abaixo da linha da miséria e que está tão acostumado com a pobreza que não acredita mais em uma vida melhor.

Um novo teto é só um símbolo. Um impulso para o recomeço. É um chacoalhão, “olha, sua vida pode melhorar”. Nós, classe médias, subidos o morro e erguemos uma casa, tão inesperado quanto isso, sua vida pode melhorar.

E você pode tornar isso real. Basta perceber que você ganha muito mais do que doa, e que mesmo sendo pouco, muitas pessoas ganham com você.

Faça a diferença. Seja voluntário.
Campanha Universitária 2011
Construções dias 21, 22 e 23. Saiba mais em umtetoparameupais.org.br

28/03/2011

Sem nada pra fazer

N: Você gosta de beber
A: Você gosta de beber
T: Se apaixona facilmente
A: Você gosta de beber
L: Você gosta de beber
I: Você é ótimo na cama
A: Você gosta de beber

Jesuis, será que eu gosto tanto assim de beber?

08/03/2011

Eu não sou para casar

Tem uma coisa que eu ouço os meus amigos de faculdade falando para as meninas da minha sala que me deixa profundamente irritada, não por eles não falarem isso para mim, mas sim por tudo o que essa frase trás com ela: “você é pra casar”. O contexto é sempre o mais propicio: quando elas cozinham alguma coisa gostosa, quando limpam a cozinha depois de um almoço comunitário, quando fazem algum favor para eles... Me incomoda não só por eles acharem que, para casar, uma mulher tenha que ser boa nessas coisas, mas por elas mesmas propagarem esse tipo de ideal, com frases simples do tipo “homem só sabe botar fogo na cozinha”. Mulher machista me incomoda tanto quanto homens machistas.

A idéia clássica é que, enquanto aproveitam a sua juventude, os homens querem as mulheres fáceis, as ousadas, e que vão dar para eles aquela história para contar para os amigos. Enquanto que para namorar e casar, preferem as corretas e prendadas. E as mulheres, tão preocupadas em se casar, não se permitem ser o que elas gostariam. Eu não quero ser essa mulher submissa que os homens desejam, e as mulheres procuram ser com medo de ficarem sozinhas, eu não sou pra casar!


Então o meu feliz dia das mulheres, vai para todas as mulheres que “não são para casar”. Às que gostam de sair com as amigas, com os amigos, ou até mesmo sozinhas, que gostam de beber e falar palavrão, que não sabem cozinhar, costurar, ou não querem ser mães. Às mulheres que gostam de homens, que gostam de mulheres, que beijam quem tiver vontade e transam no primeiro encontro. Para as que não querem que ele ligue no dia seguinte. Às que usam roupas curtíssimas, e às que são largadas. Que não se importam com a opinião alheia e nem com a tal reputação. Às mulheres que estudam e são ótimas profissionais. Que cortam o seu próprio cabelo, que escrevem seu próprio destino. Enfim, a todas as mulheres que não esperam um príncipe encantado para transformar a sua vida em um conto de fadas, pois sabem que a única pessoa capaz de fazer a sua vida valer a pena, é ela mesma.

01/03/2011

Concerto de Regentes volume 2

Tem me custado vir postar por pura falta do que dizer. Mas em todo caso, estou aqui para atualizar, e compartilhar com vocês o meu segundo concerto como regente (naquele mesmo esquema: avaliação final da disciplina 'Direção de Conjuntos Musicais 2', que dessa vez foi com o Coral da UFSCar, ao invés da Orquestra).

Confesso que esse concerto me esgotou muito. Aconteceram muitas coisas na época que acabaram com o meu emocional - e eu só não compartilho com vocês, porque estou tentando esquecer para não alimentar a raiva ;) Mas o surpreendente é que o resultado saiu muito bom. Espero que gostem também!

- O vídeo vai girar, mas não liguem, hê

03/02/2011

Sandra Lynch e o meme da banda

A Le me convidou para tocar bateria na banda dela :) Saiba quem mais está na banda clicando aqui!

1. Entre nesse link aqui e o nome do artigo será o nome da sua banda.
2. Nesse link você vai descobrir o nome do álbum. As últimas 4 ou 5 palavras da última citação.
3. A capa do seu álbum será a terceira imagem que aparecer nesse link.
4. Monte sua capa. Pode usar qualquer editor de imagem. Preferencialmente, o Photoshop, mas, no sufoco, vai até o Paint.
5. Indique pessoas para fazer parte da banda junto com você.


Meu nome é Sandra Lynch e resolvi fazer um trabalho solo. Essa foi a música que deu o título para meu primeiro CD, "She can't forgive no one else". Espero que gostem :)
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Bom, como eu - na vida real - faço faculdade de musica, eu precisei fazer uma música de verdade pra postar esse meme. Originalmente ela foi feita para Clarinete, Piano e Viola, mas quando eu salvei em MID ficou tudo com som de piano, então, vai só no piano mesmo :) Cliquem aqui para ouvir! - E espero mesmo que gostem ^^

26/01/2011

#fikdik

Se tem um conselho que é universal, é este: não tente abraçar o mundo. Para mim não funciona já que, eu não só abraço o mundo inteiro, como ainda aceno com a mão - e quando eu vejo que ainda tem coisas para serem feitas, eu vou agregando. O grande problema é que as pessoas fazem 'demenos'. Esse é um dos grandes motivos pelo qual eu não crio expectativas com ninguém: as pessoas são regidas pela lei do menor esforço. Confesso que sempre tenho preguiça, e vou adianto ao máximo tudo o que precisa ser feito (o que me faz chegar no final do semestre e ficar totalmente desvairada), mas a sensação de ser responsável por alguma coisa que não só trará benefícios para você, como também para pessoas que estão por perto, e ver resultados positivos de ações feitas com as suas próprias mãos, compensam todo o sacrifício, cansaço, noites mal/pouco dormidas, estresse, brigas (...). Seja você a pessoa que põe a mão na massa, não seja escravo da inércia, se movimente, seja útil! - Porque eu adoraria poder dividir um pouco as tarefas e descansar também ;)

"Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem"
Rosa Luxemburgo

15/01/2011

#207

Odeio quando as pessoas acham que o compromisso que elas assumiram comigo é bobo demais para elas se compromissarem com ele seriamente.

13/01/2011

#206

Eu me assusto quando eu vejo da onde vem toda a minha frieza emocional.

08/01/2011

Certos acordes

As unhas quebradiças e amareladas tentavam se equilibrar sobre as cordas. Sua fragilidade ainda podia ser vista pelas rápidas piscadelas, por onde se esvaia a sua insegurança de aprendiz. Tinha, porém, olhos atentos à professora. Queria retribuir à paciência dela, queria retribuir ao fato de alguém confiar nele e perder a tarde com ele e acreditar que ele podia aprender. E ficar ali, o tempo que fosse preciso, até que ele aprendesse. Queria aprender logo e queria se tornar um grande músico e compor uma linda canção para orgulhar a professora. Queria tocar na frente de um monte de gente e queria tocar lá no morro. Enquanto soasse os tiros, quebrando o silencio da madrugada, os mesmos tiros que eram sua canção de ninar, os tiros que se ouve todas as noites e que levam crianças para baixo da mesa e mães de joelhos sobre o altar – enquanto soasse o barulho deles, ele tocaria bem alto, e a música então poderia ensurdecer o barulho dos tiros e sufocar o ódio que pudesse estar escondido no peito daqueles que estivessem puxando os gatilhos. Acredita que a música pudesse fazê-los sonhar ou esquecer-se do que quer que estejam pensando, esquecer das drogas, do dinheiro, dos problemas, das armas – as dele ou as dos seus irmãos. E quem sabe eles também sentissem vontade de aprender e quem sabe pudessem também ser grandes músicos e tocar para muita gente – e quem sabe ele pudesse ensinar e fazer sair daqueles olhos duros, olhares de luz com notas de poesia. Entrou pela janela da sala de aula uma brisa leve, que sacudiu as cortinas velhas. Ele desviou o olhar para elas, como se a brisa tivesse cor, como se fosse uma dama, e estivesse muitíssimo bem vestida. A professora olhou ao redor. As paredes descascadas e sofridas como as mãos do menino. As cadeiras e mesas calejadas como eram os dedos indicadores que tanto se esforçavam para que deles também saíssem coisas belas – e não só o trabalho. E quem sabe ele pudesse finalmente ser apenas uma criança – enquanto diante dele, ali, estariam prostrados os sonhos e a confiança de sua primeira (senão única) professora, no sentido mais fiel que uma palavra pode ter. Quem sabe existam outras iguais à ela.


Presente da querida Mel Sliominas.

06/01/2011

No final de 2011

O ano letivo ainda nem começou e eu já sinto o peso de estar no último ano da faculdade. Passou tão rápido! Muito mais significativo do que fazer 18 anos, terminar a faculdade sim faz a vida olhar pra você e perguntar: e aí, qual o seu plano agora? Mas essa nem é a minha situação agora, eu ainda tenho um ano inteiro. Tenho a sensação de ter aprendido muito, de ter aproveitado muito do que a universidade me ofereceu acadêmica e socialmente. Absorvi o máximo que pude, aprendi a lidar com o diferente, a ser mais flexível. Eu amo a minha faculdade, amo toda a galera que entrou comigo, eles sempre me matam de orgulho - mesmo que uma hora ou outra eu queira matar um -, e eu sinto medo quando eu paro pra pensar em como vai ser a minha vida no final deste ano. Estágio, TCC, formatura...! Estou ansiosa, mas quero que passe bem devagar. Vou aproveitar ainda mais, estudar com mais empenho, me dedicar ainda mais, vou ficar mais perto dos meus amigos, vou tentar deixar de ser uma nerd anti social e vou sair mais, me divertir ainda mais. Quero sair da faculdade com a certeza de que eu fiz tudo o que pude - e a minha sorte, é que eu já venho fazendo tudo o que eu posso :) Vou tentar não pensar no final, e viver cada pedaço de cada momento. A Federal é linda, a turma 08 é linda, e a MÚSICA é divina! :) Quem venha 2011

31/12/2010

Do alto do morro


Ainda que tenha sido penoso subir a ladeira do morro, o peso nas mãos já não fazia diferença. Diferença, essa palavra tão utilizada para separar os mundos, hoje só se faz presente nas cores do céu. Lá do alto, todos os sentimentos do mundo, experiências à flor da pele, misturam-se com o concreto, a terra, o sofrimento e a alegria. Quanto se aprende no alto do morro!, como se enxerga além! A visão melhora, o coração aflora. O peso da alma se vai e descer a ladeira é mais fácil. Lá de baixo, o castelo de madeira vistoso preenche a vista, preenche os buracos, preenche a vida. A vida não será mais a mesma.

Estive com você nessa subida, e nós sabemos que não foi fácil, mas que, de tão compensadora, nós continuamos subimos, e eu desejo de todo o meu coração que mesmo que a força pareça acabar você continue; ou, como você mesma disse:

“ Eu não vou renunciar a mim, nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser vibrante, errante, sujo, livre, quente.”

Esse é o meu presente de amigo secreto! E minha amiga secreta é querida, e é a Pet!

24/12/2010

Feliz Natal!

Que o Natal seja um momento para se acreditar que vale a pena viver um Ano Novo! Aproveitem esse dia da forma como vocês acreditam, e sejam infinitamente felizes!

18/12/2010

#199

Talvez seja mesmo o frio, uma delicada forma de calor.

12/12/2010

Carta ao Coronel

Fiquei sabendo que ninguém escreve ao coronel, e já que vivo para contar, resolvi escrever:

Querido Coronel,

Encontrei o relado de um náufrago, que contava a incrível e triste história de Cândida Eréndira e sua avó desalmada. O verão feliz da senhora Forbes foi duramente interrompido pelo veneno da madrugada: folhetins contavam crônicas de uma morte anunciada. De tão triste e emocionante a história, fui investigar, e descobri que os funerais da mamãe grande se transformaram em doze contos peregrinos. Mandarei para você qualquer dia.

Na sesta de sexta feira, na última viagem do navio fantasma, o general em seu labirinto encontrou um senhor muito velho com umas asas enormes e olhos de cão azul; que recitava sobre o amor nos tempos do cólera. Entre outros textos do caribe, descrevia o cheiro de goiaba, e falava sobre o amor e outros demônios. Creio ser esse o homem suspeito das notícias de um seqüestro. Irei investigar.

Fiquei sabendo que você escreveu uma memória dos prazeres, intitulado "a memória de suas putas tristes". Gostaria de lê-la, se você não se importar, ficará só entre amigos.

Sem mais, aproveito a revoada dos pássaros e me vou.
Desejo-lhe que se livre do peso desses cem anos de solidão.

Com carinho,
Hans.


09/12/2010

"ela
que assumia a forma do amor quando amava

já não se reconhece mais"

(foi essa querida quem disso isso, belamente)

07/12/2010

nada melhor para o mau humor do que ouvir rap e ver que tem gente passando por coisas piores.


egoísta, confesso.
mas com esse mau humor, pouco me importa.

04/12/2010

Personagens: Eu, Mari, Carol e Matheus
Local: Encontro da Pós em Educação Musical da UNESP
Contexto: Depois de apresentarmos o nosso trabalho, fomos participar de uma mesa redonda intitulada "Música e História". Achavámos que tinha tudo a ver com o nosso trabalho e fomos assistir. Logo depois das primeiras falas percebemos que tinhamos acabado de nos meter numa fria e eu comecei a planejar uma saída discreta da sala. Foi aí que a Carol passou o seguinte bilhete, que foi logo respondido pelo Matheus:

- Para não parecer que estamos indo embora, e ficar chato com o pessoal, eu, a Mari e a Nati sairemos em cânone com o celular na mão. Depois o Matheus sai com todas as bolsas.
- É melhor a gente ir agachado por baixo das cadeiras, tipo o James Bond.

Daí nessa, deu um ataque de riso em todo mundo, e a gente saiu correndo e rindo da sala.

27/11/2010

Quanto orgulho!

Regendo a música 'Camaleão' com a Fanfarra da Escola Aracy

Quando eu falo que o esforço vale a pena, é disso que eu estou falando: ver essas 20 crianças irem na escola em um sábado de manhã, mostrando que apesar de quase terem nos deixado sem voz de tanto gritar, eles prestaram atenção no que a gente falou, e aprenderam tudo. É lindo ver um pessoal de 5, 6 anos tocando junto com a galera de 15, e com a gente, de 20, sempre com o maior respeito.

PIBID-Música e o pessoal da 7B

E é mais lindo ainda ver o pessoal da 7B, a sala mais problemática e negligenciada da escola participando com tanta vontade! Admiro todos eles pela coragem de cantar as músicas que eles próprios fizeram na frente de tanta gente. Quase choro ao pensar que um desses alunos foi expulso da escola por unanimidade (no fim, ele voltou pra escola), mas é um dos nossos melhores alunos. Fico tão feliz pelas meninas, por todos!

Enfim, valeu as noites em claro, a correria, a preocupação, o estresse. A apresentação foi maravilhosa!, e eu tenho o maior orgulho dessas crianças - e desse trabalho!

E falando nesse trabalho; na quinta fomos para o Encontro da Pós em Educação Musical da UNESP apresentar uma comunicação sobre as aulas na 7B. A experiência de ser graduando e estar apresentado para pessoas do doutorado, na frente de uma das educadoras musicais mais renomada do país é inenarrável; só mostra o quão sólido e bem feito é o nosso trabalho. Orgulho, orgulho, orgulho! Só isso que eu tenho para falar!


Mas o MEC ainda vai ter que pagar minhas noites mal dormidas, rs.

*
Participe do Amigo Secreto!

26/11/2010

Amigo Secreto II

Gostaria de propor novamente essa brincadeira de final de ano: o Blogueiro Secreto, um amigo secreto virtual para blogueiros.

No ano passado eu fiz com algumas blogueiras amigas e foi muito bacana, tenho certeza que esse ano podemos ampliar o número de participantes!
Eu criei um blog exclusivo para a brincadeira:
blogueirosecreto.blogspot.com
Lá tem mais informações! :) Vou ficar esperando a participação de vocês!!


(No sábado, a EPTV de São Carlos vai fazer uma entrevista comigo sobre isso! Estamos chique, bem!)

22/11/2010

Feliz dia do Músico

Parabéns a todos os músicos, a todos aqueles que correm atrás de seus sonhos, que lutam pra divulgar a sua arte. Parabéns aos músicos que educam, que pesquisam, que amam a música e acreditam nela! Feliz Dia do Músico!


--
Melhor presente do dia do músico: meu artigo foi aceito no Encontro de Educação Musical da UNESP!

18/11/2010

Para quem estiver em São Carlos:


O Dia do Músico é comemorado no dia 22 de novembro, mas a nossa comemoração será no dia 23, terça feira. Por isso, todos que estiverem ou quiserem estar em São Carlos nesse dia, estão mais do que convidados para comemorar com a gente. 

A festa começará com um som ambiente as 20h, e logo mais, as 23h entra a banda Why Not? (de Ribeirão Preto/SP) que fará um rock'n'roll em grande estilo; em seguida, a Cortesia da Casa com suas marchinhas no carnaval fora de época, e, para encerrar, a banda que fez um sucesso no Festival do Calouro, Companhia da Barganha, vai por todo mundo pra dançar.

A organização está sendo feita pelo CA da Música da UFSCar mas todos os músicos, profissionais ou amadores, ouvintes e amantes estão convidados!


17/11/2010

#188

adoro essas declarações inesperadas do namorado:

"você precisa saber....que eu sou o cara mais feliz do mundo!
arrumei uma namorda, linda e comunista...=)"

08/11/2010

♫



Esse é o vídeo do concerto de regentes, e essa sou eu regendo. A câmera ficou num lugar desfavorável para ouvir a orquestra, mas pelo menos dá pra ver (: Espero que gostem - eu adorei a experiência, mas tenho a sensação de que não levo jeito pra coisa, rs.

26/10/2010

Para o triunfo do mal, basta que o bem não faça nada.

Cada dia dentro da escola é um soco na cara. Acreditar na mudança pela educação faz com que eu me envolva demais. Estudar política e sua relação com o sistema educacional me torna ainda mais crítica. Não consigo sair igual da sala sabendo que a polícia matou o pai de um menino na frente dele, cortou as mãos, os pés e ficou chutando pra lá e pra cá. Não consigo brigar com esse menino quando ele chega bêbado pra aula. Não consigo julgar crianças que brigam nos corredores da escola porque o pai de um matou o pai do outro. Não consigo culpar os professores quando vejo a indiferença dos alunos, da diretoria de ensino. Todos aqueles que eu culpava [professores, alunos, pais dos alunos] pelo fracasso da escola, hoje me parecem vítimas de um poder público que negligencia qualquer assunto humanizador. E cada vez que eu saio da escola eu agradeço pela oportunidade de estar estudando em uma Universidade que me dá uma formação [teórica] mínima em psicologia, didática, educação, que me capacita para enfrentar esse grande tormento que é a escola pública; e eu prefiro que seja eu, o professor que vai dar a cara pra bater, e enfrentar todas as diversidades do que outro com menos formação e menos empenho em mudar a situação. Porque eu gosto de desafios, e não costumo desistir. Eu acredito na educação, acredito no poder humanizador da música, e tenho certeza que se eu continuar estudando e trabalhando com toda essa disposição que eu tenho hoje, alguma vida eu vou salvar.

FÉ:
É uma menininha, na praia, esvaziando o mar com um baldezinho de plástico furado!

... mas a vontade de chorar tá grande!

21/10/2010

#185

educação musical não tá com nada.
viver do funk é o esquema.



brinks ;)

15/10/2010

Dia do Professor!


Criado no siteVocê na capa de NOVA ESCOLA.

"Feliz aquele que transfere o que sabe
e aprende o que ensina"

(Cora Coralina)

23/09/2010

as vezes eu fico pensando que todas as palavras já foram ditas; porque eu não lembro de uma forma sequer que eu não tenha usado pra dizer que eu amo você. hoje faz três anos que começamos a caminhar juntos. e eu só queria poder passar o dia com você! parabéns para gente! : ) que nossa caminhada continue e que nosso caminho seja longo e feliz.

22/09/2010

#182

tenho tentado postar há muito tempo, mas a única coisa que eu penso em dizer é: porra, eu amo dar aula! a experiência de estar em uma escola, enfrentando todas as dificuldades que existem em ser professor, e professor de música, em uma escola estadual, que mais parece uma prisão, tem me feito tão bem. bem por perceber que a música humaniza as pessoas; por receber sorrisos tímidos, tristes, defensivos, mas sinceros; por  sentir o vínculo que nós estamos criando com os alunos (porque a gente vai até beber água na casa deles) por estar fazendo parte desse projeto com amigos maravilhosos, dedicados, divertidos; por estar aprendendo muito sobre educação, sobre a vida. as vezes quero largar a faculdade e só dar aulas, rs. estou ansiosa para me formar, mas ainda tem tempo. bom, vim só dar satisfações, afinal, as aulas na faculdade, pibid, aulas particulares, grupos de estudos, centro acadêmico, e viver me tomam muito tempo.

26/08/2010

quando tudo já foi

"E nessa ânsia por erros,
ponha o dedo na goela e procure a verdade. 
Mas só acha mentiras, não é? 


Restos de mentiras mastigadas..."


(diogo f.)

15/08/2010

de tempos em tempos eu canso do blog.

28/07/2010

castelo de madeira

não consigo parar de pensar. foram cinco dias muito intensos: cinco dias dormindo pouco, mal e com frio, sem tomar banho, almoçando e jantando salsicha, carregando muito peso, embaixo de sol, de lua, andando por vielas estreitas, morros inclinados, no meio de traficantes, empregadas, pedreiros, crianças, cachorros, sentindo muita dor nas costas, ombro, pescoço, braço, perna, com muitas bolhas no pé, o cabelo nojento,  usando banheiros precários, em casas precárias, com famílias em situação precária. e de tudo isso eu tiro um coração inflado de experiências que eu tenho medo que a rotina me faça esquecer. não quero esquecer da força, da perseverança, da união. da alegria! a nossa alegria, a alegria daquelas famílias que ganharam um teto. teto que simboliza a força que nós queremos que eles tenham para conseguirem melhorar de vida, e que vai ser o começo para a mudança. a mudança de vida para eles, a mudança de atitude para nós. não dê as costas para o seu país, se comprometa a fazer parte dessa mudança.

a história de repete
mas a mudança está chegando
o novo começo
a troca de vivências
começou não para!!











16/07/2010

o cheiro do ralo

resolvi ler o livro do meu filme preferido: o cheiro do ralo. quando pego o livro, me deparo com um autógrafo do autor 'a universidade com um abraço', e na contra capa, ao invés do resumo, uma carta, adivinha de quem? do meu compositor preferido, arnaldo antunes <3 tudo o que eu precisava para ficar ainda mais empolgada para ler o livro :D

o livro e o filme têm a mesma cara, a mesma forma de conduzir a história. no filme, alguns episódios sao omitidos, claro, para não ficar muito longo, mas eu achei que o diretor omitiu uma coisa que não podia: o que faz o personagem (no livro ele não tem nome, no filme se chama lourenço) ser amável.
eu não acreditei que eu pudesse torcer por ele, a narração é pesada, obcena, mas quando eu percebi eu já estava achando que ele era uma pessoa boa. dá para acreditar?

não se tornou meu livro preferido, mas fez com que eu gostasse ainda mais do filme <3

o lixo é bom

(...)
- deus criou o mundo, mas fomos nós quem o tornamos confortável.
- humhum
- com todas as coisas que agora o mundo pode nos oferecer. pense nas poltronas, macias e aconchegantes.
- poltronas é uma coisa confortável mesmo. o senhor tem razão.
- e nossas roupas? passa a mão nesse paletó aqui. passa, pode passar. e então, é macio?
- é. lisinho, lisinho.
- nós somos o deus do conforto.
- é, mais a gente encheu o mundo de coisa ruim também.
- como assim? que coisa ruim?
- ah, sei lá senhor. o lixo. o lixo, por exemplo.
- você não entende?
- o quê?
- o lixo é bom.
- é?
- o lixo é o troco.
- é o troco, é?
- a gente faz o lixo para ocupar os desocupado. pode ver, o que seria dessa gente toda se não existisse o lixo?
- eu não sei não senhor.
- tem um monte de vagabundo. tem um monte de gente desocupada. é tudo gente que não gosta de conforto.
- eles não tomam banho, isso é verdade.
- é, eles são diferentes de nós.
- eles são?
- eles não se interressam pelas coisas boas da vida.
- não?
- não. e é por isso que inventamos o lixo. para distrair essa gente toda.

lourenço mutarelli, em 'o cheiro do ralo'
porque quando eu estou com esse humor infernal, só o bom humor ácido do personagem lourenço me diverte.
"penso em escrever um livro só com as frases que um dia eu grifei. tornar meu, o que não era meu. tornar meu o que eu adquiri".

"volto de algum lugar onde, por instante, inexisti para então voltar outro."

lourenço mutarelli, em 'o cheiro do ralo'.

14/07/2010

meu mais novo vício

gabriel gacia márquez.

esse é o nome do ilustre que nao me deixa dormir.
eu ouvi falar dele pela primeira vez em 'comerciais de cigarro', uma música do dance of days, onde tem uma parte que diz 'alguém que não me deixe tão garcia marquez feito um personagem de cem anos de solidão'. mais do que qualquer outra parte da música (que eu gosto muito, aliás), esse nome me intrigou muito e eu fiquei muito curiosa para saber do que se tratava. coincidentemente um amigo tinha esse livro e me emprestou. ele me deu uma dica: vai ser difícil no começo, mas insista. e realmente, no começo eu ficava agoniada querendo saber onde tudo aquilo ia dar. e sabe onde deu? na melhor história de todos os tempos, com o melhor final do mundo!

anos depois, mais precisamente no natal do ano passado, eu pedi de natal um box da fnac com quatro livros do gabriel garcia marquez. antes do ano novo eu já tinha lido dois, memórias de minhas putas tristes e crônica de uma morte anunciada. então reli cem anos de solidão, e li amor nos tempos do cólera, má hora: o veneno da madrugada; e acabei de terminar um que eu peguei em espanhol (para practicar mi español), que parecia um livro bobinho, até a última frase, que foi um soco no estômago, ninguém escreve ao coronel (o el coronel no tiene quien le escriba, hê), muito bom.

não quero chegar em nenhum lugar com tudo isso. só queria comentar que quando eu pego um livro dele para ler eu não consigo fazer mais nada, fico me apressando para terminar de fazer tudo e poder ler mais um capítulo (nunca é só um capítulo, é muito dífícil parar de ler). não vejo a hora de acabar as férias e voltar na biblioteca da faculdade e ler todos os outros livros dele <3

# 172

ah sim, estou de férias. mas eu nunca paro. parar é para os fracos. estou correndo por aí, de um jeito ou de outro. descanço quando morrer. é isso

02/07/2010

"se a obra é a soma das penas, pago!
mas quero meu troco em poemas"

itamar assumpção.

01/07/2010

#170

eu estou cansada, com sono acumulado, cheia de coisas para terminar de fazer, acabei de descobrir que eu não vou ter férias, e mesmo se tivesse elas acabariam duas semanas antes, eu queimei a língua, estou morrendo de dor nas costas, andei pra caralho, meu olho arde, e eu ainda tenho que aguentar desconfiança atrás de desconfiança. hoje estou nervosa que só.

22/06/2010

concerto de regentes




quem se importa com os braços que ficam tensos, as pernas que ficam bambas e as mãos que ficam geladas, quando se está diante de uma orquestra, com mais de cem músicos, pronta para mostrar para eles, e para o teatro lotado, que você estudou e se empenhou para fazer daquele um momento bonito; e você ouve seus amigos gritando seu nome, e vê nos olhos dos músicos a confiança de que você é capaz?.
subi no palco, e diante dos gritos amigos e desses olhares confortáveis, eu esqueci de todo o nervosismo e dei o melhor de mim. e deu tudo certo! por isso eu reforço: obrigado aos amigos que foram, aos que mataram aula para ir, aos meus pais que vieram de campinas só para me ver, aos que quiseram, mas não conseguiram ir, mas desejaram boa sorte. é ótimo a sensação de que as pessoas queridas estão nos apoiando.


traduzo a sensação: funciona como em uma montanha russa. enquanto você está na fila você quer que chegue logo, ao mesmo tempo que não, quer desistir... quando chega a hora você aproveita cada instante, cada frio na barriga, e quando acaba você sente um alívio gostoso e quer ir de novo :)




não está entendendo nada?


19/06/2010

#168

"Aprendi uma lição: não deixar você levar todos os meus planos, os meus desejos pra qualquer lugar"

18/06/2010

pensar atrai



é só ignorar que o comportamento se extingue.
(não pensar também funciona, assim, nada se atrai...) 

15/06/2010

mineiros da esquina

de carro, de ônibus, de carona, de qualquer jeito, só não tinha como perder. e olha que aquela gripe safada e aquela chuvinha sem vergonha quase me desanimaram.


o que aconteceu foi que semana passada, na feira do livro de ribeirão preto, teve um (re)encontro do clube da esquina, com flávio venturini, milton nascimento e lô borges. gente!, eles são verdadeiros monstros! (perguntem aos pais de vocês, eles certamente vão concordar).

no dia seguinte, liguei para os meus pais, para contar, com um pouco de medo de eles brigarem por eu ter dirigido na estrada a noite, e meu pai diz "um show desse não dava pra perder".

durou pouco, mas foi emocionante e intenso. como eu fiquei feliz....!

10/06/2010

Quem havia de dizer


Sei que vai haver o dia em que estaremos caminhando a luz de nossas rotinas e, sem querer, em um mesmo caminho inquestionável, a gente vai se cruzar. E então eu vou imaginar uma grande cena de cinema, onde o foco está apenas no encontro, acompanhado de uma belíssima música que passa a tocar, como forma de tornar o momento ainda mais intenso, selando o desejo que o coração tem de reviver. Alguém, disfarçando, irá falar 'quem havia de dizer que nos encontraríamos'. E sairíamos para outro lugar, com o pretexto de conversar com mais calma, e assim descobriríamos que os 'para sempre' do passado não correspondem mais, e assim suspiraríamos 'quem havia de dizer', enquanto nos distraíamos com o movimento dos carros, como forma de encobrir a nossa falta de assunto. E então, depois de termos repetido todas as palavras, por vezes, esdrúxulas¹, e não pudermos mais disfarçar o tédio entre os cigarros, e, entediadas as nossas mãos se encontrarem, sem destino, sua mão sobre a minha solidão, e toda aquela dor se transformar em silêncio, nós viraremos as costas. Levantaremos desnorteados, sem qualquer palavra, sem nenhuma canção ou poesia, como pessoas sem qualquer ligação fariam. 'A gente se vê qualquer dia'. Nos abraçaríamos o abraço eterno, e com a dor de estar deixando um grande amor, nos afastaríamos, sem sequer nos lamentar.



PS: Livre interpretação de 'Quem havia de dizer' (acredito que seja do Oswaldo Montenegro) PS: Essa música me lembra amores que se vão, porque eu sempre imagino como é reencontrar alguém que não se deixou de amar. PS: Ouçam a música, por favor, ela é lindíssima!

¹  "Todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos, são naturalmente ridículas" (Álvaro de Campos).

02/06/2010

Previsão do tempo

A previsão para hoje era sol e frio, mas o frio se manifestou com tanta autoridade que o sol demorou muito para conseguir dar as caras, e quando o fez, foi sutilmente posto de canto por uma chuvinha besta que resolveu aparecer. Naquela manhã, a tranqüilidade da água que corria seu curso, e meia dúzia de conversas agradáveis, distraia a atenção daqueles que tentavam disfarçar o porquê de estarem ali. E de tanta força para não pensar, pensou-se, e de tanta vontade de não fazer, fez-se. E se fez belíssima e triste, como a última nota de uma música que nos faz chorar. Na ânsia do fim, se afasta, segura as mãos, e ouve o coração que diz "fica", mas a boca traduz: "vá". Se vão, cada um com o coração do outro. Param: último suspiro, último olhar, último adeus. Último...

PS: A flor amarela, sabe? Selou aquilo que eu não vou esquecer.
PS: Nada como arrumar o armário para ter a sensação de organizar os sentimentos.

24/05/2010

.

As noites são escuras,
os dias São Carlos ;)

21/05/2010

Tem vindo muito na minha cabeça essa frase que eu aprendi. Eu jamais imaginaria a minha vida sendo regrada por ela, mas nos últimos dias tudo o que eu mais queria era seguir isso, com todas as minhas forças.

Não existem coisas certas ou erradas, existem coisas chatas ou divertidas.

Não quero te esquecer




Adoro o Arnaldo Antunes porque ele, além de tudo, fala por mim.
Já leu?

18/05/2010

Me vê mais uma dose de Vygotsky Ice pra mim!



Vygotsky Ice - te levando de uma zona a outra!
_
Interna ;)

17/05/2010

Queria que essa fosse uma semana feliz, mas pelo jeito que ela começou acredito que se for, é porque tem alguma coisa errada. A tendência é ser triste.

11/05/2010

Hoje eu acordei de mau humor, irritada e triste.
Hoje eu acordei de mau humor, irritada e triste.

09/05/2010

Viajo porque preciso, volto porque te amo.

08/05/2010

Saca só o nome de um texto que eu tive que ler para a aula de Psicologia do Ensino e da Aprendizagem (detalhe!):  "Eliminando comportamento inadequado por meio da punição".


Hahaha, fascismo total ;)

06/05/2010

A arte de varrer tudo para debaixo do tapete.

01/05/2010

Saquinho plastico

"Num saquinho plástico eu ganhei um monte de conchinhas com esmero desenhadas pelo tempo e que a areia não deixou o mar levar. São várias moradas, são casacos de lãs grossas, esconderijos, armaduras de habitantes que ficaram lá no mar. Onde estão? Eu não sei. As conchinhas que eu ganhei, onde estão?"



Helio Ziskind.
Eu queria o meu próprio Alberto Knox para me levar a Athenas e me contar a história da Filosofia.


(vide "O Mundo de Sofia", J.G.)

29/04/2010

Passo mal

Professora: (...) A criança se for privada de oxigênio, por n motivos, durante a infância, pode ter diversos problemas.
Alun@: Nossa, professora! Então quer dizer que se o adulto for privado de oxigênio não acontece nada???
Professora: Claro que acontece, experimenta ficar 15 minutos sem respirar pra ver se você não morre!

25/04/2010

Divertido

Essa não é pra ninguém não, só ouvi uma pessoa falando e achei divertido, por isso, sempre que convém, fico repetindo:



Vai tomar no cu tranquilo.

15/04/2010

Feliz aniversário

Tudo o que eu desejo é luz, equilíbrio e paz de espírito.
Feliz 21 anos para mim!

28/03/2010

Perfil 5

As primeiras impressões do terceiro ano no curso de Educação Musical da UFSCar (a melhor do meu país ♥) foram ótimas. Ainda assusto quando eu penso que eu já estou no 5º semestre e que logo logo  acaba, mas estou quase me acostumando. Tive me apaixonando muito por pedagogia, mas as disciplinas que eu estou tendo esse semestre me bastam e eu já não quero mais mudar de curso (Nem contei né? Tive uma mega crise no final do ano passado e resolvi prestar Pedagogia – mas já passou, hê). Estou fazendo umas matérias legais como Direção de Conjuntos Musicais (vulgo regência), e Ensino Coletivo de Cordas, onde eu estou aprendendo a tocar viola de arco, e estou adorando!  Também estou fazendo uma que se chama Estrutura e Funcionamento da Educação Básica e ela tem me feito perceber como eu gosto de política o.ô Foi super estranho descobrir isso, rs. Consegui uma bolsa que faz parte do Plano de Desenvolvimento da Educação do MEC, o PIBID (Programa de Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência), para trabalhar com música em duas escolas, uma estadual e outra municipal. O triste de tudo isso é que fico totalmente sem tempo, porque além das 9 disciplinas que eu  já faço, do Centro Acadêmico, e da aula que eu estou dando de teclado, eu continuei ‘estagiando’ na musicalização, e agora ainda tem o PIBID, a Orquestra (que eu voltei a tocar - e terei que reger), as aulas de espanhol e o grupo de estudos sobre capoeira que eu inventei de fazer. E pra completar eu estou sem a NET em casa (e essa epopéia merece um post exclusivo) e, portanto, sem TV, internet e telefone :P É mole? De qualquer forma, está tudo certo, estou feliz, me estresso de vez em quando, dou uns chiliques básicos, mas logo volto a ser feliz. Apesar de sempre reclamar, eu adoro essa correria e eu já não agüentava mais aquelas férias intermináveis, aquilo sim me deixava doente. No mais é isso, vim só justificar minha ausência; vou retribuindo os comentários aos poucos e quando eu me acostumar com a rotina desse ano – e a internet voltar – a tendência é que eu apareça mais vezes.

Se sentirem saudades de mim (hê) visitem o meu outro blog: Subversão Ideológica! postei bastante durante as férias, então tem muita coisa para ler por lá, e aproveitem para acompanhar ele pelo twitter: @subideologica! :)

14/03/2010

De forma nada poetica e grosseira: Sabe o que me consola? Ele nunca vai ser seu.


Penso nisso e dou risada.
Sério, eu rio muito.