O que talvez muitos de vocês que acompanham o blog não saibam, é que um dos meus gêneros musicais favoritos é o Rap Nacional. Desde quando eu tinha uns 12 ou 13 anos. Hoje, com menos intensidade e sem acompanhar as novidade, ainda ouço e gosto muito. Posso até dizer que o Rap fez eu ser o que eu sou (leia mais aqui).
Hoje eu estava lembrando do show do Dexter que teve em Campinas no ano passado. Eu fiquei mais de um mês planejando, morrendo de ansiedade. Quando o dia realmente chegou, o meu lado classe média começou a se manifestar. Eu ficava pensando: "eu vou ser a pessoa mais branca desse show, eu vou apanhar", "eu e meu namorado temos moicano, vão achar que a gente é punk e a gente vai apanhar" (...). De fato, eu devia ser a pessoa mais branca, todos ficaram olhando pra gente, a gente chamou muita atenção enquanto dançava loucamente ao som do KL Jay ou cantava a todos pulmões (no meu caso, rs), mas eu nunca fui tão bem tratada!
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Toda vez que alguém esbarrava em mim, pisava no meu pé, derrubava bebida, era uma chuva de "desculpa, foi mal" que eu desacredidei. E era pra mim, depois viravam pro meu namorado e pediam desculpa pra ele por terem feito qualquer coisa comigo. Juro, nunca vi tamanha educação/preocupação.
Sem contar o cara de Capão que se juntou a nós do lado de fora, que era simpático a sua maneira, e ficou conversando e bebendo com a gente.
Isso me fez pensar na visão que a gente tem das coisas. Sempre me julguei "melhor" por ouvir Rap, e me sentir mais próxima das pessoas que vivem nas periferias, por nós termos algo em comum; mas quando eu tive a chance de estar junto com essa galera, eu senti medo (não sei nem se "medo" é a palavra certa). Isso me provou que todos nós temos preconceitos e por mais que a gente não os aceite e não queira que eles se manifestem, eles estão dentro de nós. E enquanto nós não o entendermos e não soubermos lidar, ele ainda vai estar lá.


