31/12/2012

Praia

houve um tempo em que era possível caminhar sozinha, tranquilamente, pela noite, e até mesmo caminhar pela praia. naquele tempo, com a desculpa de que iria ver se eu encontrava algum conhecido, eu saia de casa logo que o sol se punha e ia caminhando até a praia. lá eu sentava na areia e ficava me revesando entre olhar o céu e olhar o mar. a praia a noite sempre me encantou. nessa época eu pensava muito sobre a vida, sobre minhas escolhas, sobre as minhas frustrações e perdas. também planejava quais seriam os próximos passos e que atitudes eram urgentes. eu pensava tão profundamente que muitas vezes eu chorava pelo simples fato de me encarar, me reconhecer, me enfrentar e me aceitar. ao mesmo tempo em que é doído, é bom, é necessário. depois de alguns anos já não era possível sair de casa a noite sem estar acompanhada. e qualquer companhia, por mais bem intencionada que fosse, não permitia que meu encontro acontecesse. e esses encarar-me, com o tempo, com a falta de espaços propícios, com a correria do dia a dia, deixaram de existir.

não tem como os finais de ano não me lembrarem daqueles tempos. me sinto na obrigação de retomar tudo o que foi feito, o que foi aprendido no ano corrente, para poder melhorar o ano seguinte. mas não o faço. me acomodei a ausência da praia, da brisa do mar, do céu estrelado. mudo de ano apenas como quem toma um banho e diz "ai, que alivio", mas no fundo, vou continuar as mesmas práticas que me suam, me sujam e me cansam.

tem me custado essa falta de tempo para mim. mau humor fora de hora, sono desregulado é o que fica mais explicito, mas o descontentamento com o que ha de vir tem estado cada vez mais crescente. e a vontade de parar no tempo pra resolver todas as questões que me tiram o sono me fazem querer estar, agora, em uma praia, sozinha, sentada na areia, com a minha lista mental de assuntos para serem refletidos e ponderados, e só levantar quando tiver a certeza de que eu achei todos os caminhos que eu devo percorrer no próximo ano. sem isso, sigo com a maré, torcendo para que ela me leve para um bom lugar, agradecendo quando isso acontece, resmungando quando não, porém, de forma passiva, aceitando tudo o que me vem, sem ir além, sem voltar pra trás.

queria um tempo sozinha, começar o ano sozinha.

29/12/2012

E o mundo não acabou

Nossa, que feio. Minha última postagem "de verdade" foi há mais de um mês. Odeio ficar tanto tempo longe do blog, sem entrar nos meus blog favoritos, responder comentários, etc, mas é que não deu. O mestrado exigiu de mim nesses últimos dias dedicação exclusiva, e eu não pude negar. Felizmente entreguei todos os trabalhos, terminei todas as disciplinas, e ano que vem é "só" escrever a dissertação, então vamo que vamo.

Queria só desejar a vocês que acompanham o blog, e a quem por ventura tenha caído aqui, um feliz ano novo! Que a entrada de um novo ano renove as energias para mais um ano, que renove as esperanças, as forças...! Que 2013 seja o ano em que nós conseguiremos olhar mais para os outros, que possamos ser um grão de estrela, mas um pequeno grão que faça a diferença! Que a gente consiga manter bons pensamentos e nutrir bons sentimentos. Enfim, que 2013 seja diferente, que seja melhor, que sejamos pessoas melhores! - afinal, o mundo não acabou então devemos ser gratos, né?

E que venha 2013! \o/



10/12/2012

Desafio 21

Na falta do que falar, vim aqui compartilhar sobre o desafio 21 da Revista 21. O desafio já acabou, mas agora está no ar a votação para a quarta semifinal. Eu tenho muita dificuldade para participar desses desafios em que cada dia há um tema porque eu tenho preferencia por fazer as coisas tudo de uma vez, ao invés de ir fazendo aos poucos - porque eu acabo sempre arrumando outras coisas pra fazer no meio do caminho. Mesmo assim, consegui participar deste desafio do começo ao fim :)

Além dessa alegria que já me faz vitoriosa, tive três fotos escolhidas para as semifinais. Fiquei maior contente porque eu nem sou fotógrafa e nem tenho uma máquina boa e essas coisas. Daí que está no ar a votação e duas das fotos que estão para serem votadas são minhas. Que coisa feliz! :) Então se gostarem das fotos e acharem que elas merecem, votem para elas irem pra final! É super fácil!

Vota pra me deixar mais feliz?
0:D

25/11/2012

A gente precisa de férias

Sempre que meu namorado ia para a casa do irmão dele, eu ficava um pouco preocupada. Nunca se sabe o que dois irmãos, cansados da rotina, podem querer fazer para desestressar. Eu com a minha imaginação incontrolável, suponho desde jogar rpg em casa à stripper club. Tenso.

Mas das últimas vezes, meu coração tem se acalmado. Toda vez que meu namorado está na casa do irmão, ele me manda mensagens espontâneas de amor. Coisas como você é perfeita pra mim, você é minha luz, quero passar a vida inteira com você são ditas com mais frequência quando ele está lá do que em dias comuns - vale aqui uma pesquisa estatística para comprovar -- e fica a dica pro namorado ;)

Isso porque meu cunhado e a namorida dele brigam bastante, por diversos motivos (e, na minha opinião de observadora, até sem motivos). Kleiton e eu não brigamos com frequência, mas vez ou outra, por cansaço ou cabeçadurice (ação de quem é cabeça-dura), discutimos até mesmo com certo fervor. Estas são mais raras.

Hoje ele me mandou um e-mail dizendo que odeia brigar comigo, e depois da minha resposta humorada, ele re-respondeu um monte de coisas super amor e concluiu: "então pára de inventar motivo besta pra brigar".

Ora, eu não brigo muito, mas quando eu brigo é porque eu acho realmente necessário ou porque não estou disposta a abaixar a cabeça. Mesmo que eu seja orgulhosa, egoísta, etc, eu sei que não preciso brigar por tudo, que dá pra aceitar algumas coisas mesmo que não seja do jeito que eu gostaria que fosse. É difícil pra mim, mas eu estou aprendendo. Afinal, estar em um relacionamento é isso. Se a gente nunca se entende, se a gente nunca se acerta, não há amor que aguente. Ele respondeu dizendo que as vezes acha algumas das nossas brigas desnecessárias.

Mas e como saber se aquele assunto deve ser discutido com mais afinco? Em outras palavras: como eu vou saber se ele quer brigar sobre aquilo? Eu propus que fizéssemos uma votação, e ele achou justo. Copio para vocês o modelo do documento a ser enviado cada vez que surgir uma nova pauta para discussão:

Prezado(a) namorado(a),
Você está sendo convocado para uma discussão com a sua(seu) namorada(o). A discussão gira em torno da questão: "quem é aquela vadia que postou no seu facebook que estava com saudades?" [você pode alterar o tema aqui]
Para mais detalhes sobre o tópico de discussão, bem como os argumentos para tornar este um assunto importante a ser discutido, verifique o anexo.
Favor responder este comunicado informando o seu interesse em participar ou não da discussão. Caso seja favorável ao convite, sugira melhor dia e horário; caso seja contrario, envie a justificativa.
Sem mais,
Agradeço a atenção.
Namorada(o)


PS: o mestrado tá acabando com a nossa noção de vida!

08/11/2012

Blogueiro secreto 2012

Chegou novembro e com ele a brincadeira de final de ano mais legal entre blogueiros: o amigo secreto!


O Blogueiro Secreto vem crescendo a cada ano, e já está na sua quarta edição! Todos estão convidados a participar, desde que tenha um blog.

Se você entrar no blog do Blogueiro Secreto, você poderá ver como funciona, quais são as regras e se inscrever! É muito simples, muito fácil!

Espero vocês por lá! :)

24/10/2012

Essa terra não te pertence!

Eu não gosto de me meter nas questões indígenas. Não gosto porque simplesmente eu não sei o que é melhor para eles, e muitas vezes eu duvido das coisas que dizem por aí, até mesmo quando essas coisas se dizem pró-indígenas ou quando essas coisas parecem vir diretamente deles.

Diferentemente da questão do parque indígena do Xingu, essa história dos índios Guarani-Kaiowá tem me chamado a intenção. Independentemente se eles vão mesmo cometer suicídio coletivo, ou se isso é só uma jogada de marketing de quem quer divulgar a situação, na carta escrita pela comunidade Guarani-Kaiowá eles deixam bem claro que a vida deles depende daquela terra, e que aquela terra é o que os mantém vivos, que se não for dessa maneira, eles não vão sobreviver.



O que me deixa mais triste nessa história toda é que pela carta eu não vejo só a resistência de quem sabe que essa situação não é a certa, é injusta, mas a tristeza de quem, no fundo, cansou de precisar resistir, de quem aceita a morte por não ver outra alternativa.

Se o suicídio coletivo vai mesmo acontecer, se apenas alguns mais desesperançosos vão ou já se mataram, não sei se é bem essa a questão. Não é bem essa porque se eles morrem acaba o problema. Se bem que ao meu ver, o problema não é a existência dos indígenas, mas o desrespeito à vida deles. Enfim, o problema não acaba com o fim da vida deles porque ainda há outras comunidades indígenas que estão em situações bem parecidas!

Essa história precisa chamar atenção, seja por frases de efeitos, seja por fotos trágicas (na verdade, não gosto muito de usar fotos trágicas pra chamar atenção), seja como for... mas os verdadeiros brasileiros precisam e merecem o direito de ter uma vida digna, e aceita de tudo, merecem o respeito pelas suas terras e pela a sua cultura.



23/10/2012

Resolve pra mim?

Daí eu percebo que não estou fazendo o que eu queria estar fazendo.
Que a curiosidade que deve me mover não existe.
E quem deveria me abrir os caminhos não sabe pra onde ir.
A pessoa que quis ajudar não percebeu o quanto foi estúpida.
O trabalho me contagia mil vezes mais do que o estudo.
Estudar tem se tornado cada vez mais inexpressivo.
Disfarço ansiedade e raiva fazendo faxina todos os dias.
Não sei dizer se estou cansada ou deprimida.

14/10/2012

Água de beber, camará

Não que eu não gostasse de água, mas não tinha o costume de beber...


Eu era o tipo de pessoa que só bebia água quando sentia sede, mesmo já tendo ouvido milhões de vezes que quando você sente sede, é porque o corpo já tá gritando de necessidade de água!

De tempos em tempos eu chegava a me preocupar com isso, e por mais que eu me falasse "puxa, não bebi água ainda hoje", mesmo que já fosse 9 da noite, se eu não estivesse com a boca seca, eu não ia beber.

Cheguei a comentar com a minha mãe. Ela disse que tem uma técnica: sempre que ela chega, ela bebe um copo d'água. Como assim? Sempre que ela chega em casa, por exemplo, ela bebe um copo d'água. Se ela vai ao shopping, ela procura um bebedouro pra tomar água. Para mim foi uma forma de começar.

Nas primeiras semanas me limitei às chegadas, mas com o passar dos dias, fui me habituando e ampliando: enquanto eu fazia o almoço, eu tomava um copo, enquanto estava lendo algum texto, outro copo, e assim até aumentar progressivamente a minha quantidade de água diária.

Estou há cerca de 2 ou 3 meses nesse combate, e já posso apontar para vocês algumas melhorias no meu corpo, que, sem dúvidas, eu credito à água: Minha pele passou de mais-do-que-extremamente-seca para seca! :D Era impressionante a quantidade de vezes que eu passava hidratante durante o dia, agora eu passo só quando eu saio do banho, e no máximo 1 ou 2 vezes durante o dia (isso porque eu já tinha ido na dermatologista e tudo mais).

Com o tempo seco que anda fazendo em São Carlos, meu nariz estava que não se aguentava mais. Agora ele voltou ao normal :D Minhas dores do braço, que tinham cara de tendinite, diminuíram consideravelmente. Me sinto menos inchada, tenho ido mais ao banheiro, diminuiu a celulite, meus cabelos estão caindo menos...

Isso das coisas que eu percebi - e que eu pesquisei na internet pra ver se tinha relação, haha. E se vocês pesquisarem na internet vão ver que tem muuuitos outro benefícios!!

Estou extremamente feliz e satisfeita com toda essa mudança de hábito e que influenciou na minha saúde e na minha aparência. Então, se eu puder dar uma dica para vocês, a minha dica é essa: beba água!

we ♥ it





Atenção, esse não é um texto científico.
Na dúvida, não acredite em mim ;)


10/10/2012

Piada engraçada. Para quem?

Eu sempre tive problemas com piadas. Mesmo na época em que eu dizia que comédia era meu gênero de filme favorito, eu já tinha esses problemas. Por isso até que no final dos anos 90, começo dos anos 2000, eu já não assistia esses problemas humorísticos da tv. Nem "a praça é nossa", muito menos " zorra total", e ouso  até exagerar, nem "as cacetadas do Faustão".


Nunca achei digno de riso a desgraça alheia, a humilhação alheia. Nós que fomos nerds na época da escola sabemos que enquanto uma pessoa ri, a outra chora, e para mim não é humano rir nessas condições. Em hipótese alguma.

Acho que já nasci assim, mas dois fatos reforçaram: a) quando eu tinha, sei lá, uns 10 anos, meu irmão foi diagnosticado com comportamento autista. As crianças do prédio que eu morava adoravam tirar sarro. Enquanto elas se divertiam, eu ficava extremamente chateada, ainda mais porque meu irmão não podia se defender. Me tornei um pouco intolerante, assumo, desde então. Fez piada com qualquer tipo de deficiência física, mental, ou o que for, ou vai ouvir um discurso enorme (que venho praticando ao longo destes 10 anos) ou vai sentir o meu total desprezo - e até a pessoa mais avoada percebe que eu mudo completamente. Sei que ninguém precisa saber lidar com as deficiências (ainda mais porque elas são super diversas), mas acho que fazer piada e desrespeitar é o cúmulo da falta de humanização, não tenho porque tolerar.

b) quando, por volta dos meus 14 anos, eu me descobri bissexual, comecei a ficar mais sensível com as causas gays. Mesmo que naquela época já fosse óbvio para mim que não havia problemas em uma pessoa ser gay, quanto mais eu reparava nos outros, mais eu descobria como a sociedade via nisso uma grande aberração. Eu juro, para mim não faz sentido nenhum, nenhum dos argumentos contra a homoafetividade! É uma coisa que eu não consigo nem entender... Mas enfim, percebi que por trás de "ah, seu viado", "igual a uma bicha louca", "vai tomar no cu", tem uma ideologia que prega que ser gay é errado/feio, e que portanto você pode xingar seu amigo de viado, e mandar ele tomar no cu, que ele, automaticamente sendo comparado a um gay, fica verdadeiramente ofendido. Meu total desprezo para todos que fazem isso.

Essas são experiências pessoais minhas que eu não quero que sejam perpetuadas através de piadas. Porque, sim, a gente perpetua ideias, concepções, esteriótipos, ódio e descriminação através da piada. Ou nenhuma mulher nunca ouviu que tem porte de arma pra se referir à carteira de motorista? Sempre fico me perguntando "para quem" aquela piada é engraçada. Só pra quem oprime, ou pra vítima totalmente alienada que não percebe que estão rindo dela.

Eu como vítima de muitas descriminações feitas através de piadas me sinto menosprezada, desvalorizada, desumanizada e desrespeitada. E eu não quero que outras pessoas se sintam assim.

Você pode não se sentir ofendida ou ofendido com as piadas sobre mulheres, negros, gays, pessoas gordas, deficientes, loiras, corintianos, etc, mas saiba que quando você ri você assina um contrato dizendo que concorda tanto com aquilo, que você até se diverte. E saiba que em algum lugar, alguma pessoa mais desequilibrada espanca ou mata alguém por conta das mesmas ideias que te fazem rir.

Ainda acha graça?

Pois eu não acho e não dou risada por educação. 





Só pra frisar porque eu realmente acho necessário. Eu sou uma pessoa divertida, ao contrário da possível imagem que o post pode ter causado x) Quem convive comigo sabe que eu dou muita risada. Eu adoro rir e valorizo muito quem me faz rir. Também conto as minhas piadas e tento ser engraçada. Isso só comprova que esse discurso de que o humor vai acabar por causa do politicamente correto é discurso de reacionário. Fique espert@!
Outra coisa, como uma boa educadora que desejo ser, eu não xingo nem brigo nem humilho quem faz piadas que eu considero sem graça, sobre assuntos que não são para brincar. Já briguei muito, mas agora entendo que as pessoas precisam se conscientizar antes de mudarem. Mas não posso - e nem vou - ser incoerente com o que eu acredito, porque é um desrespeito não só a mim, mas também a quem me dirige a piada, fingir que achei engraçado só por educação.
É isso, exagerado talvez, mas sincero. Para pensar :) 

08/10/2012

A guerra não declarada na visão de um favelado

Eu não costumo comprar livros. Não porque ache caro (até acho), ou porque ache desperdício comprar e não ler mais de uma vez (acho também), mas simplesmente porque se não forem livros de estudo e/ou consulta, nada me convence a comprar.

Mas eis que um livro me convenceu: A guerra não declarada na visão de um favelado.

Eduardo era membro do Facção Central - um dos maiores grupos de rap nacional na opinião de 100% dos rappers, e passou os últimos 6 anos se dedicando ao livro, que apresenta de forma mais estruturada todas as denuncias que o Facção vem fazendo há anos. Alguns podem até não gostar de tanto ódio e tanta violência que aparece nas letras, mas ninguém passa indiferente ao grupo.

Eu entendo o porquê de tanto ódio, o porquê de falar sobre a violência. É porque, acreditem ou não, é o que eles vêm no seu dia a dia. Parece filme, parece desumano, mas é realidade. E essa realidade assim exposta como ferida aberta nos incomoda, nos assusta, e nós disfarçamos, ignoramos.

Sempre tem aquele mané que fala: rap é música de bandido. Não é, mas se for pra generalizar, por que não escutar o que o bandido tem pra dizer? Ele com certeza sabe te explicar porque é que a vida dele é assim.



Mas não vim pra falar de Rap :) Vim pra falar do livro que o Eduardo escreveu, que acabou de chegar em casa, cheirando livro novo, dor, miséria e choque de realidade.



Quando li sobre o lançamento fiquei animadíssima para ler, mas agora com ele na mão, eu sinto o peso que ele tem. Sinto que o melhor era que ele não tivesse sido vivido, e depois, escrito. Sei que essa realidade não pertence a mim, mas sei também que eu faço parte do sistema que a provoca, e que também sofro com as consequências dela.

"um salve do mano Eduardo"

Bom, na verdade eu não tenho muito o que falar. Quero devorar esse livro e se eu sobreviver, volto pra contar! :)

04/10/2012

Mil que fazeres


Interessante é que essa música se chama Insônia, o que super se encaixa com a minha condição atual, e a letra passa a mesma mensagem de tudo o que eu quero falar. Tem bandas que existem exatamente pra traduzir a minha vida ♥

A vida é dura. Mas não, não vou reclamar da vida, porque a minha vida, sendo dura ou não, não é sofrida. Mas vou aproveitar que eu não consigo dormir e vir aqui escrever, aleatoriamente, sobre coisas que talvez estejam tirando o meu sono.

Eu mudei desde que eu descobri que tenho vitiligo. Pode ser que ninguém tenha reparado, mas eu sei que eu, sozinha comigo, dentro de mim, estou mudada. Eu sempre pensei que eu tivesse um bom auto-controle, sempre achei que eu me conhecesse bem o suficiente para entender quando eu estava triste, quando eu precisava de um tempo, quando eu precisava me cuidar. Mas o ano passado, ao mesmo tempo em que eu só fazia coisas minhas, meus estudos, meu trabalho, o meu foco não era eu. Quanto mais eu estudava, mais eu sentia que eu poderia mudar o mundo, quanto mais eu trabalhava, mais eu via que essa mudança era possível. Quanto mais eu estudava, mais eu me irritava com a superficialidade das pessoas, quanto mais eu trabalhava, mais eu percebia que eu tinha que estudar e trabalhar mais.

O ano passado foi difícil. Último ano da faculdade, mil desejos, mil preocupações, mil e um motivos para ficar infeliz com o mundo, e mil e quarenta motivos pra me preocupar mais com o mundo, não tanto comigo.

Eu mudei desde que eu descobri que tenho vitiligo. Eu sempre pensei que eu tivesse um bom auto-controle. Foi daí que eu percebi que, além de tudo, eu ia ter que cuidar de mim. Foi aí que eu comecei a dar atenção pras coisas que me deixavam chateadas, e percebi a quantidade de coisas que me chateavam e que eu ignorava. Foi ai que eu percebi que eu não era tão sensacional assim, que não bastava ser inteligente, e ter preocupação social, era preciso estar em paz. Foi aí que eu percebi que eu não tinha paz.

Descobrir essa falta de paz me tornou uma pessoa neurótica, desequilibrada, impaciente, ciumenta, insegura. Extremamente insegura.

Ter passado no mestrado me ajudou. Ajudou no sentido de perceber que vale a pena estar contra a maré. Que é necessário lutar por uma educação de qualidade para todos. Que lutar por isso é o certo, errado estão os outros. Um consolo.

Mas não é fácil. Não é fácil porque as pessoas que agora trabalham comigo não pensam assim. Eles não se importam com os alunos, não se importam com o processo. Isso me faz chorar. Eu choro porque isso é tão inadmissível...! A Música ainda é uma área de conhecimento pouco valorizada e mal interpretada: o que importa é o resultado, o produto. Os sujeitos, o processo, meros coadjuvantes. Se essa concepção vem de gestores educacionais, ou instituições patrocinadoras, eu até perdoo a ignorância, mas se vem de educadores musicais - e se estes trabalham comigo - eu quero me trancar em casa, e só sair quando o mundo tiver mudado!

Eu tenho estudado tanto, e cada vez é mais óbvio que a educação precisa mudar (se é que precisa estudar pra perceber uma coisa dessas). Por que eles não querem perceber isso? Por que eles não querem estudar? Por que eles querem reproduzir um ensino conservador dentro de uma escola com situações tão precárias?

Juro que não sei o que fazer. Juro que não sei como fazer alguém despertar para a necessidade de mudança. Eu achava que a prática naquela escola mudaria suas ideias, mas não mudou. Eu achava que oportunizar estudos mudaria suas ideias, eles se negam. Juro que não sei mais o que fazer.

E enquanto eu perco o sono triste pela minha incapacidade, pela minha impotência, minha cor vai se apagando, meu corpo vai me lembrando que o compromisso não é só meu, e que eu preciso de paz, de equilíbrio...

Mas como não se comprometer por completo?

23/09/2012

5 estrelas no coração

porque essas conversas de maluco é das coisas que mais me faz ficar apaixonada:

ele: oi princesa!
eu: QUEM É A RAINHA?
ele: você também.
você é a corte inteira!
menos a que dá porque eu sou o rei
eu: ou seja, você é o rei então pega as empregadas?
ele: ah, tem que rolar, né? na idade média o rei mandava em tudo.
era tipo divino. quem não quer dar um pega em deus?
eu: bom, estou abandonando o trono então.
pode ficar com a ana bolena.
ele: tá. vamo ser plebeu e plebéia?
eu: vamo ser eu princesa e você plebeu?
ele: não! socialista, flor! pensa socialista!

agora que faz cinco anos que estamos juntos, eu consigo ver com clareza os planos que o universo tinha para a gente. que nossas almas precisavam ser lapidadas para nós entrarmos em perfeita sintonia. que o nosso amor cada vez maior implica numa atração igualmente crescente. que nós estamos entrando num estado de harmonia conduzindo as nossas vidas para para um mesmo lugar, e que assim viveremos juntos, felizes, e cheios de amor, por toda a nossa vida. desejo que os astros continuem do nosso lado, e que esses cinco anos se multipliquem muito mais! amo você ♥

se a gente já não sabe mais rir um do outro, meu bem, então o que resta é chorar



acho que esse é o hiatus mais fajuto da história do blog :P hehe, mas outubro tá ae e daí eu volto a postar direito, retribuir comentário e tudo mais. beijox

10/09/2012

Porque eu nunca votei

O blog ainda está em hiatus, por isso não era pra eu postar, mas eu preciso! As eleições estão chegando e eu queria falar uma monte de coisa para quem vota pensar antes de votar.

Existem muitas coisas erradas nesse nosso sistema político e eleitoral que eu não posso me permitir ser conivente. A primeira delas é: votos nulos e brancos não são considerados válidos. Acho isso um absurdo!!! Para o meu voto ser considerado valido, ou seja, para a minha opinião ser ouvida, pressuposto da democracia, e entrar nas porcentagens/contagens eu preciso dar o meu voto para alguém. Ou seja, aquele candidato que ganhou com 50%+1 de votos, não representaria 50%+1 dos eleitores, se os 10% que votaram nulo ou branco fossem considerados. Ou seja, você que votou nulo ou branco: NÃO CONSIDERARAM A SUA OPINIÃO!

Outro ponto negativo da nossa democracia: eu sou obrigada a votar. Aí agora todos vêm com quinze mil pedras pra cima de mim: porque o direito ao voto é uma conquista, porque negros e mulheres não votavam, então você, mulher, deveria honrar suas antepassadas que lutaram para que você pudesse votar, e todo aquele clichê que, no fundo, eu não discordo. Mas e daí, e se ninguém me convence?

Sabe, eu tenho a fantasiosa ideia de que se não fosse um dever votar, mas apenas um direito, os candidatos precisariam caprichar mais. Pensem comigo: por que eu sairia do conforto do meu lar para votar em alguém? Porque o candidato realmente merece, e não porque eu sou obrigada. Não sei se isso aconteceria de verdade (visto que nos EUA não é obrigatório e o Bush foi eleito duas vezes), mas eu quero acreditar que sim.



Ah, e tem aquela coisa também: os deputados mais votados levam consigo outros deputados do seu partido. Mesmo que eu não tenha votado nele! E vocês já viram quanto um político ganha, né? Seja ele vereador ou prefeito, ele ganha muito. O salário dele é dinheiro público, dinheiro que deveria ir para a população. Vamos ser sinceros, a única pessoa que eu confio tanto assim a ponto de dar um salário milionário pra "me representar" é a minha mãe, e olhe lá! (BÊJO MÃE!)

E eu pergunto novamente: e se ninguém me convence? Tenho que decidir pelo menos pior? porque "pior do que tá não fica?" Eu não quero o menos pior! Eu quero o melhor que for possível! Mas, para mim, o melhor possível não é dessa maneira, não é com a obrigação do voto, não é com salários monstruosos, não é com disputa entre partidos, não é com a população sendo feita de otária.



Sei que muitos devem estar torcendo o nariz e pensando que eu estou jogando no lixo o meu direito e a minha chance de mudar o país, mas eu digo para vocês: eu não penso assim! E não é para me tirar a responsabilidade, não é porque eu não vou ficar no pé do candidato que eu votei (aos que votam, NO MÍNIMO devem cobrar seu candidato das promessas que fez, faz-favor). Enquanto eu acreditar que a política deve ser feita de outra maneira,  enquanto ajudar o partido for prioridade no lugar de ajudar a população, enquanto a minha opinião de cidadã que está descontente com esse sistema político e eleitoral não for considerado, enquanto não houver nenhum candidato que me convença, eu não voto nem nulo, nem branco, simplesmente não voto.



21/08/2012

Hiatus, de novo

Eu não queria deixar a postagem da Britney por tanto tempo no topo, mas aconteceu, rs. Bom saber que tem muita gente que gosta dela também, nem que seja escondido, ou só na balada! Haha :)

Tem um monte de postagens rascunhadas e que eu to enrolando pra terminar de escrever, de um monte de coisa que tem me aparecido na vida, mas eu vou ter que colocar o blog em hiatus.

Ahhh! De novo?

Pois é. A greve na UFSCar acabou, minhas aulas voltaram e a minha vida até setembro vai ser uma loucura. Só para vocês ficarem com dó de mim: estou com 7 livros para ler, sobre metodologia da pesquisa e educação; preciso terminar o meu projeto de mestrado até o dia 31 (e além de eu ter que mudar quase tudo do projeto que eu escrevi no semestre passado, ainda vou ter que escrever mais páginas); estou com um monte de diários de campo atrasados para fazer; na primeira semana de setembro vou para um Encontro em Campinas apresentar 4 trabalhos, na terceira semana de setembro eu vou para outro Encontro em São Paulo apresentar 3 trabalhos, e na quarta semana de setembro eu vou apresentar o meu projeto no Seminário da Pós-Graduação. Sem contar que eu comecei a trabalhar (um dos rascunhos é sobre isso) e isso tem me tomado um precioso tempo, já que eu ainda não me organizei pra conseguir dar conta de tudo.

Enfim, hiatus até o final de setembro, ok?
Mas não se esqueçam de mim! :)

07/08/2012

It's Britney bitch

Acompanhando o blog Volta, Mundo Blogueiro!, encontrei um convite para uma postagem coletiva com o tema "Gosto, mas não assumo". Achei o tema muito divertido, e cá estou eu para fazer a minha revelação! :D Preparad@s??

Por mais que eu seja uma pessoa reservada, e não fique abrindo o meu coração com facilidade, eu tendo a ser sempre muito sincera - com os outros e comigo mesma, por isso que enquanto eu pensava em alguma coisa que eu gosto, mas tenho vergonha de assumir, nada me vinha na cabeça. Até que feito uma luz vinda dos céus, eu me lembrei de uma coisa que eu falei ontem para o meu namorado, e só tinha dito isso uma única vez na vida um dia que eu estava bêbada em uma balada gay:









Eu sou fã da Britney Spears! XD~

Quando ela surgiu na mídia, eu era adolescente e estava naquela fase de odiar as patricinhas. A Britney representava tudo o que eu não gostava: meninas certinhas, bonitinhas, bem arrumadas, populares, cor de rosa, glitter e maquiagem. Bléh.

Mas depois de todos os escândalos em que ela se envolveu, filhos, casamentos instantâneos, separações, baladas... depois de ter ficado careca, gorda, se internado em uma clínica de reabilitação... eis que como a fênix, ela ressurge chutando o balde, dizendo "ae, seus putões, o que cês tavam falando de mim mesmo?!"

Eu paguei um pau.



Desde então, sempre que eu fico sabendo de um clipe novo, eu vou procurar pra assistir, e é incrível como eu tenho gostado de todas as músicas!

Assumir que eu gosto da Britney é uma coisa um pouco difícil. Primeiro pelo fato de que eu fiz faculdade de música, e se tem uma coisa que eu posso dizer, sem medo de generalizar, é que músico é muito preconceituoso principalmente quando se trata de artistas que são frutos da indústria cultural. Sempre bati de frente como todo mundo que dizia mal de Rap (porque eu amo ♥) mas nunca estive disposta a discutir sobre a Britney...

Segundo porque eu falei muito mal dela, durante muito tempo. É até engraçado ver como a vida da voltas. Mas assim como ela, eu mudei, reestruturei os meus alicerces, e de repente pra mim pareceu perfeitamente permitível que gostasse dessa nova fase e dessas novas músicas.



Então, venho por meio dessa assumir que gosto da Britney Spears. Porque afinal, como eu trabalho com música, cansa ficar ouvindo "música boa", "música de qualidade" o tempo todo. Eu quero mais é (de vez em quando) consumir o que a indústria cultural me oferece e me divertir!

23/07/2012

Olhe minhas mãos de trabalhador

Eu sei que eu acabei de postar e nem deu tempo de ninguém ler o último post, mas preciso, mesmo assim, postar de novo, antes que eu esqueça de uma coisa que aconteceu - daquelas coisas que a gente não pode esquecer!

Queria deixar claro que tudo o que eu vou falar não é com a intenção de vocês ficaram pensando "nossa, como ela é uma pessoa de bom coração", porque eu não quero me autopromover como essas coisas - como eu sei que muita gente faz. Como eu disse, estou escrevendo porque eu não quero esquecer disso, porque eu sei o quanto eu reclamo da vida, e porque isso mexeu muito comigo.

No último dia do festival, como eu disse no post anterior, a turma de Danças Portuguesas e do Mundo fez uma aula em uma praça, e a turma de Músicas do Mundo e de Violão Popular participaram tocando as músicas pra gente dançar. Foi lindo, foi contagiante! Todo mundo saiu de lá sorrindo e feliz!

Quando já tinha acabado, me juntei com os meus amigos pra gente ir almoçar juntos. Enquanto nos organizávamos para isso, um homem veio pedir dinheiro. Estudantes que somos, não tínhamos dinheiro, e eu também não estava com a minha bolsa, então eu só dei uma garrafa de água que eu tinha, e ninguém deu mais nada. Mas ele não foi embora.

Ele tirou do bolso sua carteira de trabalho, e disse: "eu sou trabalhador, mas eu fiz as escolhas erradas". Meus amigos não deram bola, e eu não os julgo por isso, sempre ouvimos nossas mães dizerem para não falar com estranhos. Mas o homem tinha um par de olhos verdes tão tristes, e um sotaque do sul tão sofrido, que eu fiquei escutando tudo o que ele falava.


Encurtando a história, porque ficamos lá uma amiga e eu, conversando com ele por 15 minutos, enquanto os outros já tinham ido almoçar, ele dizia que ia se matar. O argumento para isso: ele queria voltar para a cidade dele, em Itaúna, onde estaria a sua filha, de 12 anos, mas ele não conseguia o dinheiro para a passagem, e por isso já havia andado muito pela estrada, chegando até Ourinhos. Ele dizia estar cansado, sujo, humilhado, e que ouvia o Diabo rir dele, dizendo: "se joga na frente de um caminhão, ninguém vai sentir sua falta". E o homem, convencido, dizia: "eu devia ter feito isso".
Como eu sou espírita, fiquei transtornada em ouvir alguém planejar a própria morte dizendo que já sabia onde comprar um veneno que era tiro e queda. Para os espíritas, interromper a vida não é sinônimo de "vida melhor", muito pelo contrário, o sofrimento continua e por vezes, é até pior (explicando toscamente). Então, o meu eu espírita, queria convencê-lo de não fazer isso, mas o meu eu pagão (porque nem um lado meu é ateu) não via futuro melhor, e nem mesmo esperança.

O homem dizia: "se eu morrer, minha filha fica com a minha casa, e ela vai poder se orgulhar de ter um pai que preferiu se matar a sofrer humilhações". Na minha cabeça, isso não fazia sentido, mas eu não queria dizer isso pra ele, porque eu não sabia também as condições de vida dessa filha, e tudo mais. Mas eu fiquei desesperada: eu tinha na minha frente uma pessoa decidida a se matar, me contando os porquê e os como. Não sei como eu consegui segurar o choro.

Diante de tudo o que o homem me disse, eu não consegui dizer: "acredite, Deus está do seu lado, uma hora tudo vai ficar bem", porque eu não sabia se no fundo eu acreditava nisso também, mas eu consegui dizer: "o Diabo tá rindo de você e você ainda vai fazer o que ele quer? Foge dele!". Eu ri, minha amiga riu, mas o homem não.

Como ele havia dito que a Fernanda (não sei se mulher dele, ou se só mãe da filha dele) frequentava uma igreja, eu sugeri que ele fosse em uma, antes de chegar a comprar o veneno e tal, nem que fosse pra ficar lá parado. Falei isso muitas vezes durante a conversa, e ele dizia sempre que não ia adiantar, que ele já estava decidido. Por fim, olhei para frente e vi a torre de uma igreja, então minha amiga e eu ficamos insistindo, já que seria só atravessar a rua, não ia custar nada. Ele relutou, mas nós insistimos tanto, que por fim ele cedeu.

Mesmo que as religiões tenham seus milhares de defeitos (porque são conduzidas pelos homens), eu acredito sim, que existem muitos bons espíritos dentro das igrejas, templos, centros, o que for, tentando elevar a vibração daquele lugar, emitindo luz para as pessoas que frequentam, e foi nisso que eu pensei quando eu sugeri que ele fosse para a igreja. Não que Deus fosse aparecer prometendo dias melhores, mas que essa luz acalmasse o seu coração, para ele, minimamente, repensar sobre o suicídio.

Esse homem falou tantas coisas que ficaram marcadas em mim... Fez um panorama tão real da situação econômica e social do Brasil.... Que eu sinceramente não tinha reação. E de fato, eu pouco falei, pouco me mexi. Ele falou muito, e eu o olhava nos olhos e rezava, vez ou outra eu falava alguma coisa. Eu ia falar o que? Eu que estava naquela cidade fazendo um curso, com o dinheiro do meu pai, e até aquele dia estava reclamando do frio e da situação do banheiro no alojamento onde nós estávamos? Qualquer coisa que eu falasse soaria hipócrita, porque, não, eu não sabia o que ele tava passando! Por isso parte de mim entendia a necessidade de acabar com a própria vida, porque eu nem imagino o que é passar por tudo isso!

Fiquei me lembrando das vezes que eu trabalhei com o TETO, das famílias que eu conheci, das histórias que eu ouvi e das coisas que eu vi. São pessoas vivendo suas sub-vidas tentando, do jeito que podem, sobreviver mais um dia. Com poucos recursos, pouca esperança... É triste, é desumano, é inacreditável!

Quando meus amigos já haviam voltado onde nós estávamos várias vezes nos apressando para o almoço, e eu já de saco cheio os dispensei, mas, mais tarde, um pouco receosa com eles, decidi ir almoçar e precisei então me despedir do homem, eu não sabia o que falar. Disse algo como "precisamos ir, me desculpa?", porque realmente me senti culpada em deixá-lo lá.

Mas o legal é que o homem já estava tão feliz (hipérbole) que ele não se incomodou. Fez até piada, dizendo que a sua filha era do tamanho da minha amiga que estava comigo (baixinha), e minha amiga disse que ele tinha olhos lindos, e ele respondeu: "mas não vai me ligar não, porque a Fernanda não vai gostar", e todos nós rimos. Quando reafirmamos que tínhamos que ir embora ele me abraçou, e depois abraçou a minha amiga.

Por um segundo achei estranho e senti medo, mas depois retribui o abraço, desejando passar para ele muita paz de espírito, calma e paciência. Era tudo o que, naquele momento, eu poderia dar, e que ninguém que ele abordasse na rua iria se dispor. Afinal, é tão mais fácil dar algumas moedas, não é?


Quando estávamos indo embora, ele disse que ia para a igreja, e eu senti um ar de quem não ia mais se matar (a menos não naquele dia), ele saiu sorrindo e isso me deixou muito feliz!

Saímos andando e do nada o mundo despencou em cima de mim. Comecei a chorar incontrolavelmente. Senti uma tristeza, uma amargura sem tamanho! - como se naquele abraço nós tivéssemos trocado as nossas energias. Pude sentir toda a sua dor, e me senti extremamente mal. Foi muito estranho, mas pelo menos consegui entender o que tinha dentro dele...

Estou escrevendo tudo isso para não esquecer. Não quero esquecer desse homem, José Carlos, a quem eu prometi rezas, e que me deu uma lição de vida fenomenal. Eu poderia contar tudo o que ele falou, e eu de fato queria, mas quero guardar algumas coisas só pra mim, porque eu ainda não digeri muito bem.

Quero também que todos pensem um pouco em suas vidas. Já perguntei muitas vezes aqui no blog: "o que você faz para mudar a realidade que te incomoda?", mas eu sei que não é tão simples assim. Estar incomodado não é condição para fazer a mudança. Deveria ser. Digo isso para mim também. E é por isso que eu não quero esquecer.

21/07/2012

Festival de Música de Ourinhos

Quanta gente bonita comentando aqui no blog! Acabei de voltar de viagem e fiquei super feliz em ver tantos comentários! Obrigada, pessoal. Vou retribuindo todos os comentários durante essa semana! :*


Acabei de voltar do Festival de Música de Ourinhos. Foi a primeira vez que eu participei de um evento só de Música, porque todos os outros que eu vou são sempre de Educação Musical. No começo eu me senti  um pouco deslocada, afinal, já faz uns bons anos que eu não me dedico a estudar música, mas com o decorrer da semana eu me relembrei que antes de tudo eu sou musicista e que não posso deixar de estudar música!

Me inscrevi para dois cursos: um de Danças Portuguesas e Danças do Mundo com a Lia Marchi, e o outro foi de Folclore Brasileiro com a Neide Rodrigues Gomes. Foram dois cursos bastante práticos, e que, sem dúvida, me deram muita bagagem para trabalhar na escola.

O Festival durou uma semana, e durante essa semana ficamos (eu e o pessoal da UFSCar que foi também), alojados numa escola. As condições eram bem simples, mas o colchão que o Festival forneceu era muito bom, e a água do chuveiro era bem quente - o que era condição indispensável para todos nós criarmos coragem para tomar banho (pra dar uma ideia, teve uma madrugada que fez 4º :O).

Tirando o frio, os problemas com o banheiro, e a saudade de casa, foi tudo muito bom. Os cursos foram ótimos, as apresentações foram ótimas, comprei dois livros que eu já estava querendo há um bom tempo, esqueci da vida e das preocupações acadêmicas... Enfim, renovei as minhas energias!

Para encerrar o Festival, na sexta feira, os cursos faziam uma apresentação mostrando alguma coisa do que foi feito durante a semana. A Dança fez uma aula aberta na praça, juntou muita gente que estava fazendo outros cursos, e da cidade. Tinha uma energia inexplicável! O Sol apareceu depois de muito frio e chuva! Foi muito gostoso! De tarde, apresentamos com o Folclore algumas músicas tradicionais brasileiras e também foi muito legal. Foi o toque que eu precisava pra querer voltar no festival no ano que vem! :D 

Durante a semana eu vou colocar os vídeos das apresentações no meu canal no YouTube, então quem ficou curioso, se inscreve nele pra ficar sabendo quando eu postar! :) Por enquanto deixo algumas fotos pra deixar guardadas aqui no blog. Té mais!

10/07/2012

No estilo

Ando meio de saco cheio desses blogs de moda e beleza, sabe? Eu nunca liguei pras tendências e sempre tive pavor quando percebia que minhas roupas não cabiam mais em mim e que eu precisaria ir ao shopping comprar outras (ainda bem que eu parei de crescer XD).

Nos últimos anos eu me tornei mais menininha e decidi cuidar mais da minha embalagem. Ainda não uso saia, nem vestido, nem salto, nem batom, nem penteio o cabelo quando eu acordo, nem outros clássicos do ser menininha, mas venho sofrendo vagaroso "progresso". Progresso entre aspas porque eu não acho que isso muda, de fato, o que eu sou, e quem quiser me julgar vai me julgar independente do que eu estiver vestindo... Mas enfim, a auto-estima pediu, e eu concordei em ceder um pouco da minha atenção para mim mesma, hê :)

Mas daí que eu não encontro nada nesses blogs que me agradam. Nada em negrito talvez fosse um radicalismo da minha parte, mas acredito que eu posso generalizar, já que o blog é meu e mimimi :) E aí eu comecei a pensar no que eu gostaria de comprar, dessas coisas de vestir e/ou acessórios, que me fizessem me sentir mais feliz e mais bonita, e descobri: alargadores!

Antes de alargar as minhas orelhas, eu tinha muitos brincos, grandes, médios e pequenos, de todos os materiais e de todas as cores. Foi o que eu mais senti falta: de trocar de alargador conforme a roupa, conforme a ocasião, ou conforme o meu estado de espírito. Para o meu bolso, alargadores são muito caros (ainda mais porque eu tenho que comprar um pra cada orelha), então eu me contento com os dois pares que eu tenho. Sem graça.

Daí que juntando o saco cheio dessa moda-feita-pra-sei-lá-quem e meu desejo por alargadores fashions, fiz uma seleção de alargadores muito amor que eu estou aceitando como presente fora de época. Querendo meu endereço pra enviá-los para mim, é só pedir ;D

as fotos foram achadas no google, we♥it e tumblr. se alguma delas for sua, me avisa que eu credito. beijo :*

Os clássicos alargadores de acrílico estão cada vez mais elegantes:



Me diz se não é muito amor esse de madeira em forma de coração? Fiquei pensando se ele ficaria bem na orelha, e achei uma foto de uma menina usando (dá uma olhada!). Achei o dela grande demais, mas mesmo assim é a coisa mais meiga do universo! *-*


Esse é para as que, como eu, sentem falta de usar brincos. Reparem que é um alargador, mas que quando você coloca, fica parecendo um brinco normal! Genial!



Descobri que os alargadores de madeira são muito lindos. Provavelmente eles devem exigir maior disciplina na higienização... Mas o mais legal é que se você conhecer alguém que sabe fazer esses trampos em madeira, você pode ter vários personalizados! Que luxo! :D




*
Bom gente, é isso. Post bem diferente de tudo o que vocês já viram aqui no blog, mas assim é que é. Férias, mãe me mimando, namorado distante, amigas e primas ocupadas, preguiça de estudar e cabeça vazia dá nisso! :) Comentem o que vocês acharam dos alargadores! - e qual vocês vão me dar, hehehehhe xD

PS: Mudei a cara do blog também, atualizei o perfil e tudo mais. Vocês conseguem ler o que tá escrito no cabeçário? O meu monitor deixa tudo muito claro, e eu não sei mudar isso, daí fiquei com medo de ter ficado escuro demais... Se tiver muito invisível vocês me avisam??

04/07/2012

Mestrando não tem férias

A vida tá bem diferente.

Eu passei o semestre todo com a sensação enorme de estar sozinha no mundo. Mesmo que meu trabalho me mantivesse perto de pessoas conhecidas, no mestrado eu me sentia sozinha (mesmo que o mestrado esteja relacionado com o trabalho). Como eu já disse outras vezes aqui no blog, eu não imaginei que seria tão diferente. E a solidão é imensa!

Porque sou eu comigo mesma observando, lendo, estudando, escrevendo, fazendo anotações nas aulas. Uma interação aqui, uma conversa durante o intervalo, e sou eu de novo fazendo a relação do que está sendo dito na aula com a minha pesquisa. É solitário.

Nas últimas semanas me aproximei mais de umas meninas da minha linha de pesquisa. Acho que o universo nos aproximou pelos sentimentos em comum. Por mais que as duas últimas semanas de aula tenham sido punk rock (com todo o respeito ao punk rock), o simples fato de saber que não estou sozinha e que tem alguém que sabe como é esse mix de solidão, desespero, e prazos encerrando, já faz tudo ficar um pouco mais ameno.

Ameno, porque resolver, nem férias resolvem!

Vou deixar umas fotinhas para alegar o post. As primeiras são da última aula da linha, que foi numa chácara, gostoso pra caramba, e a última é das educadoras guerreiras que têm me ajudado a me sentir menos peixe fora d'água.

Boas férias para quem tem férias, porque, por aqui, como eu já percebi e bem avisaram os meus professores, mestrando não tem férias!


óculos novo 8)

03/07/2012

Escuta de novo: Beyonce

Oi pessoal! :) Estou um pouco perdida no tempo, então eu acabei nem percebendo que ontem foi a primeira segunda do mês. Vou postar hoje porque eu acho que ninguém morre por uma coisas dessas, né! :)

Hoje a música que eu vou indicar para vocês não é nem tanto pela música em si, é mais pelo vídeo. Essa é uma apresentação que a Beyonce fez no BillBoard Awards em 2011, com a música "Run the Word (Girls), e é impressionante. Fico aqui só pensando quanto o coreógrafo deve ter ganhado pra treinar a Beyonce para conseguir essa sincronia monstruosa. É muito dinheiro!

Mas é espetacular!
Quem não assistiu, assista, e quem já, assista de novo!