01/07/2008

Oh, triste senhora! Disfarça e chora.

Tanta espera para uma festa. Tanta espectiva, planos... para eles serem quebrados por uma verdade que há muito tempo eu custava enxergar. Nem saudade, nem antigas lembranças na cabeça, nada, só um abismo gigantesco entre o que eu me tornei e o que eles continuaram sendo.

Meu problema foi não confiar. Sempre exigi que acreditassem em mim, me esforçava para que pudessem confiar, fazia as pessoas se sentirem seguras perto de mim, mesmo que eu nunca tivesse efetivamente feito alguma coisa ou demonstrasse isso. Tavlez elas sentissem. O contrário poucas vezes aconteceu. As pessoas diziam “conta comigo”, e toda vez, para mim, era da boca para fora, mesmo que eu sentisse que podia confiar, eu não confiava, por segurança.
Foi no segundo colegial que me disseram “A gente já se conhece há um ano e não sabemos nada sobre você, a gente sempre conta tudo e você nunca conta nada”. Me senti mal. Aquelas pessoas que eram adoráveis comigo estavam incomodadas, e eu passei a me abrir. Mas foram coisas banais, nunca contei alguma coisa que importasse; segredos, confições, desabafos... foram só coisas que perceberiam/descobriram com a convivência.
Percebi o quão falsa eu estava sendo com os outro e comigo. Estava fazendo-os achar que confiava neles, e fingindo estar bem tendo que contar coisas sobre mim. Eu nunca acreditei que realmente se interessavam por mim. Para mim, o que eles queriam era alguma demonstração de confiança para poder chamar nossa relação de amizade, não que eles, necessariamente, se importassem. Também porque nunca me perguntavam coisas realmente úteis.
Se importar com quantas vezes eu saio por semana, quantas pessoas diferentes eu beijo ou quais as besteiras que eu falei bêbada não é válido. Queria que me perguntassem como eu estou me sentindo. Queria que me perguntasse como foi descobrir, com 9 anos, que meu irmão era autista, como era ver ele tendo convulsão e vomitando, como era ver meus pais chorando, e como era dormir em casa e acordar na minha vó, sem meus pais. Queria que me abraçassem quando um cara que eu gostei muito mudou de país. Que tivessem percebido quando eu pseudo-tive depressão. Queria mãos quando eu brigava com os meus pais. Votos de felicidade para o meu namoro...
Não queria amizades carnais. Queria conversar por pensamento, falar coisas abstratas para explicar todos os fatos da vida. Preferiria mil vezes sentar num balanço em uma praça e falar sobre a infância, a velhice, os amores, as metas. Nada concreto, tudo incerto. Queria encontros para dar um abraço, dizer o quanto isso me é importante e ir embora, só. Deitar na rua e olhar o céu, inventar histórias para cada estrela, segurar a mão e me sentir não apenas instantaneamente feliz. Sentir saudades, lembrar da voz. Talvez sem histórias para se lembrar no futuro, ou momentos engraçados a compartilhar, mas um livre sensação de real entrega, não só de confiança.

Não confiar me desgastou. Desgastou a ponto de não tolerar/suportar as diferenças que temos. A ponto de me fazer olhá-los e sentir vergonha de ter sido igual. Nunca foi tão triste perceber que não temos mais nada em comum. E foi muito mais triste perceber que eu não tenho mais vontade nenhuma de insistir nisso. Eu já sabia, mas não queria ter as provas. Uma das “revelações” mais tristes que eu tive, e, com certeza, eu ainda vou ter que chorar muito para aceitar.

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