Nem sempre os pés foram fixos no chão,
Houve um tempo em que corria carregada pelo vento.
O vento amigo que deixava tudo mais fresco e leve
tinha também a esperteza de ensinar a relevar.
E assim relevava o tempo,
as condições,
os motivos,
e tudo era dança, turo era festa.
Quando cessava a ventania corrida ficava um vazio
vazio que só era preenchido com a esperançosa sensação de que o vento iria voltar.
E ele sempre voltava!
Até que um dia,
sem aviso,
sem renúncia,
sem carta de despedida,
nunca mais voltou.
Aquele antigo vazio nem se comparava com essa dor!
Não bastava outras brisas,
outras danças,
nada daquilo consolava.
E foi ficando estática,
cada vez mais estática,
até se esquecer que poderia se mexer.
Até que nunca mais se mexeu.
Um dia, virou os olhos
e percebeu que em seu pé cresciam raízes.
Tentou escapar,
mas já era tarde demais.
Ela estava para sempre
com os pés fixos no chão"
(O bom de fuçar em papéis jogados por aí é que a gente sempre encontra aquele escrito impensado, que nasceu da vontade de gritar para o mundo aquele sentimento inominável. Na época fazia sentido, hoje, me soa deveras exagerado).

Eu gostei! E me identifiquei um pouco no início! ;D
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