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11/04/2014

Depois de Lucía

     De tempos em tempos eu decido que preciso ver um filme pra chorar. É que eu não costumo chorar muito, mesmo quando alguma coisa me deixa bastante chateada, então chega um momento em que eu fico com várias coisas guardadas precisando ser "choradas", e a melhor saída que eu me dou é assistir um filme triste que me faça começar a chorar - difícil é conseguir parar, rs.

Então fui procurar na minha lista de quero ver no Filmow algum drama e encontrei Depois de Lucia. A sinopse que está lá no site é:

Desde a morte de sua esposa, Roberto não consegue dedicar muito tempo à sua filha Alejandra, uma jovem de 15 anos. Para escapar da depressão que passa a dominar a rotina dos dois, pai e filha deixam a cidade de Vallarda em busca de uma nova vida na Cidade do México. Envergonhada e incapaz de explicar para o pai as razões, Alejandra omitirá as humilhações e abusos emocionais e físicos sofridos em seu novo colégio. Os dois vão se distanciando cada vez mais, à medida que a violência toma conta de suas vidas.

Confesso que o que me chamou a atenção foi a capa, e eu praticamente não tinha prestado atenção na sinopse. Mais acontece que esse filme é muito mais do que um retrato de bullying, como muitas pessoas descreveram nos comentários do Filmow. Na minha opinião, pra ser bem sincera, o bullying já é uma violência, mas nesse filme a violência é em níveis tão exagerados, que chamar isso de bullying é a mesma coisa que dizer que isso é uma brincadeira de adolescentes sem importância!

Não, não, não!

O filme é tão tenso, tão agoniantes, que deveria ser catalogado como "terror" ao invés de "drama". No final do filme, eu sentia tanta dor, tanta tristeza, tanta raiva, tanto ódio, que eu nem consegui chorar!!

Bom, mas deixa eu contar sobre o filme (contém alguns detalhes sobre o filme):

Lucía era a mãe de Alejandra, que faleceu em um acidente. Depois da sua morte, a Ale e seu pai custam em retomar suas vidas. Embora eles tentem, a relação deles não é muito próxima, e os dois não conseguem superar a perda. Eles acabam se mudando de cidade, e Ale conhece algumas meninas na nova escola. Elas ficam amigas e logo Ale já faz parte do grupinho dessas meninas, sendo até convidada para ir a uma festa. Nesta festa, ela acaba flertando com um dos garotos do grupo, e no final da festa eles transam. No dia seguinte, quase toda a escola já estava sabendo disso pois eles haviam gravado o sexo no celular do menino, e um amigo dele espalhou pra todo mundo. Acontece que uma das meninas que Ale tinha ficado amiga gostava desse menino, e ela ficou revoltada. Ale teria superado tudo isso, pois o menino pediu desculpas e se mostrou realmente preocupado com isso, mas essa menina fez da vida da Ale um inferno.



Eu não vou detalhar, porque eu acho que histórias como essas a gente já está quase se cansando de ouvir: casal grava vídeo durante o sexo, rapaz compartilha o vídeo, garota é tachada de vadia e o mundo todo se acha no direito de julga-la e humilha-la, enquanto não se fala nada do rapaz.

Acontece que o filme não pára aí. Não para, sabe porque? Sabe aqueles comentários que as pessoas deixam nas páginas de noticias? Aqueles comentários que a gente NUNCA deve ler pra não perder a fé na humanidade? Pois é, por trás dos comentários anônimos pela internet há pessoas reais de carne e osso, e são essas pessoas que, no filme, vão se achar no direito de fazer o que quiserem com a Alejandra.

Ale é humilhada em todos os sentidos: fisicamente, esteticamente, emocionalmente, sexualmente...! 

Ao mesmo tempo, seu pai vai se afundando em uma tristeza por conta da morte de Lucía. Ele não consegue se dar bem no emprego, e nem superar a tristeza. Vendo seu pai triste, Ale não quer preocupá-lo e acaba não contanto nada, nem do vídeo, nem das outras violências (sim, violênciaS!). E com o tempo, além da tristeza pela morte da mãe, pela tristeza do pai, Ale parece que se anestesia, e ela não consegue mais reagir. Ela não tem motivos, ela não tem forças, ela não tem apoio, não tem auto-estima. Parece até que não sente dor por tudo o que acontece, porque ela não expressa nenhum sentimento.

Mas a gente percebe. Quem assiste o filme sente como ela se sente. A gente sente a sua dor, e a gente fica com ódio por ela não reagir, por não contar pra ninguém. Mas a gente sabe como ela está fragilizada, e a gente só quer dar um abraço nela. A gente sente ódio por não poder fazer nada. A gente sente ódio pelas pessoas que fizeram todas essas coisas com ela!

Ale foi vítima de uma sociedade machista. Ale foi vítima de homens e mulheres machistas. Ale foi julgada por pessoas machistas: no filme, todos acharam que poderiam usa-la; na vida real, muitos acharam impossível alguém ser tão passivo nessa situação, e que foi ela quem não colocou um limite (oi?!)

Esse filme, na minha opinião, serve pra gente entrar no mundo da vítima de abuso sexual, entender seus medos, suas tristezas, suas dores, e não para julga-la - porque, lembram: a culpa nunca é da vítima! Ah, e pra gente aprender até onde é bullying, e onde começa a ser violência pura e cruel. Esse filme não é pra você continuar sendo como era antes, esse filme é para você se permitir ver as coisas por outro angulo!

O filme é forte, como eu disse, me deu tanta raiva que eu nem consegui chorar. Me fez ficar com ódio do mundo, com nojo das pessoas. Tentei procurar mais fotos pra colocar aqui, mas confesso que só de ver as imagens já me da uma sensação ruim...

Embora o filme seja todo tenso, todo triste, vale muito a pena assistir. Inclusive, acho que ele é um filme obrigatório para todas as pessoas no mundo! De verdade!

Sei que eu sou péssima em fazer sinopse, ainda mais sem contar detalhes cruciais que podem estragar o suspense, já que o filme mexeu muito comigo. Mas eu peço, por favor, prometam que vão assistir esse filme, e prometam que nunca vão culpar uma vítima de estupro ou qualquer outra violência sexual, e prometam que vão sempre tentar ser pessoas melhores para o mundo não ser dominado por essa aberração humana!!


08/03/2014

8 de março de 2014



Que todas as mulheres sejam valorizadas pelo seu trabalho, pelo seu esforço, seja qual for ele. Que nenhuma mulher seja julgada pela roupa que usa e os lugares que frequenta. Que todas as mulheres não se esqueçam do seu valor e da sua força. Que os homens saibam enxergar a mulher como um ser humano e não como objeto. Que nenhuma mulher seja violentada nem amedrontada. Que o machismo não acabe com a vida das mulheres.

Que sejamos fortes, que não desistamos, que nos mantenhamos unidas, que não deixemos de sorrir e de amar, e nem de lutar por um mundo onde possamos ser livres.



Seleção especial do Grão de Estrela 



Imagens: As imagens foram retiradas do facebook, we heart it, e google imagens. Não sei especificar qual foi qual, sorry :(

10/02/2014

A culpa não é da vítima e minha decepção com os universitários

     Esses dias eu vi no facebook a seguinte campanha da Frente Perspectiva do Mackenzie:


Cada universidade tem seu próprio estilo de receber os novos alunos. Aqui em São Carlos, na UFSCar, temos a tradicional cervejada dos cursos, a gincana da Atlética, o baile do bixo, e na USP, além da programação oficial do DCE e dos cursos, tem também o Miss Bixete. O Miss Bixete, inclusive, foi alvo de grandes escândalos na calourada do ano passado. Vale a pena ler algumas coisas que foram escritas sobre esse episódio. Diante de um histórico recente de machismo em São Carlos, pensei comigo: melhor compartilhar isso no grupo da UFSCar.

Realmente, eu nunca fiquei sabendo de nenhum episódio de violência sexual durante a calourada na UFSCar (durante o TUSCA, no entanto...), mas não custava nada lembrar a galera que se uma bixete (ou veterana, ou quem for) beber demais ou usar drogas isso não pode ser usado de pretexto para abusar dela mesmo que "não se tenha" uma intenção maligna com isso.

Logo que eu postei no grupo, muitas meninas curtiram, mas muitas outras pessoas já começaram a se mostrar incomodadas, dizendo coisas como "isso nunca aconteceu aqui" ou "mas e os bixos?" ou "mimimi" ou "feminista vê pelo em ovo". Já imaginando no que isso iria dar, cancelei as notificações - já que ler comentários de noticias podem dar câncer ou fazer seus olhos caírem, além de matarem a fé na humanidade.

24 horas depois eu revolvi dar uma olhada na postagem: centenas de comentários e uma discussão fervorosa. Comecei a ler, mas parei rapidinho, e só comentei no final: "esses comentários são a necessidade da campanha".

Eu, na minha inocência, na minha ignorância e até mesmo no meu pré-conceito, achei que essa campanha seria bem recebida: o choque foi grande ao perceber, tão perto de mim, a tal cultura do estupro.

Alguns comentários diziam "é só não ficar inconsciente", "onde já se viu mulher beber a esse ponto?", "enche a cara depois quer reclamar", "por que ninguém defende os homens?", "é só ficar com amigos, não no meio de desconhecidos", "depois ela não vai nem lembrar", entre outros absurdos que eu juro que eu gostaria de dar print screen, mas não tive coragem de voltar lá e procurar os comentários.

É tanto absurdo que dá nojo da humanidade!
E não é só homens que acham que esse tipo de campanha é exagero, muitas mulheres também concordaram que isso não acontece, mas se acontecer é porque a mulher deixou/mereceu.
Sério, pra mim essa é a prova de que tá tudo errado mesmo!

Vamos tentar fazer uma comparação como a que fizeram: se você encontrasse um carro aberto, com muito dinheiro no banco, e ninguém por perto, você pegaria? se você encontrasse uma mulher bêbada, em uma festa dançando, você estupraria? GENTE! Que mundo é esse, por favor?

Primeiro, não, não pegaria o dinheiro, segundo, QUÊ?! Quando que pegar o dinheiro dos outros pode ser comparado a violar o corpo e a integridade de alguém?

Já ouvi algumas amigas dizendo "não pode bobear, não pode dar motivo, se essas coisas acontecem a gente tem que tomar cuidado". Não que eu discorde, mas não soa fatalista demais? Não soa privativo demais? Não soa injusto demais? 

Usando a comparação escrota que fizeram: você deixa de comprar um celular bacana porque tem medo de ser roubado? se você compra o celular e te roubam, a culpa é sua porque você comprou o celular? se não tivesse comprado isso não teria acontecido? se não tivesse usado ele na rua não teria sido roubado? se não tivesse ido praquela rua, naquele horário não teria sido roubado? Pois é, a culpa não é sua. A culpa é do sistema econômico e social que gera esses vários efeitos colaterais.

Se você é mulher e vive, faz suas coisas e tal, e te estupram, a culpa é sua porque você provocou? a culpa é sua porque você estava sozinha a noite numa rua deserta? a culpa é sua porque suas roupas eram curtas? a culpa é sua porque você tinha bebido demais? Não, querida, a culpa não é sua. A culpa é dessa sociedade machista que faz com que os homens acreditem que as mulheres são objetos que eles podem adquirir, usar, e fazer o que quiser, quando quiserem.

Via Moça, você é machista

Mas não, ser violada não é a mesma coisa de ter um celular roubado!
Uma coisa é um acessório, um objeto, algo que pode ser adquirido novamente, outra coisa é um corpo, uma pessoa, um ser por ele mesmo, que não pode ser trocado, e, pior, que tem vida, sentimento e memória!

É lógico que nós mulheres nos preocupamos com o que pode acontecer. Porque sim, embora muitos não acreditem, o mundo é mais perigoso para as mulheres. É lógico que a gente não quer que nada aconteça com a gente, com nossas amigas, irmãs, mães, etc. É "natural" pensar que a gente não pode aproveitar a vida, ser quem a gente é, fazer o que a gente quiser, vestir o que a gente quiser, beber o quanto a gente quiser... A gente não quer ser invadida, a gente não quer que nossas amigas sejam. Mas acontece, minhas amigas, que estamos fazendo isso do jeito errado!



Não é a nossa roupa que causa o estupro, não é a nossa atitude que causa, não é a nossa chapação, não é o lugar, é a pessoa que esta do outro lado a culpada de tudo isso: o estuprador.

Então, por favor, nunca - nunca - digam para uma mulher que ela não deve fazer isso ou aquilo para não correr riscos. Porque gente, nenhuma mulher quer ser estuprada! Digam - isso sim - para os seus amigos, irmão, namorado, que a mulher tem o direito de ser e fazer o que ela quiser, assim como eles, mas que eles não têm nenhum direito de interferir na vida dessa mulher, de invadir, de usar a força, de usar como objeto, de humilhar, enfim, que eles é que não devem cometer o estupro!

Enfim, tudo isso porque eu fiquei bem triste com toda essa agitação que teve por conta da postagem que eu compartilhei. Nenhum homem nunca vai entender esse medo, essa assombração que nós mulheres sentimos. Mas também nós não podemos baixar a cabeça e dizer "isso acontece" como se fosse só um roubo de celular! Nós não podemos deixar que a sociedade machista nos convença de que mulheres são inimigas. Não podemos aceitar que essas coisas continuem acontecendo e dizer "ela pediu".

Vamos fazer desse mundo um lugar melhor pra todxs, vai!




31/10/2013

A guerra não declarada na visão de um favelado (II)

Há exatos 1 ano (nossa, como o tempo voa!) eu postei aqui contanto que tinha comprado o livro "A guerra não declarada na visão de um favelado" do Eduardo. Postei só contando que eu tinha o livro em minhas mãos, mas que ainda não tinha começado a ler. Apesar de eu não contar nenhuma grande informação, foi legal porque apareceram muitas pessoas por aqui interessadas no livro.

Eu comecei a ler o livro, mas, infelizmente não consegui terminá-lo. Primeiro porque o mestrado tem exigido muito e eu não posso me dar ao "luxo" de ler algum livro que não vá me auxiliar diretamente na escrita da dissertação. Segundo porque o livro é bem pesado, e por isso não dá pra ler muitas páginas seguidas. Dá uma angústia e uma tristeza do mundo e é preciso refletir muito pra seguir na leitura. Terceiro porque meu namorado pegou o livro pra ler e ainda não me devolveu :P

De qualquer forma, fiquei sabendo que o Eduardo etá fazendo palestras, não sobre o livro, mas sobre a ideia do livro, e não é bem uma palestra, é mais uma roda de conversa. Enfim, o Eduardo está participando de encontros pra conversar com a galera sobre essa opressão, sobre os mecanismos de alienação, sobre as grandes corporações e seus bilionários rendimentos, sobre a desigualdade social, e todas as outras coisas que instigaram o Eduardo a escrever o livro.

Como a vida é loca, acabei indo com o meu namorado até Santos para assistir a palestra.
Chegando no lugar, foram várias sensações diferentes. Primeiro porque o evento era na Associação Cortiços do Centro, uma associação autogestionária que está construindo moradias populares (dá pra ver uma foto dos prédios em construção, clica aqui). Essa associação, pelo o que nos pareceu, está ligada à União Nacional por Moradias Populares. Gente, não tem coisa mais rica que isso, procurem conhecer!

Segundo porque antes das palestras vários grupos de Rap se apresentaram. E foi bacana demais ver a galera fazendo música, mostrando a sua ideia, e, mais ainda, mostrando que é consciente da realidade política e social, e, ao mesmo tempo, apontando sugestões, soluções, caminhos alternativos que não seja o crime e a violência. Bacana demais!

Terceiro porque lá na Associação tinha criança, tinha jovem e tinha adulto, todos juntos, interagindo, ouvindo o Rap, disposto a ouvir o outro, a aprender com o outro. Ao menos foi essa a impressão que me deu.

Quando o Eduardo chegou eu não pude nem fingir que eu não senti uma emoção tremenda. Pô, eu sempre gostei de Rap, e ver um ícone do Rap Nacional, tão de perto, tão real, tão disponível, olhando no seu olho, conversando com você é emocionante demais! - mesmo que eu nunca tenha sido, assim, tão fã do Facção Central.

foto daqui

Para mim a conversa não foi nenhuma novidade. Eu sei que falar assim parece prepotência. Mas é que eu não ignoro que o mundo é podre, que o capitalismo é destrutivo, que a sociedade é desigual e injusta. Eu não acho que pobre é incapaz ou preguiçoso. Eu não confio na mídia, não confio no governo, não confio na educação. Então, de certa forma, nada do que ele falou me surpreendeu. Mas isso porque eu ouço Rap, porque eu leio e estudo muito, porque eu converso com as pessoas sobre política (política não partidária).

Quando você ignora ou quando você realmente não sabe que a sociedade é assim podre, você pode se chocar. E foi o que eu vi acontecer nesse dia. A voz firme do Eduardo penetra na sua mente, te faz pensar, reavaliar seu dia-a-dia, sua postura, suas ações. Faz você perceber que sim o sistema quer te destruir - e sinto muito em dizer, embora possa soar deveras de direita: a classe média também é vítima nesse sistema, porque mesmo que a gente não seja "a escória", a gente não é "patrão", e são os patrões, os chefes, os donos que dominam tudo isso. A classe média, a classe C, D, são apenas marionetes. 

Mas o Eduardo não falava para a classe média. Falava para a periferia, para moradores de cortiços, para pessoas do movimento Hip Hop, para os empacotadores de supermercado, para as domésticas e para os ajudantes de pedreiros - aqueles que até nós, classes mé(r)dias, menosprezamos.

E foi bonito a galera se manifestando, falando como a tv aliena, como a novela ilude, como o jornal engana. As senhoras se despertando, os jovens testemunhando a tentação de entrar para o crime. Falaram sobre educação, sobre família, sobre exemplos, manifestações de ruas, participação política, conscientização, movimentação....! Teve um menino que falou de Paulo Freire, ele disse algo como: "Quem a gente tem como referência? O Ronaldo Fenômeno. Mas por quê? E Paulo Freire? Quem já ouvir falar de Paulo Freire? Ele sim devia ser a nossa referência!" Emocionei demais!

Embora o Eduardo tenha focado muito na transformação pessoal, eu acredito no coletivo. Sim, cada um deve passar pelo seu próprio processo de conscientização, de transformação, mas as nossas referencias, nosso apoio, nossas companhias influenciam muito, e elas não devem ser ignoradas nem ao menos desconsideradas. Mas de qualquer forma achei aquele encontro muito importante, muito, de verdade!

Saí de lá mais de esquerda, mais consciente do meu papel como educadora, mais sensível com a periferia.
E vamo seguir a vida, em busca da revolução!


Foto que a gente tirou. Sem zoom! Ele tava pertinho mesmo! :')



Veja: A guerra não declarada na visão de um favelado

09/10/2013

Só alegria!

     Apesar de eu não ter uma profissão, assim, bem definida, porque eu não tenho exatamente um trabalho, eu percebi essa madrugada como eu sou feliz com a profissão que eu escolhi!

O curso que eu fiz na graduação se chama "licenciatura em Música com habilitação em Educação Musical". Quando eu estava prestando o vestibular, eu já sabia que eu queria dar aulas de música, e eu não conseguia me ver fazendo outra coisa que não isso; mas eu ainda não conhecia o vasto campo da educação musical, e nem sabia que havia tantas possibilidades quando falamos em "ensino de música".

Eu me encontrei, e, ainda por cima, pra deixar tudo ainda mais amor, encontrei um grupo de pessoas incríveis com quem eu adoro trabalhar! Descobri que eu posso ser criativa, divertida, espontânea, sociável, entre outras coisas que eu não sabia que era capaz, nessa brincadeira de aprender a ensinar.

Além das aulas particulares que eu dou, eu não tenho aquilo que se chama de trabalho. Mas adoro aquilo que eu considero como sendo o meu trabalho. Adoro a minha pesquisa de mestrado, adoro a minha busca por uma educação mais humana, adoro dar cursos e formações, adoro organizar eventos acadêmicos, adoro ser orientadora... Adoro até mesmo as reuniões que se estendem  pela madrugada - porque mesmo se forem "sérias", são divertidas.

Enfim, não tinha porque falar isso aqui, mas eu quis mesmo assim. As vezes eu me desanimo e acho que eu não estou fazendo nada pela educação musical e pelo mundo, então preciso valorizar quando eu percebo o meu papel, quando eu percebo que o que eu faço tem sim a sua relevância, que pode sim mudar o mundo!

Então fica aqui o meu registro pessoal, cheio de amor, alegria e realização!

10/06/2013

Não acredito

É, talvez eu seja mesmo um pouco reacionária por não acreditar nessa revolução.

11/01/2013

A revolução dos macacos

Acabei de assistir Planeta dos Macacos - A Origem, e to meio besta aqui. Tão besta que resolvi vir aqui escrever mesmo que de qualquer jeito.

Bom, eu não sei fazer sinopse de filme. Então se você não viu o filme, procure uma na internet. Pode essa aqui do adoro cinema :) Ou então lê meu post sem saber mesmo, eu vou tentar ir explicando um pouco!
*Contem spoiler*

A verdade é que eu chorei muito durante todo o filme. Primeiro porque eu relacionei os macacos com pessoas que tivessem algum tipo de deficiência ou trastorno mental. E fiquei reparando como as pessoas que estão de fora (vizinhos, cuidadores) não se preocupam com o bem estar do outro. Por ser algo desconhecido, diferente do que elas acreditam ser o certo, o melhor, "o bom, o belo", à certa distância elas ignoram, falam o mal, de perto, têm medo. Elas têm medo porque sabem que, no fundo, se elas tivessem se permitido conhecer, entender, elas saberiam exatamente o que esperar, e não teriam medo. Aquele abrigo onde ficavam os macacos me remeteu aos hospícios, manicômios. Lugar afastado, isolado, onde se esconde da sociedade tudo aquilo que não queremos ver, aquilo que não nos é belo. Chorei toda vez que o filme centrava nos olhos dos macacos e eu os percebia como seres, conscientes ou não, que tinham vida, que tinham vontades, e que no fundo desejavam estar em um lugar melhor, ao lado de pessoas queridas. Esse é um assunto que me toca, muito. Também me veio na cabeça toda essa questão de testes em animais, mas não vou nem me atrever a falar, principalmente porque não foi isso que mais me marcou.

Eu adorei a lição de como fazer uma revolução, e só me provou que não importa se só você tem consciência de que esse sistema que te oprime está errado. Para mim, aliás, foi essa a mensagem que o filme me deixou. Há um sistema social e econômico que controla o mundo. O social determina a moral, os costumes, o comportamento. O econômico determina o investimento, e financia tudo o que for necessário para obter lucro. Traduzindo, a opressão social acontece quando o vizinho, já sem paciência com o velho com Alzheimer, agride ele quando o vê dentro de seu carro. Vocês vão pensar: mas o velho bateu o carro do vizinho! E eu respondo: todo tipo de violência supera qualquer ação errada. Não há exemplo maior de querer "mostrar quem manda", "dar uma lição" ou "controlar" alguém do que fazer isso, literalmente, com as próprias mãos, com a intenção de minimizar o outro ser humano. A opressão econômica a gente vê quando, por exemplo, o Jacobs quer demitir o médico (e isso acontece duas vezes) porque o médico "destrói" a sua chance de ganhar muito dinheiro. Vocês vão pensar: mas o mundo dos negócios é assim mesmo. E eu respondo: não deveria ser. A partir do momento em que o dinheiro se torna mais importante do que a vida e o bem estar de pessoas, de seres humanos, quer dizer que a sociedade deixou de viver em comunhão e passou a viver em competição.

Isso fica muito claro no filme. César, o macaco que viveu com o médico durante toda a sua vida, e teve tudo do bom e do melhor, só teve chance de perceber que havia alguma coisa errada quando ele olhou para outro ser (um cachorro, considerado um animal de estimação), e percebeu que ele não era igual àquilo que ele pensou ser a vida toda (ser humano), que ele estava mais para cachorro do que para homem. Depois que ele é preso no abrigo para macacos, César se identifica com os outros, e não quer mais voltar para casa. Ele percebe que o humano é mau, é corrupto e ele quer livrar seus companheiros de terem que continuar sendo subordinados a essa espécie.

César deu aos macacos a ferramenta que eles precisavam para reverter essa situação: deu inteligência (através de um medicamento que o médico, "pai" do César, estava trabalhando, medicamento esse que previa curar o Alzheimer). Com inteligência, controle e consciência dessa inteligência, os macacos deixam os humanos com medo. E como eu disse, o medo vem do desconhecimento, se você desconhece, você se defende da forma como sabe, e ataca como puder. Com medo você não pensa, não faz planos.

Certos do que queriam - se livrar das amarras opressoras de um sistema opressor - os macacos não queriam ferir os humanos. Ou seja, eles não queriam se tornar os novos opressores! Eles queriam ser livres. E para ser livre, não pode haver opressão, de nenhum lado. Para burlar o sistema, é preciso conhecê-lo, saber como funcionam suas máquinas, saber as senhas que destravam suas portas. E é preciso estar unido. Um macaco sozinho é fraco, mas juntos, são fortes. É preciso saber onde se quer chegar, é preciso ter consciência dos obstáculos que vai encontrar, é preciso planejar, re-planejar, pensar de novo e não ter medo de seguir em frente.

Quando temos um ideal de vida a ser alcançado, mas um ideal de vida daqueles em que você realmente se apoia, você não tem medo. Você só tem medo de que as coisas continuem como estão, medo de que você não consiga ter coragem de tentar, medo de que mais pessoas continuem sendo oprimidas, medo de que elas nunca percebam isso. Quem estava de fora, vendo os macacos se rebelarem, certamente pensou "que absurdo", "sempre cuidaram dele", "sem eles como vamos testar remédios?", "quem eles pensam que são?", "como podem achar que vão mudar alguma coisa, são ignorantes!". Isso eu traduzo como medo: medo de perder uma "classe inferior" pra oprimir, medo de ter que assumir o seu papel, medo de descobrir quem é que te oprime!

Mesmo depois de "terminada" a revolução, César não quis voltar para casa com o seu pai. Ele poderia continuar levando a vida boa que ele sempre teve. Mas ele não conseguiria fazer isso. Não conseguiria porque a partir do momento em que percebemos o que tem de errado, nós não queremos compactuar com isso, não queremos fazer parte, de forma alguma, mesmo que isso nos traga consequencias ruins. A consciência da realidade, das consequências, da opressão que existe dentro do sistema, não permitiu que César abandonasse seus companheiros, e deixasse de viver com eles uma nova vida, uma vida seria deles. Voltar para casa não seria igual, porque agora ele via o mundo de outra forma, ele era um ser diferente!

As vezes não conseguimos mudar o mundo, e nem sei se os macacos tinham essa pretensão. Eles, enquanto uma classe de seres, que sofreram durante muitos anos as consequências de um sistema sanguessuga (e suicida), finalmente conseguiram desatar os injustos nós que os impedia de ser livres. Infelizmente, esse não é o final feliz da história. Sim, no filme é, mas na vida real, como vocês bem devem ter relacionado, sair do sistema não garante o final feliz. Garante a liberdade, a autonomia, a autogestão, mas enquanto o sistema puder ele vai atrapalhar, vai bloquear, vai impedir que vocês prosperem, vai fazer propaganda enganosa, vai fechar as fronteiras. Por isso é preciso mudar o sistema, e não apenas se afastar dele.

Não podemos desistir!

Trabalhadores do mundo, uni-vos! ;D


24/10/2012

Essa terra não te pertence!

Eu não gosto de me meter nas questões indígenas. Não gosto porque simplesmente eu não sei o que é melhor para eles, e muitas vezes eu duvido das coisas que dizem por aí, até mesmo quando essas coisas se dizem pró-indígenas ou quando essas coisas parecem vir diretamente deles.

Diferentemente da questão do parque indígena do Xingu, essa história dos índios Guarani-Kaiowá tem me chamado a intenção. Independentemente se eles vão mesmo cometer suicídio coletivo, ou se isso é só uma jogada de marketing de quem quer divulgar a situação, na carta escrita pela comunidade Guarani-Kaiowá eles deixam bem claro que a vida deles depende daquela terra, e que aquela terra é o que os mantém vivos, que se não for dessa maneira, eles não vão sobreviver.



O que me deixa mais triste nessa história toda é que pela carta eu não vejo só a resistência de quem sabe que essa situação não é a certa, é injusta, mas a tristeza de quem, no fundo, cansou de precisar resistir, de quem aceita a morte por não ver outra alternativa.

Se o suicídio coletivo vai mesmo acontecer, se apenas alguns mais desesperançosos vão ou já se mataram, não sei se é bem essa a questão. Não é bem essa porque se eles morrem acaba o problema. Se bem que ao meu ver, o problema não é a existência dos indígenas, mas o desrespeito à vida deles. Enfim, o problema não acaba com o fim da vida deles porque ainda há outras comunidades indígenas que estão em situações bem parecidas!

Essa história precisa chamar atenção, seja por frases de efeitos, seja por fotos trágicas (na verdade, não gosto muito de usar fotos trágicas pra chamar atenção), seja como for... mas os verdadeiros brasileiros precisam e merecem o direito de ter uma vida digna, e aceita de tudo, merecem o respeito pelas suas terras e pela a sua cultura.



10/10/2012

Piada engraçada. Para quem?

Eu sempre tive problemas com piadas. Mesmo na época em que eu dizia que comédia era meu gênero de filme favorito, eu já tinha esses problemas. Por isso até que no final dos anos 90, começo dos anos 2000, eu já não assistia esses problemas humorísticos da tv. Nem "a praça é nossa", muito menos " zorra total", e ouso  até exagerar, nem "as cacetadas do Faustão".


Nunca achei digno de riso a desgraça alheia, a humilhação alheia. Nós que fomos nerds na época da escola sabemos que enquanto uma pessoa ri, a outra chora, e para mim não é humano rir nessas condições. Em hipótese alguma.

Acho que já nasci assim, mas dois fatos reforçaram: a) quando eu tinha, sei lá, uns 10 anos, meu irmão foi diagnosticado com comportamento autista. As crianças do prédio que eu morava adoravam tirar sarro. Enquanto elas se divertiam, eu ficava extremamente chateada, ainda mais porque meu irmão não podia se defender. Me tornei um pouco intolerante, assumo, desde então. Fez piada com qualquer tipo de deficiência física, mental, ou o que for, ou vai ouvir um discurso enorme (que venho praticando ao longo destes 10 anos) ou vai sentir o meu total desprezo - e até a pessoa mais avoada percebe que eu mudo completamente. Sei que ninguém precisa saber lidar com as deficiências (ainda mais porque elas são super diversas), mas acho que fazer piada e desrespeitar é o cúmulo da falta de humanização, não tenho porque tolerar.

b) quando, por volta dos meus 14 anos, eu me descobri bissexual, comecei a ficar mais sensível com as causas gays. Mesmo que naquela época já fosse óbvio para mim que não havia problemas em uma pessoa ser gay, quanto mais eu reparava nos outros, mais eu descobria como a sociedade via nisso uma grande aberração. Eu juro, para mim não faz sentido nenhum, nenhum dos argumentos contra a homoafetividade! É uma coisa que eu não consigo nem entender... Mas enfim, percebi que por trás de "ah, seu viado", "igual a uma bicha louca", "vai tomar no cu", tem uma ideologia que prega que ser gay é errado/feio, e que portanto você pode xingar seu amigo de viado, e mandar ele tomar no cu, que ele, automaticamente sendo comparado a um gay, fica verdadeiramente ofendido. Meu total desprezo para todos que fazem isso.

Essas são experiências pessoais minhas que eu não quero que sejam perpetuadas através de piadas. Porque, sim, a gente perpetua ideias, concepções, esteriótipos, ódio e descriminação através da piada. Ou nenhuma mulher nunca ouviu que tem porte de arma pra se referir à carteira de motorista? Sempre fico me perguntando "para quem" aquela piada é engraçada. Só pra quem oprime, ou pra vítima totalmente alienada que não percebe que estão rindo dela.

Eu como vítima de muitas descriminações feitas através de piadas me sinto menosprezada, desvalorizada, desumanizada e desrespeitada. E eu não quero que outras pessoas se sintam assim.

Você pode não se sentir ofendida ou ofendido com as piadas sobre mulheres, negros, gays, pessoas gordas, deficientes, loiras, corintianos, etc, mas saiba que quando você ri você assina um contrato dizendo que concorda tanto com aquilo, que você até se diverte. E saiba que em algum lugar, alguma pessoa mais desequilibrada espanca ou mata alguém por conta das mesmas ideias que te fazem rir.

Ainda acha graça?

Pois eu não acho e não dou risada por educação. 





Só pra frisar porque eu realmente acho necessário. Eu sou uma pessoa divertida, ao contrário da possível imagem que o post pode ter causado x) Quem convive comigo sabe que eu dou muita risada. Eu adoro rir e valorizo muito quem me faz rir. Também conto as minhas piadas e tento ser engraçada. Isso só comprova que esse discurso de que o humor vai acabar por causa do politicamente correto é discurso de reacionário. Fique espert@!
Outra coisa, como uma boa educadora que desejo ser, eu não xingo nem brigo nem humilho quem faz piadas que eu considero sem graça, sobre assuntos que não são para brincar. Já briguei muito, mas agora entendo que as pessoas precisam se conscientizar antes de mudarem. Mas não posso - e nem vou - ser incoerente com o que eu acredito, porque é um desrespeito não só a mim, mas também a quem me dirige a piada, fingir que achei engraçado só por educação.
É isso, exagerado talvez, mas sincero. Para pensar :) 

08/10/2012

A guerra não declarada na visão de um favelado

Eu não costumo comprar livros. Não porque ache caro (até acho), ou porque ache desperdício comprar e não ler mais de uma vez (acho também), mas simplesmente porque se não forem livros de estudo e/ou consulta, nada me convence a comprar.

Mas eis que um livro me convenceu: A guerra não declarada na visão de um favelado.

Eduardo era membro do Facção Central - um dos maiores grupos de rap nacional na opinião de 100% dos rappers, e passou os últimos 6 anos se dedicando ao livro, que apresenta de forma mais estruturada todas as denuncias que o Facção vem fazendo há anos. Alguns podem até não gostar de tanto ódio e tanta violência que aparece nas letras, mas ninguém passa indiferente ao grupo.

Eu entendo o porquê de tanto ódio, o porquê de falar sobre a violência. É porque, acreditem ou não, é o que eles vêm no seu dia a dia. Parece filme, parece desumano, mas é realidade. E essa realidade assim exposta como ferida aberta nos incomoda, nos assusta, e nós disfarçamos, ignoramos.

Sempre tem aquele mané que fala: rap é música de bandido. Não é, mas se for pra generalizar, por que não escutar o que o bandido tem pra dizer? Ele com certeza sabe te explicar porque é que a vida dele é assim.



Mas não vim pra falar de Rap :) Vim pra falar do livro que o Eduardo escreveu, que acabou de chegar em casa, cheirando livro novo, dor, miséria e choque de realidade.



Quando li sobre o lançamento fiquei animadíssima para ler, mas agora com ele na mão, eu sinto o peso que ele tem. Sinto que o melhor era que ele não tivesse sido vivido, e depois, escrito. Sei que essa realidade não pertence a mim, mas sei também que eu faço parte do sistema que a provoca, e que também sofro com as consequências dela.

"um salve do mano Eduardo"

Bom, na verdade eu não tenho muito o que falar. Quero devorar esse livro e se eu sobreviver, volto pra contar! :)

04/10/2012

Mil que fazeres


Interessante é que essa música se chama Insônia, o que super se encaixa com a minha condição atual, e a letra passa a mesma mensagem de tudo o que eu quero falar. Tem bandas que existem exatamente pra traduzir a minha vida ♥

A vida é dura. Mas não, não vou reclamar da vida, porque a minha vida, sendo dura ou não, não é sofrida. Mas vou aproveitar que eu não consigo dormir e vir aqui escrever, aleatoriamente, sobre coisas que talvez estejam tirando o meu sono.

Eu mudei desde que eu descobri que tenho vitiligo. Pode ser que ninguém tenha reparado, mas eu sei que eu, sozinha comigo, dentro de mim, estou mudada. Eu sempre pensei que eu tivesse um bom auto-controle, sempre achei que eu me conhecesse bem o suficiente para entender quando eu estava triste, quando eu precisava de um tempo, quando eu precisava me cuidar. Mas o ano passado, ao mesmo tempo em que eu só fazia coisas minhas, meus estudos, meu trabalho, o meu foco não era eu. Quanto mais eu estudava, mais eu sentia que eu poderia mudar o mundo, quanto mais eu trabalhava, mais eu via que essa mudança era possível. Quanto mais eu estudava, mais eu me irritava com a superficialidade das pessoas, quanto mais eu trabalhava, mais eu percebia que eu tinha que estudar e trabalhar mais.

O ano passado foi difícil. Último ano da faculdade, mil desejos, mil preocupações, mil e um motivos para ficar infeliz com o mundo, e mil e quarenta motivos pra me preocupar mais com o mundo, não tanto comigo.

Eu mudei desde que eu descobri que tenho vitiligo. Eu sempre pensei que eu tivesse um bom auto-controle. Foi daí que eu percebi que, além de tudo, eu ia ter que cuidar de mim. Foi aí que eu comecei a dar atenção pras coisas que me deixavam chateadas, e percebi a quantidade de coisas que me chateavam e que eu ignorava. Foi ai que eu percebi que eu não era tão sensacional assim, que não bastava ser inteligente, e ter preocupação social, era preciso estar em paz. Foi aí que eu percebi que eu não tinha paz.

Descobrir essa falta de paz me tornou uma pessoa neurótica, desequilibrada, impaciente, ciumenta, insegura. Extremamente insegura.

Ter passado no mestrado me ajudou. Ajudou no sentido de perceber que vale a pena estar contra a maré. Que é necessário lutar por uma educação de qualidade para todos. Que lutar por isso é o certo, errado estão os outros. Um consolo.

Mas não é fácil. Não é fácil porque as pessoas que agora trabalham comigo não pensam assim. Eles não se importam com os alunos, não se importam com o processo. Isso me faz chorar. Eu choro porque isso é tão inadmissível...! A Música ainda é uma área de conhecimento pouco valorizada e mal interpretada: o que importa é o resultado, o produto. Os sujeitos, o processo, meros coadjuvantes. Se essa concepção vem de gestores educacionais, ou instituições patrocinadoras, eu até perdoo a ignorância, mas se vem de educadores musicais - e se estes trabalham comigo - eu quero me trancar em casa, e só sair quando o mundo tiver mudado!

Eu tenho estudado tanto, e cada vez é mais óbvio que a educação precisa mudar (se é que precisa estudar pra perceber uma coisa dessas). Por que eles não querem perceber isso? Por que eles não querem estudar? Por que eles querem reproduzir um ensino conservador dentro de uma escola com situações tão precárias?

Juro que não sei o que fazer. Juro que não sei como fazer alguém despertar para a necessidade de mudança. Eu achava que a prática naquela escola mudaria suas ideias, mas não mudou. Eu achava que oportunizar estudos mudaria suas ideias, eles se negam. Juro que não sei mais o que fazer.

E enquanto eu perco o sono triste pela minha incapacidade, pela minha impotência, minha cor vai se apagando, meu corpo vai me lembrando que o compromisso não é só meu, e que eu preciso de paz, de equilíbrio...

Mas como não se comprometer por completo?

10/09/2012

Porque eu nunca votei

O blog ainda está em hiatus, por isso não era pra eu postar, mas eu preciso! As eleições estão chegando e eu queria falar uma monte de coisa para quem vota pensar antes de votar.

Existem muitas coisas erradas nesse nosso sistema político e eleitoral que eu não posso me permitir ser conivente. A primeira delas é: votos nulos e brancos não são considerados válidos. Acho isso um absurdo!!! Para o meu voto ser considerado valido, ou seja, para a minha opinião ser ouvida, pressuposto da democracia, e entrar nas porcentagens/contagens eu preciso dar o meu voto para alguém. Ou seja, aquele candidato que ganhou com 50%+1 de votos, não representaria 50%+1 dos eleitores, se os 10% que votaram nulo ou branco fossem considerados. Ou seja, você que votou nulo ou branco: NÃO CONSIDERARAM A SUA OPINIÃO!

Outro ponto negativo da nossa democracia: eu sou obrigada a votar. Aí agora todos vêm com quinze mil pedras pra cima de mim: porque o direito ao voto é uma conquista, porque negros e mulheres não votavam, então você, mulher, deveria honrar suas antepassadas que lutaram para que você pudesse votar, e todo aquele clichê que, no fundo, eu não discordo. Mas e daí, e se ninguém me convence?

Sabe, eu tenho a fantasiosa ideia de que se não fosse um dever votar, mas apenas um direito, os candidatos precisariam caprichar mais. Pensem comigo: por que eu sairia do conforto do meu lar para votar em alguém? Porque o candidato realmente merece, e não porque eu sou obrigada. Não sei se isso aconteceria de verdade (visto que nos EUA não é obrigatório e o Bush foi eleito duas vezes), mas eu quero acreditar que sim.



Ah, e tem aquela coisa também: os deputados mais votados levam consigo outros deputados do seu partido. Mesmo que eu não tenha votado nele! E vocês já viram quanto um político ganha, né? Seja ele vereador ou prefeito, ele ganha muito. O salário dele é dinheiro público, dinheiro que deveria ir para a população. Vamos ser sinceros, a única pessoa que eu confio tanto assim a ponto de dar um salário milionário pra "me representar" é a minha mãe, e olhe lá! (BÊJO MÃE!)

E eu pergunto novamente: e se ninguém me convence? Tenho que decidir pelo menos pior? porque "pior do que tá não fica?" Eu não quero o menos pior! Eu quero o melhor que for possível! Mas, para mim, o melhor possível não é dessa maneira, não é com a obrigação do voto, não é com salários monstruosos, não é com disputa entre partidos, não é com a população sendo feita de otária.



Sei que muitos devem estar torcendo o nariz e pensando que eu estou jogando no lixo o meu direito e a minha chance de mudar o país, mas eu digo para vocês: eu não penso assim! E não é para me tirar a responsabilidade, não é porque eu não vou ficar no pé do candidato que eu votei (aos que votam, NO MÍNIMO devem cobrar seu candidato das promessas que fez, faz-favor). Enquanto eu acreditar que a política deve ser feita de outra maneira,  enquanto ajudar o partido for prioridade no lugar de ajudar a população, enquanto a minha opinião de cidadã que está descontente com esse sistema político e eleitoral não for considerado, enquanto não houver nenhum candidato que me convença, eu não voto nem nulo, nem branco, simplesmente não voto.



23/07/2012

Olhe minhas mãos de trabalhador

Eu sei que eu acabei de postar e nem deu tempo de ninguém ler o último post, mas preciso, mesmo assim, postar de novo, antes que eu esqueça de uma coisa que aconteceu - daquelas coisas que a gente não pode esquecer!

Queria deixar claro que tudo o que eu vou falar não é com a intenção de vocês ficaram pensando "nossa, como ela é uma pessoa de bom coração", porque eu não quero me autopromover como essas coisas - como eu sei que muita gente faz. Como eu disse, estou escrevendo porque eu não quero esquecer disso, porque eu sei o quanto eu reclamo da vida, e porque isso mexeu muito comigo.

No último dia do festival, como eu disse no post anterior, a turma de Danças Portuguesas e do Mundo fez uma aula em uma praça, e a turma de Músicas do Mundo e de Violão Popular participaram tocando as músicas pra gente dançar. Foi lindo, foi contagiante! Todo mundo saiu de lá sorrindo e feliz!

Quando já tinha acabado, me juntei com os meus amigos pra gente ir almoçar juntos. Enquanto nos organizávamos para isso, um homem veio pedir dinheiro. Estudantes que somos, não tínhamos dinheiro, e eu também não estava com a minha bolsa, então eu só dei uma garrafa de água que eu tinha, e ninguém deu mais nada. Mas ele não foi embora.

Ele tirou do bolso sua carteira de trabalho, e disse: "eu sou trabalhador, mas eu fiz as escolhas erradas". Meus amigos não deram bola, e eu não os julgo por isso, sempre ouvimos nossas mães dizerem para não falar com estranhos. Mas o homem tinha um par de olhos verdes tão tristes, e um sotaque do sul tão sofrido, que eu fiquei escutando tudo o que ele falava.


Encurtando a história, porque ficamos lá uma amiga e eu, conversando com ele por 15 minutos, enquanto os outros já tinham ido almoçar, ele dizia que ia se matar. O argumento para isso: ele queria voltar para a cidade dele, em Itaúna, onde estaria a sua filha, de 12 anos, mas ele não conseguia o dinheiro para a passagem, e por isso já havia andado muito pela estrada, chegando até Ourinhos. Ele dizia estar cansado, sujo, humilhado, e que ouvia o Diabo rir dele, dizendo: "se joga na frente de um caminhão, ninguém vai sentir sua falta". E o homem, convencido, dizia: "eu devia ter feito isso".
Como eu sou espírita, fiquei transtornada em ouvir alguém planejar a própria morte dizendo que já sabia onde comprar um veneno que era tiro e queda. Para os espíritas, interromper a vida não é sinônimo de "vida melhor", muito pelo contrário, o sofrimento continua e por vezes, é até pior (explicando toscamente). Então, o meu eu espírita, queria convencê-lo de não fazer isso, mas o meu eu pagão (porque nem um lado meu é ateu) não via futuro melhor, e nem mesmo esperança.

O homem dizia: "se eu morrer, minha filha fica com a minha casa, e ela vai poder se orgulhar de ter um pai que preferiu se matar a sofrer humilhações". Na minha cabeça, isso não fazia sentido, mas eu não queria dizer isso pra ele, porque eu não sabia também as condições de vida dessa filha, e tudo mais. Mas eu fiquei desesperada: eu tinha na minha frente uma pessoa decidida a se matar, me contando os porquê e os como. Não sei como eu consegui segurar o choro.

Diante de tudo o que o homem me disse, eu não consegui dizer: "acredite, Deus está do seu lado, uma hora tudo vai ficar bem", porque eu não sabia se no fundo eu acreditava nisso também, mas eu consegui dizer: "o Diabo tá rindo de você e você ainda vai fazer o que ele quer? Foge dele!". Eu ri, minha amiga riu, mas o homem não.

Como ele havia dito que a Fernanda (não sei se mulher dele, ou se só mãe da filha dele) frequentava uma igreja, eu sugeri que ele fosse em uma, antes de chegar a comprar o veneno e tal, nem que fosse pra ficar lá parado. Falei isso muitas vezes durante a conversa, e ele dizia sempre que não ia adiantar, que ele já estava decidido. Por fim, olhei para frente e vi a torre de uma igreja, então minha amiga e eu ficamos insistindo, já que seria só atravessar a rua, não ia custar nada. Ele relutou, mas nós insistimos tanto, que por fim ele cedeu.

Mesmo que as religiões tenham seus milhares de defeitos (porque são conduzidas pelos homens), eu acredito sim, que existem muitos bons espíritos dentro das igrejas, templos, centros, o que for, tentando elevar a vibração daquele lugar, emitindo luz para as pessoas que frequentam, e foi nisso que eu pensei quando eu sugeri que ele fosse para a igreja. Não que Deus fosse aparecer prometendo dias melhores, mas que essa luz acalmasse o seu coração, para ele, minimamente, repensar sobre o suicídio.

Esse homem falou tantas coisas que ficaram marcadas em mim... Fez um panorama tão real da situação econômica e social do Brasil.... Que eu sinceramente não tinha reação. E de fato, eu pouco falei, pouco me mexi. Ele falou muito, e eu o olhava nos olhos e rezava, vez ou outra eu falava alguma coisa. Eu ia falar o que? Eu que estava naquela cidade fazendo um curso, com o dinheiro do meu pai, e até aquele dia estava reclamando do frio e da situação do banheiro no alojamento onde nós estávamos? Qualquer coisa que eu falasse soaria hipócrita, porque, não, eu não sabia o que ele tava passando! Por isso parte de mim entendia a necessidade de acabar com a própria vida, porque eu nem imagino o que é passar por tudo isso!

Fiquei me lembrando das vezes que eu trabalhei com o TETO, das famílias que eu conheci, das histórias que eu ouvi e das coisas que eu vi. São pessoas vivendo suas sub-vidas tentando, do jeito que podem, sobreviver mais um dia. Com poucos recursos, pouca esperança... É triste, é desumano, é inacreditável!

Quando meus amigos já haviam voltado onde nós estávamos várias vezes nos apressando para o almoço, e eu já de saco cheio os dispensei, mas, mais tarde, um pouco receosa com eles, decidi ir almoçar e precisei então me despedir do homem, eu não sabia o que falar. Disse algo como "precisamos ir, me desculpa?", porque realmente me senti culpada em deixá-lo lá.

Mas o legal é que o homem já estava tão feliz (hipérbole) que ele não se incomodou. Fez até piada, dizendo que a sua filha era do tamanho da minha amiga que estava comigo (baixinha), e minha amiga disse que ele tinha olhos lindos, e ele respondeu: "mas não vai me ligar não, porque a Fernanda não vai gostar", e todos nós rimos. Quando reafirmamos que tínhamos que ir embora ele me abraçou, e depois abraçou a minha amiga.

Por um segundo achei estranho e senti medo, mas depois retribui o abraço, desejando passar para ele muita paz de espírito, calma e paciência. Era tudo o que, naquele momento, eu poderia dar, e que ninguém que ele abordasse na rua iria se dispor. Afinal, é tão mais fácil dar algumas moedas, não é?


Quando estávamos indo embora, ele disse que ia para a igreja, e eu senti um ar de quem não ia mais se matar (a menos não naquele dia), ele saiu sorrindo e isso me deixou muito feliz!

Saímos andando e do nada o mundo despencou em cima de mim. Comecei a chorar incontrolavelmente. Senti uma tristeza, uma amargura sem tamanho! - como se naquele abraço nós tivéssemos trocado as nossas energias. Pude sentir toda a sua dor, e me senti extremamente mal. Foi muito estranho, mas pelo menos consegui entender o que tinha dentro dele...

Estou escrevendo tudo isso para não esquecer. Não quero esquecer desse homem, José Carlos, a quem eu prometi rezas, e que me deu uma lição de vida fenomenal. Eu poderia contar tudo o que ele falou, e eu de fato queria, mas quero guardar algumas coisas só pra mim, porque eu ainda não digeri muito bem.

Quero também que todos pensem um pouco em suas vidas. Já perguntei muitas vezes aqui no blog: "o que você faz para mudar a realidade que te incomoda?", mas eu sei que não é tão simples assim. Estar incomodado não é condição para fazer a mudança. Deveria ser. Digo isso para mim também. E é por isso que eu não quero esquecer.

01/06/2012

O que eu queria mesmo era ir com vocês...

... mas já que eu não posso, boa viagem, até outra vez! *

Hoje eu fui para o ensaio da fanfarra, mas como eu não sou mais bolsista do projeto, fiquei de lado, olhando o ensaio, para não cair na tentação de fazer as coisas no lugar dos novos bolsistas (coisa que eu fiz nas primeiras vezes que eu fui depois que eu virei orientadora do projeto). Uma menina que toca prato estava lá, mas também estava de fora; fui me sentar do lado dela e começamos a conversar. Perguntei para ela porque ela não ia ensaiar e ela disse que estava triste. Detalhe que essa menina tem 5 anos, e a capacidade de articular as ideias que ela tinha era incrível! Vou tentar escrever mais ou menos como foi a conversa:

- Várias vezes eu estive triste, mas hoje eu to muito, ai eu não quis ensaiar
- Ah.. entendi
- Eu fiquei doente também por causa do menino da minha escola..
- Doente? O que você tinha?
- Ah.. tristeza, né? (Eu com cara de angústia) Ele virou pra mim outro dia na aula e me chamou de pretinha suja que fuma maconha. Eu cheguei em casa e chorei muito, tive muita dor de cabeça, muita mesma, minha mãe teve até que me levar no hospital. Eu fiz um monte de exame. (Eu, pasma, sem saber o que dizer)
- E o que você disse pra esse menino?
- Não disse nada, só chorei.
- Sabe, quando eu era pequena, me chamavam de esqueleto, porque eu sempre fui muito magra e muito branca. Eu não gostava de ser branca também, porque todo mundo tirava sarro... Eu ficava muito triste. Mas daí eu aprendi a ignorar essas pessoas...
-  E o pior é que eu não sou preta, eu sou morena, mas eu não gosto da minha cor...
- O loco! Por quê?
- Porque é feio, e os meninos ficam me chamando de pretinha suja
- Mas isso é besteira. Meu namorado é preto (e mostrei uma foto dele no meu celular) e ele é lindo (ela concordou que ele era bonito, rs ^^)... Sabe o que você deve fazer quando um desses meninos falar alguma coisa dessas pra você? Fala assim "sô pretinha memo, e você que é burro?"

(Ai eu fiz ela prometer que ela ia falar isso e que iria me contar se acontecesse de novo)(Conselho de educadora: não dê esse tipo de conselho para os seus alunos, é pouco educativo)

ela e eu


O que eu acho mais triste dessa história toda, é que as crianças estão perpetuando um preconceito que as vezes nem é delas próprias, que elas reproduzem de alguém mais velho e já cheio de preconceitos, e que, também, as vezes, nem sabe o porquê deles. "Preta suja que fuma maconha" não é o tipo de frase que as tias ensinam na escola, então, com certeza, os meninos ouviram isso em algum lugar de alguém que tem um prestigio com aquela criança o suficiente para que ela queira ser igual - pais, irmãos, quem sabe.

No Brasil, e particularmente naquele bairro, muitas das crianças são, no mínimo, morenas. É uma mistura que não tem fim. Essa menina, por exemplo, ela tem a pele negra, os olhos puxados e o cabelo liso. Já vi outras na escola, da pele morena, o cabelo crespo e os olhos verdes. Pele morena, cabelo crespo e loiro. Pele branca, cabelo crespo, olhos azuis. Tem de tudo, sério. Eu sei que "se assumir" como uma pessoa negra é uma questão de identidade, e que essa tomada de consciência é muito complicada (tem uma menina que faz mestrado comigo cujo projeto tem a ver com isso), por isso que eu nem me choquei com o fato da menina não ter se visto como uma pessoa negra, mas acho muito triste esse discurso de que o negro é feio, é mal, é ruim. Acho muito triste ver crianças negras negando a sua cor, super valorizando o branco e o loiro, a ponto de se elas verem uma pessoa negra (por mais bonita que seja, mesmo que tenha traços de branco, como o nariz fino, por exemplo), elas não se identificarem com ela, julgando-a feia. Isso acontece mais do que a gente imagina e é muito, muito triste.

Só pra terminar, porque eu já falei demais, rs, indico para vocês o vídeo abaixo. Ele é resultado de uma pesquisa que aconteceu no México. Peço que considerem o fato de ter sido gravado no México, porque eu acho que são países diferentes. Aqui no Brasil o racismo é disfarçado de bullying, piadas, brincadeiras, e são através dessas coisas que o racismo está contaminando as crianças.


Se vocês tiverem animados:
a) Leiam esse post no Delicadíssima - se forem capazes. Eu consegui ler até metade, mais que isso o meu estomago começaria a embrulhar
b) *Vejam esse curta metragem, que é uma gracinha, chamado Cores e Botas, e vejam como a tomada de consciência pela sua própria identidade nos liberta (quem viveu na década de 80, começo de 90, pode se identificar ^^)

26/05/2012

IEI! O blog está voltando!

Oi pessoal! Estou semi-de volta! :] As coisas por aqui estão voltando ao esperado, então eu consegui uma folga para postar aqui rapidinho!

Como eu disse no post anterior, muitas coisas estão mudando. Se eu era uma pessoa antissocial, que negava tudo o que era padrão, e abominava ideias vazias; agora eu sou tudo isso e com referencial teórico! ;] Se antes eu me dedicava aos estudos da faculdade porque eu acreditava que isso poderia me ajudar num futuro próximo, agora eu estudo ainda mais porque eu acredito que posso ajudar muitas outras pessoas ;]

Diante disso, a primeira grande mudança que já está confirmada, é que o blog Subversão Ideológica deixará de ser um apêndice e vai voltar a ser parte integrante do blog. Eu separei ele porque eu não queria atormentar os leitores com as minhas crises sobre o mundo, mas agora decidi que é importante cutucar um pouquinho :] Faz bem pensar, gentem! Hê. Não vou deletar ele, ele vai ficar lá, com os arquivos, também porque, vai que eu mudo de ideia mais pra frente .-.

A segunda grande novidade é que eu vou tentar falar mais das coisas que eu gosto. A minha vida realmente me interessa, e eu acho terapêutico reler os arquivos do blog; quem segue o blog pode se interessar também, mas sinto que falta um pouco mais daquilo que eu sou. Por exemplo, eu tenho muuuitos filmes, amo assistir filmes, e praticamente nunca falei sobre filmes aqui. Acho estranho. Por isso também vou continuar com o “Escuta de novo”, dando indicações de músicas legais fora do circuito da indústria cultural de massa (redundância, eu sei). Pretendo falar um pouco sobre a minha experiência de ter saído da casa dos meus pais para estudar, morar em repúblicas (mesmo que eu nunca as tenha considerado repúblicas), e agora, morar solamente e como eu desenvolvi manias de organização e fobia por sujeita, rs :]

Não vou deixar de falar do mestrado, ainda mais porque me pediram para falar mais sobre isso; do meu trabalho que é lindo, e vai salvar o mundo \o/; das minhas crises existenciais, porque afinal eu tenho muitas e preciso escrever pra organizar as minhas ideias... Enfim, quero que o blog transpareça as mudanças que estão acontecendo na minha vida - quem é blogueira ha muito tempo sabe como o blog acompanha a vida :] - mantendo algumas coisas, adicionando outras. Adicionar e multiplicar, sempre!

Bom, queria dizer também que senti muita falta de postar, de ler o blog de vocês, de comentar, receber comentários... Aos poucos vou voltando, se não eu atropelo tudo. Não me abandonem ainda! Aguentem mais um pouco! :D

Dois beijos!


PS: Tem uma enquete na página do blog no faacebook. Passem lá pra responder e aproveitem pra curtir a página também :]

09/12/2011

Divulgação: Subversão Ideológica

Olás, estou aqui só pra divulgar a nova postagem do meu outro blog. Nesse post, na verdade, eu não escrevi nada, só coloquei um vídeo que eu vi a galera passando no facebook. Eu fiquei indignada, e queria saber qual a opinião de vocês nesse absurdo.

Para ver o blog, clique aqui

Se não quiserem participar da polêmica, entrem no blog só pra ver a cara nova dele, he : )

13/10/2011

Hoje tu ta presa

Não sei se todos sabem, mas eu faço faculdade de Música com habilitação em Educação Musical, e tenho trabalhado em alguns projetos, incluindo o estágio, em escolas estaduais tanto em bairro de classe média, central e periférico.

Um dos gêneros musicais mais ouvidos em todos eles é o funk. Para nós que estudamos Música, estamos acostumados a entender funk como aquele gênero musical criado na década de 60, que mistura jazz, soul e R&B, que tem como seu principal nome o James Brown; e nós costumamos dizer que funk é um gênero musical muito bom.

Mas o funk que os alunos escutam na escola não é esse, e esse funk, nós que estudamos Música, temos o costume de dizer que não é música, que é ruim, que é um lixo.

Eu particularmente não ouço funk em casa. Não tenho CDs, ou baixo na internet e coloco no celular para ficar escutando. Isso de forma bem genérica: quando eu descobri Gaiola das Popozudas eu achei o máximo algumas letras super feministas que diziam coisas do tipo: “eu dou pra quem quiser porque a porra da buceta é minha”. Qual o problema disso? Só porque a mulher quer estar no controle? Também passei bons tempos ouvindo Bonde do Rolê. Funk de classe média, me identifiquei, e adorei. Entre outros que não caberia citar.

Uma coisa que eu acredito que seja difícil discordar é que o ritmo do funk é muito contagiante. Por exemplo, ouçam essa batida. Ele te envolve e pede para que você se movimente junto. Não é o máximo?

A grande chave do problema, na minha opinião, e das pessoas com que eu costumo conversar sobre isso, é a letra.