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08/02/2012

Ode aos dias de hoje

Coisas da vida ou não, nessa edição do amigo secreto eu tirei a Pet, como no ano passado. Fiquei pensando, com os meus botões criativos, que a gente deve ter criado uma espécie de ligação tão forte, que vai além das possibilidades dos sorteios aleatórios de sites :) Pensar nisso me emocionou muito, hê.

Quis fazer uma coisa diferente esse ano, como no ano passado eu pedi para ela indicar uma música e eu escrevi o texto em cima dele, eu decidi fazer a minha própria música. Sei que a Pet toca bateria, então espero que ela, como musicista, goste dessa singela composição!

Para Pet, Ode aos dias de hoje

OdeAosDias[NataliaSeverino].MID

Revelação do Amigo Secreto, terceira edição.


08/01/2011

Certos acordes

As unhas quebradiças e amareladas tentavam se equilibrar sobre as cordas. Sua fragilidade ainda podia ser vista pelas rápidas piscadelas, por onde se esvaia a sua insegurança de aprendiz. Tinha, porém, olhos atentos à professora. Queria retribuir à paciência dela, queria retribuir ao fato de alguém confiar nele e perder a tarde com ele e acreditar que ele podia aprender. E ficar ali, o tempo que fosse preciso, até que ele aprendesse. Queria aprender logo e queria se tornar um grande músico e compor uma linda canção para orgulhar a professora. Queria tocar na frente de um monte de gente e queria tocar lá no morro. Enquanto soasse os tiros, quebrando o silencio da madrugada, os mesmos tiros que eram sua canção de ninar, os tiros que se ouve todas as noites e que levam crianças para baixo da mesa e mães de joelhos sobre o altar – enquanto soasse o barulho deles, ele tocaria bem alto, e a música então poderia ensurdecer o barulho dos tiros e sufocar o ódio que pudesse estar escondido no peito daqueles que estivessem puxando os gatilhos. Acredita que a música pudesse fazê-los sonhar ou esquecer-se do que quer que estejam pensando, esquecer das drogas, do dinheiro, dos problemas, das armas – as dele ou as dos seus irmãos. E quem sabe eles também sentissem vontade de aprender e quem sabe pudessem também ser grandes músicos e tocar para muita gente – e quem sabe ele pudesse ensinar e fazer sair daqueles olhos duros, olhares de luz com notas de poesia. Entrou pela janela da sala de aula uma brisa leve, que sacudiu as cortinas velhas. Ele desviou o olhar para elas, como se a brisa tivesse cor, como se fosse uma dama, e estivesse muitíssimo bem vestida. A professora olhou ao redor. As paredes descascadas e sofridas como as mãos do menino. As cadeiras e mesas calejadas como eram os dedos indicadores que tanto se esforçavam para que deles também saíssem coisas belas – e não só o trabalho. E quem sabe ele pudesse finalmente ser apenas uma criança – enquanto diante dele, ali, estariam prostrados os sonhos e a confiança de sua primeira (senão única) professora, no sentido mais fiel que uma palavra pode ter. Quem sabe existam outras iguais à ela.


Presente da querida Mel Sliominas.