22/06/2010

concerto de regentes




quem se importa com os braços que ficam tensos, as pernas que ficam bambas e as mãos que ficam geladas, quando se está diante de uma orquestra, com mais de cem músicos, pronta para mostrar para eles, e para o teatro lotado, que você estudou e se empenhou para fazer daquele um momento bonito; e você ouve seus amigos gritando seu nome, e vê nos olhos dos músicos a confiança de que você é capaz?.
subi no palco, e diante dos gritos amigos e desses olhares confortáveis, eu esqueci de todo o nervosismo e dei o melhor de mim. e deu tudo certo! por isso eu reforço: obrigado aos amigos que foram, aos que mataram aula para ir, aos meus pais que vieram de campinas só para me ver, aos que quiseram, mas não conseguiram ir, mas desejaram boa sorte. é ótimo a sensação de que as pessoas queridas estão nos apoiando.


traduzo a sensação: funciona como em uma montanha russa. enquanto você está na fila você quer que chegue logo, ao mesmo tempo que não, quer desistir... quando chega a hora você aproveita cada instante, cada frio na barriga, e quando acaba você sente um alívio gostoso e quer ir de novo :)




não está entendendo nada?


19/06/2010

#168

"Aprendi uma lição: não deixar você levar todos os meus planos, os meus desejos pra qualquer lugar"

18/06/2010

pensar atrai



é só ignorar que o comportamento se extingue.
(não pensar também funciona, assim, nada se atrai...) 

15/06/2010

mineiros da esquina

de carro, de ônibus, de carona, de qualquer jeito, só não tinha como perder. e olha que aquela gripe safada e aquela chuvinha sem vergonha quase me desanimaram.


o que aconteceu foi que semana passada, na feira do livro de ribeirão preto, teve um (re)encontro do clube da esquina, com flávio venturini, milton nascimento e lô borges. gente!, eles são verdadeiros monstros! (perguntem aos pais de vocês, eles certamente vão concordar).

no dia seguinte, liguei para os meus pais, para contar, com um pouco de medo de eles brigarem por eu ter dirigido na estrada a noite, e meu pai diz "um show desse não dava pra perder".

durou pouco, mas foi emocionante e intenso. como eu fiquei feliz....!

10/06/2010

Quem havia de dizer


Sei que vai haver o dia em que estaremos caminhando a luz de nossas rotinas e, sem querer, em um mesmo caminho inquestionável, a gente vai se cruzar. E então eu vou imaginar uma grande cena de cinema, onde o foco está apenas no encontro, acompanhado de uma belíssima música que passa a tocar, como forma de tornar o momento ainda mais intenso, selando o desejo que o coração tem de reviver. Alguém, disfarçando, irá falar 'quem havia de dizer que nos encontraríamos'. E sairíamos para outro lugar, com o pretexto de conversar com mais calma, e assim descobriríamos que os 'para sempre' do passado não correspondem mais, e assim suspiraríamos 'quem havia de dizer', enquanto nos distraíamos com o movimento dos carros, como forma de encobrir a nossa falta de assunto. E então, depois de termos repetido todas as palavras, por vezes, esdrúxulas¹, e não pudermos mais disfarçar o tédio entre os cigarros, e, entediadas as nossas mãos se encontrarem, sem destino, sua mão sobre a minha solidão, e toda aquela dor se transformar em silêncio, nós viraremos as costas. Levantaremos desnorteados, sem qualquer palavra, sem nenhuma canção ou poesia, como pessoas sem qualquer ligação fariam. 'A gente se vê qualquer dia'. Nos abraçaríamos o abraço eterno, e com a dor de estar deixando um grande amor, nos afastaríamos, sem sequer nos lamentar.



PS: Livre interpretação de 'Quem havia de dizer' (acredito que seja do Oswaldo Montenegro) PS: Essa música me lembra amores que se vão, porque eu sempre imagino como é reencontrar alguém que não se deixou de amar. PS: Ouçam a música, por favor, ela é lindíssima!

¹  "Todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos, são naturalmente ridículas" (Álvaro de Campos).

02/06/2010

Previsão do tempo

A previsão para hoje era sol e frio, mas o frio se manifestou com tanta autoridade que o sol demorou muito para conseguir dar as caras, e quando o fez, foi sutilmente posto de canto por uma chuvinha besta que resolveu aparecer. Naquela manhã, a tranqüilidade da água que corria seu curso, e meia dúzia de conversas agradáveis, distraia a atenção daqueles que tentavam disfarçar o porquê de estarem ali. E de tanta força para não pensar, pensou-se, e de tanta vontade de não fazer, fez-se. E se fez belíssima e triste, como a última nota de uma música que nos faz chorar. Na ânsia do fim, se afasta, segura as mãos, e ouve o coração que diz "fica", mas a boca traduz: "vá". Se vão, cada um com o coração do outro. Param: último suspiro, último olhar, último adeus. Último...

PS: A flor amarela, sabe? Selou aquilo que eu não vou esquecer.
PS: Nada como arrumar o armário para ter a sensação de organizar os sentimentos.