A música extremamente alta impediu que meus péssimos ouvidos escutassem os sinos magicos que tocavam em cima da gente naquele instante. Talvez você tenha escutado por se concentar no momento, e eu, que mantinha os olhos abertos, não pude perceber. Mas os sinos continuavam tocando sob nós, e mesmo que, já em casa, deitada na cama, eu só escutasse um apito irritante no ouvido, eles tocavam. Foi só quando recebi sua resposta dizendo que isso tudo tinha um gosto de quero mais, é que houve silêncio, e eu pude ouví-los. E desde então não consigo parar de pensar em você.
Quase 10 meses e eu fico aqui pensando o que faria tudo isso acabar. Vejo motivos para brigar, mas terminar não. Sorte! Não posso, não devo e nem quero. Te amor, seu berne :D Não vejo a hora de te ver!
“Dizer pra sempre é bem menos do que sentir na carne o querer de verdade.”
MANO, quando foi que eu me tornei essa vaca sentimentaal?! HAHAHA ¬¬
-Nos vemos no Tempo de férias o/
17/07/2008
16/07/2008
Olá, umbigo da Margarida.
/Editado
Esse é um post totalmente egocêntrico e orgulhoso - e estava ainda mais com o desabafo que eu tinha escrito, mas que apaguei porque achei desnecessário todo mundo saber. O blog ganhou awards (a, b, c, d) e um concurso de escrever uma frase com umas - muitas - palavras, que eu postarei a seguir. *Felizinha*
"Foi como acordar e não estar onde se deitou, como não perder a conexão com sonho que se sonhava, abrir os olhos e continuar com o pensamento distante. Sentada na cama, não sei se dormindo, não sei de acordada, puis os pés no chão e segui o caminho que me guiavam, sem nem pensar. Tive medo, mas uma energia maior iluminava essa trilha e fazia do oceano por onde caminhava, um maravilhoso céu azul sem fim que me protegia. Não precisava me preocupar, estava indo em direção ao recomeço de minha vida, e, seja onde quer que ela esteja, será uma vida muito mais alegre e colorida. Seria então feliz."
_
Nas próximas 2 semanas vocês me encontram no Tempo de férias :)
ps: Scracho vem pra Campinas justo no dia em que eu volto pra São Carlos, e não tem como adiar a minha ida por causa das aulas. DIZ que eu sou muito azarada mesmo! Putaquepariuachoquevoumematar! ;_;
Esse é um post totalmente egocêntrico e orgulhoso - e estava ainda mais com o desabafo que eu tinha escrito, mas que apaguei porque achei desnecessário todo mundo saber. O blog ganhou awards (a, b, c, d) e um concurso de escrever uma frase com umas - muitas - palavras, que eu postarei a seguir. *Felizinha*
"Foi como acordar e não estar onde se deitou, como não perder a conexão com sonho que se sonhava, abrir os olhos e continuar com o pensamento distante. Sentada na cama, não sei se dormindo, não sei de acordada, puis os pés no chão e segui o caminho que me guiavam, sem nem pensar. Tive medo, mas uma energia maior iluminava essa trilha e fazia do oceano por onde caminhava, um maravilhoso céu azul sem fim que me protegia. Não precisava me preocupar, estava indo em direção ao recomeço de minha vida, e, seja onde quer que ela esteja, será uma vida muito mais alegre e colorida. Seria então feliz."
_
Nas próximas 2 semanas vocês me encontram no Tempo de férias :)
ps: Scracho vem pra Campinas justo no dia em que eu volto pra São Carlos, e não tem como adiar a minha ida por causa das aulas. DIZ que eu sou muito azarada mesmo! Putaquepariuachoquevoumematar! ;_;
11/07/2008
A árvore da escolinha, olê iaô.
Tão grande a primeira vez que a vi, e por muito tempo enquanto estive por perto. Depois de muitos anos ela me pareceu pequena, mesmo que continuasse crescendo. O meu nome ainda está marcado no tronco em que eu costumava sentar. Todo mundo já sabia que aquele lugar era o meu, e que, se eu estivesse sozinha lá, era melhor que me deixassem sozinha. Meu primeiro refúgio: a árvore da escolinha que tinha no prédio em que morei. Eu subia em todas as árvores, classificava-as em níveis de dificuldade de escalação, e aquela, mesmo estando entre as mais fáceis, era a minha preferida. Talvez porque ela estava bem longe do parquinho, que ficava cheio de gente, crianças alucinádas, correndo, gritando. Não sei quando foi que me deu essa necessidade de estar só. O tronco era anatomicamente perfeito para que se semi-deitasse com o maior conforto e quase toda a segurança. Os galhos e as folhas impediam que o sol chegasse então eu não precisava ficar trocando de lugar. Eu era pequena demais para confabular teorias extraordinárias, mas eu pensava muito. Pensava no meu irmão, nos menininhos que eu sempre gostei, nas coisas que eu andava fazendo, nos amigos que eu tinha feito, mais tarde pensei no que eu iria me transformar, se eu seria aquilo que eu sonhava ser... Me dava uma sensação maravilhosa subir e ficar lá. Por horas ou minutos, eu sempre descia bem mais leve e com a cabeça muito mais esparecida. Aqui onde eu moro agora não tem árvores longe de postes de rua, e eu jamais ficaria tranquila pensando que um caminhão poderia esbarrar alí e me derrubar no chão. Não lembrava mais disso, mas agora me fez falta. Me pareceu ridículo entrar no armário toda vez que eu queria fingir estar sozinha no mundo. Quero uma árvore.
PS: Tudo isso porque eu pedi para o meu namorado me apresentar uma árvore.
PS¹: Obrigada quem disse que gostou do outro post. Acredito que ninguém tenha entendido muito bem, mas um dia eu prometo que – tento – explicar a lógica desses meus textos (que já foram muito mais numerosos em antigos blogs) ;)
PS²: Se você quiserem saber por onde ando nessas férias, é melhor se acostumarem a vizitar o blog Tempo de férias. Mas atualizarei o Twitter quando der. Provavelmente esse foi meu último post antes de ir para Rio Branco (:
PS: Tudo isso porque eu pedi para o meu namorado me apresentar uma árvore.
PS¹: Obrigada quem disse que gostou do outro post. Acredito que ninguém tenha entendido muito bem, mas um dia eu prometo que – tento – explicar a lógica desses meus textos (que já foram muito mais numerosos em antigos blogs) ;)
PS²: Se você quiserem saber por onde ando nessas férias, é melhor se acostumarem a vizitar o blog Tempo de férias. Mas atualizarei o Twitter quando der. Provavelmente esse foi meu último post antes de ir para Rio Branco (:
07/07/2008
Percebimentos
O que aconteceu foi que, quando eu tropecei naquele monte de areia, eu cai com os olhos no mar e quase nem pude perceber o que estava acontecendo na Terra.
Me senti entrando em outra atmosfera, bem diferente de tudo o que eu já tinha visto antes. Nada de peixes, nada de sereias. Pessoas, normais como eu e você, nadando em águas que mudavam de cor. Elas cantavam música que davam sono, para que se pudesse dormir. Entendi, bem mais tarde, que isso era realmente necessário. Acordado, você não consegue entender como um lugar desse pode existir, acordado você tenta achar explicações para o que está vendo. Dormindo, não. Dormindo você pensa que é sonho e pouco se importa se faz sentido ou não. Você apenas sente, absorve o que lhe é dado, sem tentar entender.
Dormindo eu vi pessoas nadando em minha volta, cantando, fazendo gestos com a mão, cada pessoa lançava em minha direção raios de luz coloridos. Uma dessas pessoas ficou parada bem na minha frente, olhou bem nos meus olhos e soltou um raio azul que me fez sentir estar dentro de uma redoma protegida de qualquer mal. E de fato estava. Estam me preparando para poder enfrentar os problemas da Terra. Acalmavam os meus sentimentos, iluminavam meus pensamentos, tudo para quando eu saísse de lá, conseguisse caminhar sozinha.
Na Terra as pessoas brigavam. Não gritavam, nem se agrediam, mas mesmo assim brigavam. Brigas invisíveis onde se mente, se omite, se engana. Brigas que ferem tanto quanto qualquer outra. Dentro de mim já havia a repulsa por esse tipo de relação, eu ainda não sabia, mas eu nunca mas iria querer por perto pessoas que brigassem.
Foi nesse contexto que alguém olhou para o lado e me viu caida, com a cabeça dentro do mar e os pés da areia. Alguém que saiu desse círculo de brigas e achou necessário me tirar de lá. Senti que me puxavam pelos pés e acordei. Vi todas as pessoas do mar colorido sorrindo para mim, me desejando força e sorte. Tive medo à principio, mas logo confiei em quem me puxava.
Com o cabelo todo molhado, um gosto horrível de sal na boca, e meio zonza sorri. Recebi um olhar e um sorriso azul de volta. E então percebi que nunca mais estaria sozinha.
__
Bem, esse é o meu jeito de dizer pro Kleiton que todos os dias eu agradeço por ele ter me tirado da lama, me posto em baixo dos braços e cuidado de mim. Eu amo você, Kleiton ♥
Me senti entrando em outra atmosfera, bem diferente de tudo o que eu já tinha visto antes. Nada de peixes, nada de sereias. Pessoas, normais como eu e você, nadando em águas que mudavam de cor. Elas cantavam música que davam sono, para que se pudesse dormir. Entendi, bem mais tarde, que isso era realmente necessário. Acordado, você não consegue entender como um lugar desse pode existir, acordado você tenta achar explicações para o que está vendo. Dormindo, não. Dormindo você pensa que é sonho e pouco se importa se faz sentido ou não. Você apenas sente, absorve o que lhe é dado, sem tentar entender.
Dormindo eu vi pessoas nadando em minha volta, cantando, fazendo gestos com a mão, cada pessoa lançava em minha direção raios de luz coloridos. Uma dessas pessoas ficou parada bem na minha frente, olhou bem nos meus olhos e soltou um raio azul que me fez sentir estar dentro de uma redoma protegida de qualquer mal. E de fato estava. Estam me preparando para poder enfrentar os problemas da Terra. Acalmavam os meus sentimentos, iluminavam meus pensamentos, tudo para quando eu saísse de lá, conseguisse caminhar sozinha.
Na Terra as pessoas brigavam. Não gritavam, nem se agrediam, mas mesmo assim brigavam. Brigas invisíveis onde se mente, se omite, se engana. Brigas que ferem tanto quanto qualquer outra. Dentro de mim já havia a repulsa por esse tipo de relação, eu ainda não sabia, mas eu nunca mas iria querer por perto pessoas que brigassem.
Foi nesse contexto que alguém olhou para o lado e me viu caida, com a cabeça dentro do mar e os pés da areia. Alguém que saiu desse círculo de brigas e achou necessário me tirar de lá. Senti que me puxavam pelos pés e acordei. Vi todas as pessoas do mar colorido sorrindo para mim, me desejando força e sorte. Tive medo à principio, mas logo confiei em quem me puxava.
Com o cabelo todo molhado, um gosto horrível de sal na boca, e meio zonza sorri. Recebi um olhar e um sorriso azul de volta. E então percebi que nunca mais estaria sozinha.
__
Bem, esse é o meu jeito de dizer pro Kleiton que todos os dias eu agradeço por ele ter me tirado da lama, me posto em baixo dos braços e cuidado de mim. Eu amo você, Kleiton ♥
02/07/2008
Outras prioridades
Para tirar aquele post que eu prefiro esquecer, venho contar novidades que tardaram, mas vieram. Hoje fui fazer o exame prático para tirar carta, e, resumindo, passei. Porém, como não posso deixar um post constando apenas isso, contarei como foi (:
Entrei no carro com mais duas pessoas e o examinador, fui a segunda a andar. Pra começar, o cara que tinha ido antes de mim deixou o freio de mão muito erguido e eu não conseguia abaixá-lo. Eu olhei pro examinador e disse “eu sou fraquinha”. Logo de cara eu pensei que ele fosse tirar 1000 pontos, mas ele disse “é, ele deixou muito pra cima mesmo, eu abaixo um pouco pra você” *-* Outro problema: o carro tinha sido estacionado numa subida, logo, a minha primeira avaliação seria a prova de morro :| *HAHA* Saí muito feio, mas saí. Nessa, perdi 1 ponto. Estacionei uma vez, lindamente, saí lindamente, mas quando fui estacionar pra descer do carro, eu raspei a roda na calçada. Isso é uma falta grave e ela vale 3 pontos. Logo, eu estaria elimidada. Mas, Papai do Céu fez o cara me tirar só 2 pontos :D Para a baliza eu estava tranquila, apesar da pressão de não poder errar nada se não já era. E eu fiz tudo direitinho, entrei, manobrei, dei seta, saí. Perfeito. E, com isso, anotaram aprovada na minha fichinha! Daqui a uma semana chega a minha carta! *-* Que alegria!
Momento propaganda, porque propaganda é muito legal :D Última semana para se inscreverem no Lemonad and Love Award. Se quiser participar, não se acanhe e nem perca tempo :D Blog novo: Tempo de férias é um blog onde eu, a Mireille, minha cunhada, e o Kleiton, meu namorado, vamos contar sobre nossas férias. Nessas estaremos todos no Acre, nas próximas, não sei. Acompanhem (Y)
Entrei no carro com mais duas pessoas e o examinador, fui a segunda a andar. Pra começar, o cara que tinha ido antes de mim deixou o freio de mão muito erguido e eu não conseguia abaixá-lo. Eu olhei pro examinador e disse “eu sou fraquinha”. Logo de cara eu pensei que ele fosse tirar 1000 pontos, mas ele disse “é, ele deixou muito pra cima mesmo, eu abaixo um pouco pra você” *-* Outro problema: o carro tinha sido estacionado numa subida, logo, a minha primeira avaliação seria a prova de morro :| *HAHA* Saí muito feio, mas saí. Nessa, perdi 1 ponto. Estacionei uma vez, lindamente, saí lindamente, mas quando fui estacionar pra descer do carro, eu raspei a roda na calçada. Isso é uma falta grave e ela vale 3 pontos. Logo, eu estaria elimidada. Mas, Papai do Céu fez o cara me tirar só 2 pontos :D Para a baliza eu estava tranquila, apesar da pressão de não poder errar nada se não já era. E eu fiz tudo direitinho, entrei, manobrei, dei seta, saí. Perfeito. E, com isso, anotaram aprovada na minha fichinha! Daqui a uma semana chega a minha carta! *-* Que alegria!
Momento propaganda, porque propaganda é muito legal :D Última semana para se inscreverem no Lemonad and Love Award. Se quiser participar, não se acanhe e nem perca tempo :D Blog novo: Tempo de férias é um blog onde eu, a Mireille, minha cunhada, e o Kleiton, meu namorado, vamos contar sobre nossas férias. Nessas estaremos todos no Acre, nas próximas, não sei. Acompanhem (Y)
01/07/2008
Oh, triste senhora! Disfarça e chora.
Tanta espera para uma festa. Tanta espectiva, planos... para eles serem quebrados por uma verdade que há muito tempo eu custava enxergar. Nem saudade, nem antigas lembranças na cabeça, nada, só um abismo gigantesco entre o que eu me tornei e o que eles continuaram sendo.
Meu problema foi não confiar. Sempre exigi que acreditassem em mim, me esforçava para que pudessem confiar, fazia as pessoas se sentirem seguras perto de mim, mesmo que eu nunca tivesse efetivamente feito alguma coisa ou demonstrasse isso. Tavlez elas sentissem. O contrário poucas vezes aconteceu. As pessoas diziam “conta comigo”, e toda vez, para mim, era da boca para fora, mesmo que eu sentisse que podia confiar, eu não confiava, por segurança.
Foi no segundo colegial que me disseram “A gente já se conhece há um ano e não sabemos nada sobre você, a gente sempre conta tudo e você nunca conta nada”. Me senti mal. Aquelas pessoas que eram adoráveis comigo estavam incomodadas, e eu passei a me abrir. Mas foram coisas banais, nunca contei alguma coisa que importasse; segredos, confições, desabafos... foram só coisas que perceberiam/descobriram com a convivência.
Percebi o quão falsa eu estava sendo com os outro e comigo. Estava fazendo-os achar que confiava neles, e fingindo estar bem tendo que contar coisas sobre mim. Eu nunca acreditei que realmente se interessavam por mim. Para mim, o que eles queriam era alguma demonstração de confiança para poder chamar nossa relação de amizade, não que eles, necessariamente, se importassem. Também porque nunca me perguntavam coisas realmente úteis.
Se importar com quantas vezes eu saio por semana, quantas pessoas diferentes eu beijo ou quais as besteiras que eu falei bêbada não é válido. Queria que me perguntassem como eu estou me sentindo. Queria que me perguntasse como foi descobrir, com 9 anos, que meu irmão era autista, como era ver ele tendo convulsão e vomitando, como era ver meus pais chorando, e como era dormir em casa e acordar na minha vó, sem meus pais. Queria que me abraçassem quando um cara que eu gostei muito mudou de país. Que tivessem percebido quando eu pseudo-tive depressão. Queria mãos quando eu brigava com os meus pais. Votos de felicidade para o meu namoro...
Não queria amizades carnais. Queria conversar por pensamento, falar coisas abstratas para explicar todos os fatos da vida. Preferiria mil vezes sentar num balanço em uma praça e falar sobre a infância, a velhice, os amores, as metas. Nada concreto, tudo incerto. Queria encontros para dar um abraço, dizer o quanto isso me é importante e ir embora, só. Deitar na rua e olhar o céu, inventar histórias para cada estrela, segurar a mão e me sentir não apenas instantaneamente feliz. Sentir saudades, lembrar da voz. Talvez sem histórias para se lembrar no futuro, ou momentos engraçados a compartilhar, mas um livre sensação de real entrega, não só de confiança.
Não confiar me desgastou. Desgastou a ponto de não tolerar/suportar as diferenças que temos. A ponto de me fazer olhá-los e sentir vergonha de ter sido igual. Nunca foi tão triste perceber que não temos mais nada em comum. E foi muito mais triste perceber que eu não tenho mais vontade nenhuma de insistir nisso. Eu já sabia, mas não queria ter as provas. Uma das “revelações” mais tristes que eu tive, e, com certeza, eu ainda vou ter que chorar muito para aceitar.
Meu problema foi não confiar. Sempre exigi que acreditassem em mim, me esforçava para que pudessem confiar, fazia as pessoas se sentirem seguras perto de mim, mesmo que eu nunca tivesse efetivamente feito alguma coisa ou demonstrasse isso. Tavlez elas sentissem. O contrário poucas vezes aconteceu. As pessoas diziam “conta comigo”, e toda vez, para mim, era da boca para fora, mesmo que eu sentisse que podia confiar, eu não confiava, por segurança.
Foi no segundo colegial que me disseram “A gente já se conhece há um ano e não sabemos nada sobre você, a gente sempre conta tudo e você nunca conta nada”. Me senti mal. Aquelas pessoas que eram adoráveis comigo estavam incomodadas, e eu passei a me abrir. Mas foram coisas banais, nunca contei alguma coisa que importasse; segredos, confições, desabafos... foram só coisas que perceberiam/descobriram com a convivência.
Percebi o quão falsa eu estava sendo com os outro e comigo. Estava fazendo-os achar que confiava neles, e fingindo estar bem tendo que contar coisas sobre mim. Eu nunca acreditei que realmente se interessavam por mim. Para mim, o que eles queriam era alguma demonstração de confiança para poder chamar nossa relação de amizade, não que eles, necessariamente, se importassem. Também porque nunca me perguntavam coisas realmente úteis.
Se importar com quantas vezes eu saio por semana, quantas pessoas diferentes eu beijo ou quais as besteiras que eu falei bêbada não é válido. Queria que me perguntassem como eu estou me sentindo. Queria que me perguntasse como foi descobrir, com 9 anos, que meu irmão era autista, como era ver ele tendo convulsão e vomitando, como era ver meus pais chorando, e como era dormir em casa e acordar na minha vó, sem meus pais. Queria que me abraçassem quando um cara que eu gostei muito mudou de país. Que tivessem percebido quando eu pseudo-tive depressão. Queria mãos quando eu brigava com os meus pais. Votos de felicidade para o meu namoro...
Não queria amizades carnais. Queria conversar por pensamento, falar coisas abstratas para explicar todos os fatos da vida. Preferiria mil vezes sentar num balanço em uma praça e falar sobre a infância, a velhice, os amores, as metas. Nada concreto, tudo incerto. Queria encontros para dar um abraço, dizer o quanto isso me é importante e ir embora, só. Deitar na rua e olhar o céu, inventar histórias para cada estrela, segurar a mão e me sentir não apenas instantaneamente feliz. Sentir saudades, lembrar da voz. Talvez sem histórias para se lembrar no futuro, ou momentos engraçados a compartilhar, mas um livre sensação de real entrega, não só de confiança.
Não confiar me desgastou. Desgastou a ponto de não tolerar/suportar as diferenças que temos. A ponto de me fazer olhá-los e sentir vergonha de ter sido igual. Nunca foi tão triste perceber que não temos mais nada em comum. E foi muito mais triste perceber que eu não tenho mais vontade nenhuma de insistir nisso. Eu já sabia, mas não queria ter as provas. Uma das “revelações” mais tristes que eu tive, e, com certeza, eu ainda vou ter que chorar muito para aceitar.
Assinar:
Postagens (Atom)
