29/04/2011

Vários convidados

O que talvez muitos de vocês que acompanham o blog não saibam, é que um dos meus gêneros musicais favoritos é o Rap Nacional. Desde quando eu tinha uns 12 ou 13 anos. Hoje, com menos intensidade e sem acompanhar as novidade, ainda ouço e gosto muito. Posso até dizer que o Rap fez eu ser o que eu sou (leia mais aqui).

Hoje eu estava lembrando do show do Dexter que teve em Campinas no ano passado. Eu fiquei mais de um mês planejando, morrendo de ansiedade. Quando o dia realmente chegou, o meu lado classe média começou a se manifestar. Eu ficava pensando: "eu vou ser a pessoa mais branca desse show, eu vou apanhar", "eu e meu namorado temos moicano, vão achar que a gente é punk e a gente vai apanhar" (...). De fato, eu devia ser a pessoa mais branca, todos ficaram olhando pra gente, a gente chamou muita atenção enquanto dançava loucamente ao som do KL Jay ou cantava a todos pulmões (no meu caso, rs), mas eu nunca fui tão bem tratada!

www.rapnacional.com.br

Toda vez que alguém esbarrava em mim, pisava no meu pé, derrubava bebida, era uma chuva de "desculpa, foi mal" que eu desacredidei. E era pra mim, depois viravam pro meu namorado e pediam desculpa pra ele por terem feito qualquer coisa comigo. Juro, nunca vi tamanha educação/preocupação.

Sem contar o cara de Capão que se juntou a nós do lado de fora, que era simpático a sua maneira, e ficou conversando e bebendo com a gente.

Isso me fez pensar na visão que a gente tem das coisas. Sempre me julguei "melhor" por ouvir Rap, e me sentir mais próxima das pessoas que vivem nas periferias, por nós termos algo em comum; mas quando eu tive a chance de estar junto com essa galera, eu senti medo (não sei nem se "medo" é a palavra certa). Isso me provou  que todos nós temos preconceitos e por mais que a gente não os aceite e não queira que eles se manifestem, eles estão dentro de nós. E enquanto nós não o entendermos e não soubermos lidar, ele ainda vai estar lá.

15/04/2011

Dois patinhos na lagoa

Eis que mais um ano se passou, e venho aqui compartilhar com vocês que hoje é meu aniversário e que eu estou completando meu vigésimo segundo ano de vida!


E nessa brincadeira de pensar sobre fazer aniversário, fiz uma lista de coisas que provam para mim que eu estou ficando velha:
- Este é meu último ano da faculdade,
- Abri uma poupança para o meu casamento,
- Leio textos sobre Educação e morro de vontade de ter um filho pra ser meu cobaia, he :)
- Vejo crianças e morro de vontade de ter filho,
- Folheio revistas de designe de interiores e planejo minha casa com o meu futuro marido
- Vivo no dilema da minha profissão: trabalhar muito e ganhar pouco: será que isso não tem solução?
Entre outras coisas, claro.

Ao mesmo tempo que tudo isso me desespera um pouco, estou tranquila, porque eu sei que eu vou fazer as coisas sem pressa, e que tudo vai dar certo.

O jeito é aproveitar mais um dia de festa, porque o resto...
seja o que for!

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Curiosidades
Em dias 15 de abril, o Titanic naufragou, Oswaldo de Andrade e sua mulher Pagu foram presos, foi inaugurado o primeiro McDonald's em uma cidade de Illinois, Fidel Castro visitou os EUA pela primeira vez, foi liberado o uso de cartão de crédito brasileiro no exterior. Leonardo da Vince e Fernando Pessoa nasciam; e Joey Ramone morria.

Com 22 anos, Gandhi já tinha três filhos, era casado há nove anos e trabalhava como advogado; Che Guevara fazia uma viagem por 12 províncias Argentinas, percorrendo 4 mil km em uma moto.

01/04/2011

Seja voluntário

É o seguinte: começou a campanha universitária da ONG Um teto para meu País, e como eu sempre faço, estou aqui para convencê-los a participar.

Fui voluntária duas vezes durante as construções universitárias de férias. Duas foram as vezes que eu consegui, mas já estive, em pensamento, em várias outras.

Quero deixar claro que não é fácil. Não tenho pretensão nenhuma de iludir ninguém. Viajar para São Paulo é demorado e caro – isso sempre me breca.

Para mim, estar com pessoas que eu não conheço é verdadeiramente penoso: eu julgo muito, não me sinto a vontade... E lá estou fora da minha zona de conforto, sem ter pra onde fugir.

Quando a caixa de água da escola onde ficamos alojados é pequena e insuficiente, não podemos tomar banho – ou banho ou água para beber e fazer comida. E quando se meche com terra, madeira, e fica em baixo do sol, isso é terrível.

Acordar cedo é um dos meus tormentos. Acordar cedo, tendo ido dormir tarde e cansada, com pessoas super animadas, me irrita.

Mas eu não fui ser voluntária pensando em mim.

Subir e descer morros, andar por vielas estreitas, carregar muita madeira, cavar buracos, martelar, enquanto o sol nasce até ele morrer... Todo aquele exercício físico que eu nunca fiz na vida. Cansa. Cansa muito.

Das famílias que conheci, uma onde a filha parou de falar depois de um tapa que levou da professora; outra que estava grávida do 11º filho; uma que teve que levar o filho pra longe porque ele não dormia de tanto pensar na casa que ia ganhar.

Realmente, nada daquele esforço eu estava fazendo para mim.

Mas estranhamente eu saio com a sensação de ter ganhado uma nova vida.

Não tenho coragem de reclamar de falta de dinheiro, dos meus pais que não me entendem, de ter que andar a pé, no sol, carregar peso. “Eu já ergui uma casa” – é o que eu sempre falo quando quero dizer que sou forte.

Mas sinto raiva de ver outras pessoas reclamando por tão pouco, por falta de dinheiro, por uma saúde mais instável, por não terem a casa dos sonhos, precisarem de tantas drogas para conseguir encarar a vida, e tantas outras coisas que a gente sempre reclama sem pensar... Sinto tanta raiva quando ouço essas reclamações, mas a única coisa que eu penso é: “Vá construir com o Teto”.

Minha vida não é perfeita, e eu sei que não vai ser. A sua também não será, e não é pessimismo. Precisamos dos momentos baixos para valorizar os altos, e dos altos para conseguirmos sair dos baixos.

Você pode dar um sentido para a sua vida ajudando alguém que está abaixo da linha da miséria e que está tão acostumado com a pobreza que não acredita mais em uma vida melhor.

Um novo teto é só um símbolo. Um impulso para o recomeço. É um chacoalhão, “olha, sua vida pode melhorar”. Nós, classe médias, subidos o morro e erguemos uma casa, tão inesperado quanto isso, sua vida pode melhorar.

E você pode tornar isso real. Basta perceber que você ganha muito mais do que doa, e que mesmo sendo pouco, muitas pessoas ganham com você.

Faça a diferença. Seja voluntário.
Campanha Universitária 2011
Construções dias 21, 22 e 23. Saiba mais em umtetoparameupais.org.br