Sei que vai haver o dia em que estaremos caminhando a luz de nossas rotinas e, sem querer, em um mesmo caminho inquestionável, a gente vai se cruzar. E então eu vou imaginar uma grande cena de cinema, onde o foco está apenas no encontro, acompanhado de uma belíssima música que passa a tocar, como forma de tornar o momento ainda mais intenso, selando o desejo que o coração tem de reviver. Alguém, disfarçando, irá falar 'quem havia de dizer que nos encontraríamos'. E sairíamos para outro lugar, com o pretexto de conversar com mais calma, e assim descobriríamos que os 'para sempre' do passado não correspondem mais, e assim suspiraríamos 'quem havia de dizer', enquanto nos distraíamos com o movimento dos carros, como forma de encobrir a nossa falta de assunto. E então, depois de termos repetido todas as palavras, por vezes, esdrúxulas¹, e não pudermos mais disfarçar o tédio entre os cigarros, e, entediadas as nossas mãos se encontrarem, sem destino, sua mão sobre a minha solidão, e toda aquela dor se transformar em silêncio, nós viraremos as costas. Levantaremos desnorteados, sem qualquer palavra, sem nenhuma canção ou poesia, como pessoas sem qualquer ligação fariam. 'A gente se vê qualquer dia'. Nos abraçaríamos o abraço eterno, e com a dor de estar deixando um grande amor, nos afastaríamos, sem sequer nos lamentar.
PS: Livre interpretação de 'Quem havia de dizer' (acredito que seja do Oswaldo Montenegro) PS: Essa música me lembra amores que se vão, porque eu sempre imagino como é reencontrar alguém que não se deixou de amar. PS: Ouçam a música, por favor, ela é lindíssima!
¹ "Todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos, são naturalmente ridículas" (Álvaro de Campos).

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