Interessante é que essa música se chama Insônia, o que super se encaixa com a minha condição atual, e a letra passa a mesma mensagem de tudo o que eu quero falar. Tem bandas que existem exatamente pra traduzir a minha vida ♥
A vida é dura. Mas não, não vou reclamar da vida, porque a minha vida, sendo dura ou não, não é sofrida. Mas vou aproveitar que eu não consigo dormir e vir aqui escrever, aleatoriamente, sobre coisas que talvez estejam tirando o meu sono.
Eu mudei desde que eu descobri que tenho vitiligo. Pode ser que ninguém tenha reparado, mas eu sei que eu, sozinha comigo, dentro de mim, estou mudada. Eu sempre pensei que eu tivesse um bom auto-controle, sempre achei que eu me conhecesse bem o suficiente para entender quando eu estava triste, quando eu precisava de um tempo, quando eu precisava me cuidar. Mas o ano passado, ao mesmo tempo em que eu só fazia coisas minhas, meus estudos, meu trabalho, o meu foco não era eu. Quanto mais eu estudava, mais eu sentia que eu poderia mudar o mundo, quanto mais eu trabalhava, mais eu via que essa mudança era possível. Quanto mais eu estudava, mais eu me irritava com a superficialidade das pessoas, quanto mais eu trabalhava, mais eu percebia que eu tinha que estudar e trabalhar mais.
O ano passado foi difícil. Último ano da faculdade, mil desejos, mil preocupações, mil e um motivos para ficar infeliz com o mundo, e mil e quarenta motivos pra me preocupar mais com o mundo, não tanto comigo.
Eu mudei desde que eu descobri que tenho vitiligo. Eu sempre pensei que eu tivesse um bom auto-controle. Foi daí que eu percebi que, além de tudo, eu ia ter que cuidar de mim. Foi aí que eu comecei a dar atenção pras coisas que me deixavam chateadas, e percebi a quantidade de coisas que me chateavam e que eu ignorava. Foi ai que eu percebi que eu não era tão sensacional assim, que não bastava ser inteligente, e ter preocupação social, era preciso estar em paz. Foi aí que eu percebi que eu não tinha paz.
Descobrir essa falta de paz me tornou uma pessoa neurótica, desequilibrada, impaciente, ciumenta, insegura. Extremamente insegura.
Ter passado no mestrado me ajudou. Ajudou no sentido de perceber que vale a pena estar contra a maré. Que é necessário lutar por uma educação de qualidade para todos. Que lutar por isso é o certo, errado estão os outros. Um consolo.
Mas não é fácil. Não é fácil porque as pessoas que agora trabalham comigo não pensam assim. Eles não se importam com os alunos, não se importam com o processo. Isso me faz chorar. Eu choro porque isso é tão inadmissível...! A Música ainda é uma área de conhecimento pouco valorizada e mal interpretada: o que importa é o resultado, o produto. Os sujeitos, o processo, meros coadjuvantes. Se essa concepção vem de gestores educacionais, ou instituições patrocinadoras, eu até perdoo a ignorância, mas se vem de educadores musicais - e se estes trabalham comigo - eu quero me trancar em casa, e só sair quando o mundo tiver mudado!
Eu tenho estudado tanto, e cada vez é mais óbvio que a educação precisa mudar (se é que precisa estudar pra perceber uma coisa dessas). Por que eles não querem perceber isso? Por que eles não querem estudar? Por que eles querem reproduzir um ensino conservador dentro de uma escola com situações tão precárias?
Juro que não sei o que fazer. Juro que não sei como fazer alguém despertar para a necessidade de mudança. Eu achava que a prática naquela escola mudaria suas ideias, mas não mudou. Eu achava que oportunizar estudos mudaria suas ideias, eles se negam. Juro que não sei mais o que fazer.
E enquanto eu perco o sono triste pela minha incapacidade, pela minha impotência, minha cor vai se apagando, meu corpo vai me lembrando que o compromisso não é só meu, e que eu preciso de paz, de equilíbrio...
Mas como não se comprometer por completo?

Essa é a questão....se entrega, e não tenha medo de ser grosseira. É como eu te disse, um educador deve aproveitar as oportunidades quando elas aparecem....e na boua, nem sempre a gente precisa dar um sorriso pra isso.
ResponderExcluirForça ai meu amor, se te consola todos tem seus problemas (respectivos ´`a classe que ocupam na sociedade, claro) é uma crise geral...
Uma boua alternativa é o trabalho coletivo, junto de pessoas que pensam igual à você...isso me da um tempo para respirar, energia pra seguir quando a pilha ta acabando!
tudebão pra nóis, te amo.
Querer abraçar o mundo com os nossos braços pode nos machucar. É difícil ver tanta coisa errada e não poder mudar tudo de uma vez, mas é a vida. Você consegue perceber e se irritar com os erros; você tenta fazer a sua parte, isso é o importante.
ResponderExcluirOlha, tente se cobrar menos e cuidar mais de você. Respire fundo, dê um sorriso... As coisas vão (sempre) se ajeitando.
Beijinho
Tenho perdido minha paz aos poucos. Estou pra terminar a escola e quem sabe ingressar numa faculdade (licenciatura em Musica) ano quem vem.
ResponderExcluirE tem tantas outras coisas que tiram minha paz.
Tenho pavor de não manter tudo sobre controle. Chega uma hora que essa autoridade se vai.