11/04/2014

Depois de Lucía

     De tempos em tempos eu decido que preciso ver um filme pra chorar. É que eu não costumo chorar muito, mesmo quando alguma coisa me deixa bastante chateada, então chega um momento em que eu fico com várias coisas guardadas precisando ser "choradas", e a melhor saída que eu me dou é assistir um filme triste que me faça começar a chorar - difícil é conseguir parar, rs.

Então fui procurar na minha lista de quero ver no Filmow algum drama e encontrei Depois de Lucia. A sinopse que está lá no site é:

Desde a morte de sua esposa, Roberto não consegue dedicar muito tempo à sua filha Alejandra, uma jovem de 15 anos. Para escapar da depressão que passa a dominar a rotina dos dois, pai e filha deixam a cidade de Vallarda em busca de uma nova vida na Cidade do México. Envergonhada e incapaz de explicar para o pai as razões, Alejandra omitirá as humilhações e abusos emocionais e físicos sofridos em seu novo colégio. Os dois vão se distanciando cada vez mais, à medida que a violência toma conta de suas vidas.

Confesso que o que me chamou a atenção foi a capa, e eu praticamente não tinha prestado atenção na sinopse. Mais acontece que esse filme é muito mais do que um retrato de bullying, como muitas pessoas descreveram nos comentários do Filmow. Na minha opinião, pra ser bem sincera, o bullying já é uma violência, mas nesse filme a violência é em níveis tão exagerados, que chamar isso de bullying é a mesma coisa que dizer que isso é uma brincadeira de adolescentes sem importância!

Não, não, não!

O filme é tão tenso, tão agoniantes, que deveria ser catalogado como "terror" ao invés de "drama". No final do filme, eu sentia tanta dor, tanta tristeza, tanta raiva, tanto ódio, que eu nem consegui chorar!!

Bom, mas deixa eu contar sobre o filme (contém alguns detalhes sobre o filme):

Lucía era a mãe de Alejandra, que faleceu em um acidente. Depois da sua morte, a Ale e seu pai custam em retomar suas vidas. Embora eles tentem, a relação deles não é muito próxima, e os dois não conseguem superar a perda. Eles acabam se mudando de cidade, e Ale conhece algumas meninas na nova escola. Elas ficam amigas e logo Ale já faz parte do grupinho dessas meninas, sendo até convidada para ir a uma festa. Nesta festa, ela acaba flertando com um dos garotos do grupo, e no final da festa eles transam. No dia seguinte, quase toda a escola já estava sabendo disso pois eles haviam gravado o sexo no celular do menino, e um amigo dele espalhou pra todo mundo. Acontece que uma das meninas que Ale tinha ficado amiga gostava desse menino, e ela ficou revoltada. Ale teria superado tudo isso, pois o menino pediu desculpas e se mostrou realmente preocupado com isso, mas essa menina fez da vida da Ale um inferno.



Eu não vou detalhar, porque eu acho que histórias como essas a gente já está quase se cansando de ouvir: casal grava vídeo durante o sexo, rapaz compartilha o vídeo, garota é tachada de vadia e o mundo todo se acha no direito de julga-la e humilha-la, enquanto não se fala nada do rapaz.

Acontece que o filme não pára aí. Não para, sabe porque? Sabe aqueles comentários que as pessoas deixam nas páginas de noticias? Aqueles comentários que a gente NUNCA deve ler pra não perder a fé na humanidade? Pois é, por trás dos comentários anônimos pela internet há pessoas reais de carne e osso, e são essas pessoas que, no filme, vão se achar no direito de fazer o que quiserem com a Alejandra.

Ale é humilhada em todos os sentidos: fisicamente, esteticamente, emocionalmente, sexualmente...! 

Ao mesmo tempo, seu pai vai se afundando em uma tristeza por conta da morte de Lucía. Ele não consegue se dar bem no emprego, e nem superar a tristeza. Vendo seu pai triste, Ale não quer preocupá-lo e acaba não contanto nada, nem do vídeo, nem das outras violências (sim, violênciaS!). E com o tempo, além da tristeza pela morte da mãe, pela tristeza do pai, Ale parece que se anestesia, e ela não consegue mais reagir. Ela não tem motivos, ela não tem forças, ela não tem apoio, não tem auto-estima. Parece até que não sente dor por tudo o que acontece, porque ela não expressa nenhum sentimento.

Mas a gente percebe. Quem assiste o filme sente como ela se sente. A gente sente a sua dor, e a gente fica com ódio por ela não reagir, por não contar pra ninguém. Mas a gente sabe como ela está fragilizada, e a gente só quer dar um abraço nela. A gente sente ódio por não poder fazer nada. A gente sente ódio pelas pessoas que fizeram todas essas coisas com ela!

Ale foi vítima de uma sociedade machista. Ale foi vítima de homens e mulheres machistas. Ale foi julgada por pessoas machistas: no filme, todos acharam que poderiam usa-la; na vida real, muitos acharam impossível alguém ser tão passivo nessa situação, e que foi ela quem não colocou um limite (oi?!)

Esse filme, na minha opinião, serve pra gente entrar no mundo da vítima de abuso sexual, entender seus medos, suas tristezas, suas dores, e não para julga-la - porque, lembram: a culpa nunca é da vítima! Ah, e pra gente aprender até onde é bullying, e onde começa a ser violência pura e cruel. Esse filme não é pra você continuar sendo como era antes, esse filme é para você se permitir ver as coisas por outro angulo!

O filme é forte, como eu disse, me deu tanta raiva que eu nem consegui chorar. Me fez ficar com ódio do mundo, com nojo das pessoas. Tentei procurar mais fotos pra colocar aqui, mas confesso que só de ver as imagens já me da uma sensação ruim...

Embora o filme seja todo tenso, todo triste, vale muito a pena assistir. Inclusive, acho que ele é um filme obrigatório para todas as pessoas no mundo! De verdade!

Sei que eu sou péssima em fazer sinopse, ainda mais sem contar detalhes cruciais que podem estragar o suspense, já que o filme mexeu muito comigo. Mas eu peço, por favor, prometam que vão assistir esse filme, e prometam que nunca vão culpar uma vítima de estupro ou qualquer outra violência sexual, e prometam que vão sempre tentar ser pessoas melhores para o mundo não ser dominado por essa aberração humana!!


4 comentários:

  1. Já li uma resenha sobre esse filme faz um certo tempo, tinha falado que o assistiria e acabei me esquecendo, deixei anotado no post it para baixá-lo dessa vez.

    http://www.novaperspectiva.com/

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  2. Já li uma resenha sobre esse filme faz um certo tempo, tinha falado que o assistiria e acabei me esquecendo, deixei anotado no post it para baixá-lo dessa vez.

    http://www.novaperspectiva.com/

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  3. Eu tenho quase certeza que este filme está na minha lista de Quero Ver do Filmow, mas mesmo que não esteja eu prometo que irei ver. Fiquei com mais vontade ainda de vê-lo depois da sua resenha, achei muito interessante e divido a sua opinião sobre esse assunto! Eu entendo o seu desespero em pensar que parece que o mundo está ao contrário, às vezes também me bate esse desespero quando eu leio os tais comentários que você falou ou até mesmo quando a gente vê algumas coisas por aí acontecendo. Mas eu sempre prefiro acreditar que esse tipo de gente é minoria. Assim espero!

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