28/07/2010

castelo de madeira

não consigo parar de pensar. foram cinco dias muito intensos: cinco dias dormindo pouco, mal e com frio, sem tomar banho, almoçando e jantando salsicha, carregando muito peso, embaixo de sol, de lua, andando por vielas estreitas, morros inclinados, no meio de traficantes, empregadas, pedreiros, crianças, cachorros, sentindo muita dor nas costas, ombro, pescoço, braço, perna, com muitas bolhas no pé, o cabelo nojento,  usando banheiros precários, em casas precárias, com famílias em situação precária. e de tudo isso eu tiro um coração inflado de experiências que eu tenho medo que a rotina me faça esquecer. não quero esquecer da força, da perseverança, da união. da alegria! a nossa alegria, a alegria daquelas famílias que ganharam um teto. teto que simboliza a força que nós queremos que eles tenham para conseguirem melhorar de vida, e que vai ser o começo para a mudança. a mudança de vida para eles, a mudança de atitude para nós. não dê as costas para o seu país, se comprometa a fazer parte dessa mudança.

a história de repete
mas a mudança está chegando
o novo começo
a troca de vivências
começou não para!!











16/07/2010

o cheiro do ralo

resolvi ler o livro do meu filme preferido: o cheiro do ralo. quando pego o livro, me deparo com um autógrafo do autor 'a universidade com um abraço', e na contra capa, ao invés do resumo, uma carta, adivinha de quem? do meu compositor preferido, arnaldo antunes <3 tudo o que eu precisava para ficar ainda mais empolgada para ler o livro :D

o livro e o filme têm a mesma cara, a mesma forma de conduzir a história. no filme, alguns episódios sao omitidos, claro, para não ficar muito longo, mas eu achei que o diretor omitiu uma coisa que não podia: o que faz o personagem (no livro ele não tem nome, no filme se chama lourenço) ser amável.
eu não acreditei que eu pudesse torcer por ele, a narração é pesada, obcena, mas quando eu percebi eu já estava achando que ele era uma pessoa boa. dá para acreditar?

não se tornou meu livro preferido, mas fez com que eu gostasse ainda mais do filme <3

o lixo é bom

(...)
- deus criou o mundo, mas fomos nós quem o tornamos confortável.
- humhum
- com todas as coisas que agora o mundo pode nos oferecer. pense nas poltronas, macias e aconchegantes.
- poltronas é uma coisa confortável mesmo. o senhor tem razão.
- e nossas roupas? passa a mão nesse paletó aqui. passa, pode passar. e então, é macio?
- é. lisinho, lisinho.
- nós somos o deus do conforto.
- é, mais a gente encheu o mundo de coisa ruim também.
- como assim? que coisa ruim?
- ah, sei lá senhor. o lixo. o lixo, por exemplo.
- você não entende?
- o quê?
- o lixo é bom.
- é?
- o lixo é o troco.
- é o troco, é?
- a gente faz o lixo para ocupar os desocupado. pode ver, o que seria dessa gente toda se não existisse o lixo?
- eu não sei não senhor.
- tem um monte de vagabundo. tem um monte de gente desocupada. é tudo gente que não gosta de conforto.
- eles não tomam banho, isso é verdade.
- é, eles são diferentes de nós.
- eles são?
- eles não se interressam pelas coisas boas da vida.
- não?
- não. e é por isso que inventamos o lixo. para distrair essa gente toda.

lourenço mutarelli, em 'o cheiro do ralo'
porque quando eu estou com esse humor infernal, só o bom humor ácido do personagem lourenço me diverte.
"penso em escrever um livro só com as frases que um dia eu grifei. tornar meu, o que não era meu. tornar meu o que eu adquiri".

"volto de algum lugar onde, por instante, inexisti para então voltar outro."

lourenço mutarelli, em 'o cheiro do ralo'.

14/07/2010

meu mais novo vício

gabriel gacia márquez.

esse é o nome do ilustre que nao me deixa dormir.
eu ouvi falar dele pela primeira vez em 'comerciais de cigarro', uma música do dance of days, onde tem uma parte que diz 'alguém que não me deixe tão garcia marquez feito um personagem de cem anos de solidão'. mais do que qualquer outra parte da música (que eu gosto muito, aliás), esse nome me intrigou muito e eu fiquei muito curiosa para saber do que se tratava. coincidentemente um amigo tinha esse livro e me emprestou. ele me deu uma dica: vai ser difícil no começo, mas insista. e realmente, no começo eu ficava agoniada querendo saber onde tudo aquilo ia dar. e sabe onde deu? na melhor história de todos os tempos, com o melhor final do mundo!

anos depois, mais precisamente no natal do ano passado, eu pedi de natal um box da fnac com quatro livros do gabriel garcia marquez. antes do ano novo eu já tinha lido dois, memórias de minhas putas tristes e crônica de uma morte anunciada. então reli cem anos de solidão, e li amor nos tempos do cólera, má hora: o veneno da madrugada; e acabei de terminar um que eu peguei em espanhol (para practicar mi español), que parecia um livro bobinho, até a última frase, que foi um soco no estômago, ninguém escreve ao coronel (o el coronel no tiene quien le escriba, hê), muito bom.

não quero chegar em nenhum lugar com tudo isso. só queria comentar que quando eu pego um livro dele para ler eu não consigo fazer mais nada, fico me apressando para terminar de fazer tudo e poder ler mais um capítulo (nunca é só um capítulo, é muito dífícil parar de ler). não vejo a hora de acabar as férias e voltar na biblioteca da faculdade e ler todos os outros livros dele <3

# 172

ah sim, estou de férias. mas eu nunca paro. parar é para os fracos. estou correndo por aí, de um jeito ou de outro. descanço quando morrer. é isso

02/07/2010

"se a obra é a soma das penas, pago!
mas quero meu troco em poemas"

itamar assumpção.

01/07/2010

#170

eu estou cansada, com sono acumulado, cheia de coisas para terminar de fazer, acabei de descobrir que eu não vou ter férias, e mesmo se tivesse elas acabariam duas semanas antes, eu queimei a língua, estou morrendo de dor nas costas, andei pra caralho, meu olho arde, e eu ainda tenho que aguentar desconfiança atrás de desconfiança. hoje estou nervosa que só.