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13/07/2014

Origem das raízes

Nem sempre os pés foram fixos no chão,
Houve um tempo em que corria carregada pelo vento.

O vento amigo que deixava tudo mais fresco e leve
tinha também a esperteza de ensinar a relevar.

E assim relevava o tempo,
as condições,
os motivos,
e tudo era dança, turo era festa.

Quando cessava a ventania corrida ficava um vazio
vazio que só era preenchido com a esperançosa sensação de que o vento iria voltar.
E ele sempre voltava!

Até que um dia,
sem aviso,
sem renúncia,
sem carta de despedida,
nunca mais voltou.

Aquele antigo vazio nem se comparava com essa dor!

Não bastava outras brisas,
outras danças,
nada daquilo consolava.

E foi ficando estática,
cada vez mais estática,
até se esquecer que poderia se mexer.
Até que nunca mais se mexeu.

Um dia, virou os olhos
e percebeu que em seu pé cresciam raízes.
Tentou escapar,

mas já era tarde demais.

Ela estava para sempre
com os pés fixos no chão"



(O bom de fuçar em papéis jogados por aí é que a gente sempre encontra aquele escrito impensado, que nasceu da vontade de gritar para o mundo aquele sentimento inominável. Na época fazia sentido, hoje, me soa deveras exagerado). 

05/08/2013

Me faz bem

Eu gosto de alimentar minha raiva
até o ponto em que eu perca o controle de mim.

28/06/2013

Externar no corpo a dor que o coração sente.

01/06/2013

Motivos

Tenho tentado que minhas ações sejam mais coerentes com os motivos encontrados para te deixar. Mas deve haver um contra-motivo esquecido, que não foi analisado. Um contra-motivo que, se esta tão escondido, deve ser perigoso. Então deve ser bom. Daqueles que acalma, que conforta, que justifica. Daqueles que não dá pra deixar pra lá. Te prendo a mim até descobrir se esse contra-motivo vale a pena, mesmo que o mundo diga que não. Enquanto isso, vou seguindo incoerente....

31/05/2013

Sai!

Sai da minha cabeça e me deixa dormir sozinha.
Com tantos sonhos para sonhar não tem porque ficar pensando em você.

23/05/2013

Escolhi o lado errado do que eu queria ser

Tem vezes que aquilo que você faz para sobreviver engole qualquer vestígio daquilo que você faz para ser feliz.

15/05/2013

Uma estrela

De repente me lembrei porque eu gosto tanto das estrelas.

10/05/2013

Um erro

E o costume desgastado de esperar demais das pessoas me lembrando o porquê de nunca confiar nelas.

09/05/2013

Sonho

Sonhei que era invencível.
Acordei derrotada.

08/05/2013

Amanhã de manhã

Me fiz de humana e mostrei os meus mais escondidos defeitos na esperança disfarçada de você não se aproximar, desejando com outros sentimentos ainda mais escondidos a vontade e a necessidade de te ter por perto.

31/12/2012

Praia

houve um tempo em que era possível caminhar sozinha, tranquilamente, pela noite, e até mesmo caminhar pela praia. naquele tempo, com a desculpa de que iria ver se eu encontrava algum conhecido, eu saia de casa logo que o sol se punha e ia caminhando até a praia. lá eu sentava na areia e ficava me revesando entre olhar o céu e olhar o mar. a praia a noite sempre me encantou. nessa época eu pensava muito sobre a vida, sobre minhas escolhas, sobre as minhas frustrações e perdas. também planejava quais seriam os próximos passos e que atitudes eram urgentes. eu pensava tão profundamente que muitas vezes eu chorava pelo simples fato de me encarar, me reconhecer, me enfrentar e me aceitar. ao mesmo tempo em que é doído, é bom, é necessário. depois de alguns anos já não era possível sair de casa a noite sem estar acompanhada. e qualquer companhia, por mais bem intencionada que fosse, não permitia que meu encontro acontecesse. e esses encarar-me, com o tempo, com a falta de espaços propícios, com a correria do dia a dia, deixaram de existir.

não tem como os finais de ano não me lembrarem daqueles tempos. me sinto na obrigação de retomar tudo o que foi feito, o que foi aprendido no ano corrente, para poder melhorar o ano seguinte. mas não o faço. me acomodei a ausência da praia, da brisa do mar, do céu estrelado. mudo de ano apenas como quem toma um banho e diz "ai, que alivio", mas no fundo, vou continuar as mesmas práticas que me suam, me sujam e me cansam.

tem me custado essa falta de tempo para mim. mau humor fora de hora, sono desregulado é o que fica mais explicito, mas o descontentamento com o que ha de vir tem estado cada vez mais crescente. e a vontade de parar no tempo pra resolver todas as questões que me tiram o sono me fazem querer estar, agora, em uma praia, sozinha, sentada na areia, com a minha lista mental de assuntos para serem refletidos e ponderados, e só levantar quando tiver a certeza de que eu achei todos os caminhos que eu devo percorrer no próximo ano. sem isso, sigo com a maré, torcendo para que ela me leve para um bom lugar, agradecendo quando isso acontece, resmungando quando não, porém, de forma passiva, aceitando tudo o que me vem, sem ir além, sem voltar pra trás.

queria um tempo sozinha, começar o ano sozinha.

04/10/2012

Mil que fazeres


Interessante é que essa música se chama Insônia, o que super se encaixa com a minha condição atual, e a letra passa a mesma mensagem de tudo o que eu quero falar. Tem bandas que existem exatamente pra traduzir a minha vida ♥

A vida é dura. Mas não, não vou reclamar da vida, porque a minha vida, sendo dura ou não, não é sofrida. Mas vou aproveitar que eu não consigo dormir e vir aqui escrever, aleatoriamente, sobre coisas que talvez estejam tirando o meu sono.

Eu mudei desde que eu descobri que tenho vitiligo. Pode ser que ninguém tenha reparado, mas eu sei que eu, sozinha comigo, dentro de mim, estou mudada. Eu sempre pensei que eu tivesse um bom auto-controle, sempre achei que eu me conhecesse bem o suficiente para entender quando eu estava triste, quando eu precisava de um tempo, quando eu precisava me cuidar. Mas o ano passado, ao mesmo tempo em que eu só fazia coisas minhas, meus estudos, meu trabalho, o meu foco não era eu. Quanto mais eu estudava, mais eu sentia que eu poderia mudar o mundo, quanto mais eu trabalhava, mais eu via que essa mudança era possível. Quanto mais eu estudava, mais eu me irritava com a superficialidade das pessoas, quanto mais eu trabalhava, mais eu percebia que eu tinha que estudar e trabalhar mais.

O ano passado foi difícil. Último ano da faculdade, mil desejos, mil preocupações, mil e um motivos para ficar infeliz com o mundo, e mil e quarenta motivos pra me preocupar mais com o mundo, não tanto comigo.

Eu mudei desde que eu descobri que tenho vitiligo. Eu sempre pensei que eu tivesse um bom auto-controle. Foi daí que eu percebi que, além de tudo, eu ia ter que cuidar de mim. Foi aí que eu comecei a dar atenção pras coisas que me deixavam chateadas, e percebi a quantidade de coisas que me chateavam e que eu ignorava. Foi ai que eu percebi que eu não era tão sensacional assim, que não bastava ser inteligente, e ter preocupação social, era preciso estar em paz. Foi aí que eu percebi que eu não tinha paz.

Descobrir essa falta de paz me tornou uma pessoa neurótica, desequilibrada, impaciente, ciumenta, insegura. Extremamente insegura.

Ter passado no mestrado me ajudou. Ajudou no sentido de perceber que vale a pena estar contra a maré. Que é necessário lutar por uma educação de qualidade para todos. Que lutar por isso é o certo, errado estão os outros. Um consolo.

Mas não é fácil. Não é fácil porque as pessoas que agora trabalham comigo não pensam assim. Eles não se importam com os alunos, não se importam com o processo. Isso me faz chorar. Eu choro porque isso é tão inadmissível...! A Música ainda é uma área de conhecimento pouco valorizada e mal interpretada: o que importa é o resultado, o produto. Os sujeitos, o processo, meros coadjuvantes. Se essa concepção vem de gestores educacionais, ou instituições patrocinadoras, eu até perdoo a ignorância, mas se vem de educadores musicais - e se estes trabalham comigo - eu quero me trancar em casa, e só sair quando o mundo tiver mudado!

Eu tenho estudado tanto, e cada vez é mais óbvio que a educação precisa mudar (se é que precisa estudar pra perceber uma coisa dessas). Por que eles não querem perceber isso? Por que eles não querem estudar? Por que eles querem reproduzir um ensino conservador dentro de uma escola com situações tão precárias?

Juro que não sei o que fazer. Juro que não sei como fazer alguém despertar para a necessidade de mudança. Eu achava que a prática naquela escola mudaria suas ideias, mas não mudou. Eu achava que oportunizar estudos mudaria suas ideias, eles se negam. Juro que não sei mais o que fazer.

E enquanto eu perco o sono triste pela minha incapacidade, pela minha impotência, minha cor vai se apagando, meu corpo vai me lembrando que o compromisso não é só meu, e que eu preciso de paz, de equilíbrio...

Mas como não se comprometer por completo?

26/05/2012

IEI! O blog está voltando!

Oi pessoal! Estou semi-de volta! :] As coisas por aqui estão voltando ao esperado, então eu consegui uma folga para postar aqui rapidinho!

Como eu disse no post anterior, muitas coisas estão mudando. Se eu era uma pessoa antissocial, que negava tudo o que era padrão, e abominava ideias vazias; agora eu sou tudo isso e com referencial teórico! ;] Se antes eu me dedicava aos estudos da faculdade porque eu acreditava que isso poderia me ajudar num futuro próximo, agora eu estudo ainda mais porque eu acredito que posso ajudar muitas outras pessoas ;]

Diante disso, a primeira grande mudança que já está confirmada, é que o blog Subversão Ideológica deixará de ser um apêndice e vai voltar a ser parte integrante do blog. Eu separei ele porque eu não queria atormentar os leitores com as minhas crises sobre o mundo, mas agora decidi que é importante cutucar um pouquinho :] Faz bem pensar, gentem! Hê. Não vou deletar ele, ele vai ficar lá, com os arquivos, também porque, vai que eu mudo de ideia mais pra frente .-.

A segunda grande novidade é que eu vou tentar falar mais das coisas que eu gosto. A minha vida realmente me interessa, e eu acho terapêutico reler os arquivos do blog; quem segue o blog pode se interessar também, mas sinto que falta um pouco mais daquilo que eu sou. Por exemplo, eu tenho muuuitos filmes, amo assistir filmes, e praticamente nunca falei sobre filmes aqui. Acho estranho. Por isso também vou continuar com o “Escuta de novo”, dando indicações de músicas legais fora do circuito da indústria cultural de massa (redundância, eu sei). Pretendo falar um pouco sobre a minha experiência de ter saído da casa dos meus pais para estudar, morar em repúblicas (mesmo que eu nunca as tenha considerado repúblicas), e agora, morar solamente e como eu desenvolvi manias de organização e fobia por sujeita, rs :]

Não vou deixar de falar do mestrado, ainda mais porque me pediram para falar mais sobre isso; do meu trabalho que é lindo, e vai salvar o mundo \o/; das minhas crises existenciais, porque afinal eu tenho muitas e preciso escrever pra organizar as minhas ideias... Enfim, quero que o blog transpareça as mudanças que estão acontecendo na minha vida - quem é blogueira ha muito tempo sabe como o blog acompanha a vida :] - mantendo algumas coisas, adicionando outras. Adicionar e multiplicar, sempre!

Bom, queria dizer também que senti muita falta de postar, de ler o blog de vocês, de comentar, receber comentários... Aos poucos vou voltando, se não eu atropelo tudo. Não me abandonem ainda! Aguentem mais um pouco! :D

Dois beijos!


PS: Tem uma enquete na página do blog no faacebook. Passem lá pra responder e aproveitem pra curtir a página também :]

05/10/2011

Terra e Marte


A armadura é para defender dos incômodos, ela sempre diz, e, ainda que sorrindo um sorriso meigo, quer convencê-lo de que é durona. Sou de Áries, completa. Nunca ninguém deu bola, e ela continuava na defensiva, mas ele diz: nossos signos combinam. Quando eu morrer vou virar uma estrela, diz ela tentando se fazer de louca para espantar. Deixa de besteira, ele ri. Sentados de frente para o outro, ele gasta todos os seus elogios, enquanto ela olha em seus olhos e tenta descobrir a cor. Você é tão especial, por que não deixa ninguém se aproximar? A armadura é para defender dos incômodos, replica e então levanta, dá um beijo em seu rosto e sai. Ele fica, inconformado. Ela volta e diz que os chifres do carneiro que a defende também machuca os outros sem querer.  Ele aceita, dobra uma folha de papel e entrega. Ela abre e vê um coração desenhado, acha infantil, mas entende. Dobra a folha novamente, joga no chão, pisa, depois pega e devolve para ele. Se o coração for forte, ele agüenta, diz. Ele pega uma caneta e desenha um coração na camiseta dela. Se o coração for de verdade, ele bate. Encostou o ouvido em seu peito. Tum. Todos ouvem. Se olham. Você é forte, ela diz. Você é humana, ele diz. Ela deixa a armadura de lado e segura sua mão. Me protege? Ele faz que sim, e ela se apaixona.

12/12/2010

Carta ao Coronel

Fiquei sabendo que ninguém escreve ao coronel, e já que vivo para contar, resolvi escrever:

Querido Coronel,

Encontrei o relado de um náufrago, que contava a incrível e triste história de Cândida Eréndira e sua avó desalmada. O verão feliz da senhora Forbes foi duramente interrompido pelo veneno da madrugada: folhetins contavam crônicas de uma morte anunciada. De tão triste e emocionante a história, fui investigar, e descobri que os funerais da mamãe grande se transformaram em doze contos peregrinos. Mandarei para você qualquer dia.

Na sesta de sexta feira, na última viagem do navio fantasma, o general em seu labirinto encontrou um senhor muito velho com umas asas enormes e olhos de cão azul; que recitava sobre o amor nos tempos do cólera. Entre outros textos do caribe, descrevia o cheiro de goiaba, e falava sobre o amor e outros demônios. Creio ser esse o homem suspeito das notícias de um seqüestro. Irei investigar.

Fiquei sabendo que você escreveu uma memória dos prazeres, intitulado "a memória de suas putas tristes". Gostaria de lê-la, se você não se importar, ficará só entre amigos.

Sem mais, aproveito a revoada dos pássaros e me vou.
Desejo-lhe que se livre do peso desses cem anos de solidão.

Com carinho,
Hans.


10/06/2010

Quem havia de dizer


Sei que vai haver o dia em que estaremos caminhando a luz de nossas rotinas e, sem querer, em um mesmo caminho inquestionável, a gente vai se cruzar. E então eu vou imaginar uma grande cena de cinema, onde o foco está apenas no encontro, acompanhado de uma belíssima música que passa a tocar, como forma de tornar o momento ainda mais intenso, selando o desejo que o coração tem de reviver. Alguém, disfarçando, irá falar 'quem havia de dizer que nos encontraríamos'. E sairíamos para outro lugar, com o pretexto de conversar com mais calma, e assim descobriríamos que os 'para sempre' do passado não correspondem mais, e assim suspiraríamos 'quem havia de dizer', enquanto nos distraíamos com o movimento dos carros, como forma de encobrir a nossa falta de assunto. E então, depois de termos repetido todas as palavras, por vezes, esdrúxulas¹, e não pudermos mais disfarçar o tédio entre os cigarros, e, entediadas as nossas mãos se encontrarem, sem destino, sua mão sobre a minha solidão, e toda aquela dor se transformar em silêncio, nós viraremos as costas. Levantaremos desnorteados, sem qualquer palavra, sem nenhuma canção ou poesia, como pessoas sem qualquer ligação fariam. 'A gente se vê qualquer dia'. Nos abraçaríamos o abraço eterno, e com a dor de estar deixando um grande amor, nos afastaríamos, sem sequer nos lamentar.



PS: Livre interpretação de 'Quem havia de dizer' (acredito que seja do Oswaldo Montenegro) PS: Essa música me lembra amores que se vão, porque eu sempre imagino como é reencontrar alguém que não se deixou de amar. PS: Ouçam a música, por favor, ela é lindíssima!

¹  "Todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos, são naturalmente ridículas" (Álvaro de Campos).

02/06/2010

Previsão do tempo

A previsão para hoje era sol e frio, mas o frio se manifestou com tanta autoridade que o sol demorou muito para conseguir dar as caras, e quando o fez, foi sutilmente posto de canto por uma chuvinha besta que resolveu aparecer. Naquela manhã, a tranqüilidade da água que corria seu curso, e meia dúzia de conversas agradáveis, distraia a atenção daqueles que tentavam disfarçar o porquê de estarem ali. E de tanta força para não pensar, pensou-se, e de tanta vontade de não fazer, fez-se. E se fez belíssima e triste, como a última nota de uma música que nos faz chorar. Na ânsia do fim, se afasta, segura as mãos, e ouve o coração que diz "fica", mas a boca traduz: "vá". Se vão, cada um com o coração do outro. Param: último suspiro, último olhar, último adeus. Último...

PS: A flor amarela, sabe? Selou aquilo que eu não vou esquecer.
PS: Nada como arrumar o armário para ter a sensação de organizar os sentimentos.

24/05/2010

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As noites são escuras,
os dias São Carlos ;)

21/05/2010

Tem vindo muito na minha cabeça essa frase que eu aprendi. Eu jamais imaginaria a minha vida sendo regrada por ela, mas nos últimos dias tudo o que eu mais queria era seguir isso, com todas as minhas forças.

Não existem coisas certas ou erradas, existem coisas chatas ou divertidas.

06/05/2010

A arte de varrer tudo para debaixo do tapete.