15/02/2012

Quem ama estrangula



Eu sou ciumenta. Dessas que briga feio com o namorado. Que fecha a cara do nada quando desconfia de qualquer coisa. Que vai falar com as amigas dele pra tirar satisfação. Que dá indiretas ácidas quando está prestes a ter um ataque, mesmo que tenham outras pessoas por perto. Sou do tipo que quando sente ciúmes, sente junto tanta raiva (por estar sentindo essa coisa irracional, e por ter sido provocada), que vira uma mistureba de sentimentos loucos e eu falo coisas sem coerência, grito e choro. Tudo em excesso.

Nem sempre eu fui assim. Eu já fui mais eu. Eu pensava: “não quer ficar comigo, meu bem? só lamento”. Por isso eu não sentia ciúmes. Antes desse atual (e eterno <3) eu tive 3 do que a gente pode chamar de namorado (porque desses 3, apenas 2 conheceram a minha família, e o mais longo durou 5 meses – o que na época foi um milagre!), e eu nunca tinha sentido ciúmes de verdade. Uma ciumeira aqui, porque um era bonitão e morava em outra cidade, outra acolá, porque era estiloso, tatuado e tinha moicano, ou porque era músico e viajava para fazer concertos; mas nada que fugisse do controle.

Meu atual namorado, com o qual me casarei muito em breve, teve a honra de mudar toda a minha forma de amar. No começo eu era daquele jeito, com o nariz em pé – mas com uma pontinha de medo de ele ir embora. Com o passar do tempo, fui gostando dele e comecei a ter um certo ciúmes controlado, que eu achava até normal, mas que eu não manifestava. Depois dos anos fiquei tranquilona. Achei que era irredutível.

Mas o amor é mesmo uma caixinha de surpresas e cá estou eu numa fase ciumenta possessiva obsessiva assassina, he : ) Juro que dá vontade de matar todo mundo – a desgraçada e o namorado.

Meu namorado é lindo. O sorriso dele é perfeito. A cor dele é linda. Ele é inteligente, defende suas idéias, coloca a mão na massa, é simpático...; mas convive com um monte de mulher que também acham tudo isso ótimas qualidades. E o pior: elas vêem/falam com ele mais do que eu! Que ódio!!!!

kleiton, o amado com cara de quem foi pego de surpresa >.<"

Vocês podem estar pensando “Mas Natália, se vocês estão juntos há 4 anos, é lógico que ele ama você, que quer ficar com você. Se ele aceitou namorar a distância é porque ele acha que vale a pena”. Concordo com tudo isso, MAS não descarta a possibilidade dele pensar “ah, ela não está aqui mesmo”, “só dessa vez”, “eu to tão bêbado que...”. Gente, no estado neurótico em que eu me encontro, vocês não fazem ideia das possibilidades que passam na minha cabeça. E não adianta confiar nele, acreditar no meu potencial, é irracional e portanto, não precisa ter coerência!

Mas se comove (e ameniza a minha imagem de vilã da história), não é legal se sentir assim. Quem sente ciúmes sabe como machuca, e que a gente não faz de propósito. É incontrolável. Na hora a gente quer machucar a pessoa amada (no meu caso, não fisicamente, que fique bem claro), só pra dar o troco. Mas depois que passa o ápice da fúria, você se sente mal por se sentir insegura, por ver o amado mal, e por você ter causado tudo aquilo. É horrível.

Mas vim aqui pra defender a nossa classe :D

Ninguém quer namorar alguém ciumento, ninguém quer assumir que é ciumento. Quando você vai falar sobre você para alguém você nunca diz que é ciumenta. Mas eu vos digo em verdade (profética ;) ) que se você é como eu (ou uma versão mais branda, ou mais drástica), não precisa se envergonhar disso. É uma falha como qualquer outra. Existem pessoas que são mau humoradas, outras que são muito irritadas (no caso, eu sou os dois, haha :x), ou que são pessimistas, ou qualquer outra coisa, e outras que são ciumentas; e como qualquer falha, ela pode ser moldada, canalizada e até extinta! (viva os dois semestres de psicologia da faculdade!)

E tudo fica mais fácil se o companheiro for compreensivo e te ajudar na dura batalha do autocontrole (indireta pra você, heim Kleiton!), afinal, os ciumentos também são pessoas que amam e merecem carinho : )

E você, é ciument@?


Editado: Gente do céu! Agora que eu percebi que eu postei tudo isso justo na época do julgamento do Lindemberg que matou a Eloá e que ta todo mundo ouvindo falar de novo, depois de tanto tempo. Espero que não me comparem a ele, porque eu nunca cheguei (nem chegaria) a fazer nada que chegasse perto do que ele fez. Além de que, se eu, na minha fase gritos e cara feia, já estou assumindo o problema, a tendência é melhor, né não? ;) Façam figas!

08/02/2012

Ode aos dias de hoje

Coisas da vida ou não, nessa edição do amigo secreto eu tirei a Pet, como no ano passado. Fiquei pensando, com os meus botões criativos, que a gente deve ter criado uma espécie de ligação tão forte, que vai além das possibilidades dos sorteios aleatórios de sites :) Pensar nisso me emocionou muito, hê.

Quis fazer uma coisa diferente esse ano, como no ano passado eu pedi para ela indicar uma música e eu escrevi o texto em cima dele, eu decidi fazer a minha própria música. Sei que a Pet toca bateria, então espero que ela, como musicista, goste dessa singela composição!

Para Pet, Ode aos dias de hoje

OdeAosDias[NataliaSeverino].MID

Revelação do Amigo Secreto, terceira edição.


07/02/2012

E digo mais, você desafina, amor.


Estudar e/ou entender de música faz as pessoas serem mais críticas. É sério. Desde que eu comecei a estudar, quando eu tinha uns 12 anos, eu sei disso. Na época que eu frequentava shows de bandas de garagem (dos meus 12 aos meus 18 anos), mesmo antes de entrar na faculdade, eu percebia quando os músicos que estavam tocando sabiam o que estava fazendo, e era uma tortura imensa quando eu percebia que eles tocavam “combinações de acordes que ficaram legais”. O grande lance era que eu ia em shows de punk, hardcore, heavy metal, então eu tive que aprender outra coisa: relevar.

Ainda hoje eu me torturo fácil ouvindo bandas que a maioria das pessoas acham o máximo. E olha que meu ouvido nem é dos mais refinados! Talvez tenha sido por isso que eu abandonei a ideia de ver shows de bandas grandes ao vivo – eu sempre me decepciono. No estúdio todo mundo canta bem (nada como bons programas para concertar as falhas) – e quanto maior a banda, melhor a produção, e melhor a qualidade do som.

No show ao vivo, um escorregão que o vocalista deu (coisa humana, todo mundo desafina), uma nota que o guitarrista adiantou, um tempo que o baixista perdeu, uma entrada que o baterista não deu, pronto!, pra mim estraga tudo. Porque quando eu vou no show eu quero ouvir exatamente como eu ouço no cd – e jogar as mãos pro alto e cantar gritando sem parecer ridícula, he.

Isso nunca acontece porque, er, as pessoas são humanas e não dá pra reproduzir a mesma coisa sempre do mesmo jeito.

Mas como eu tinha dito, eu aprendi a relevar. Lógico, para as bandas de garagem. Para os grandes, sou irredutível. Eu acho que a única coisa que eles devem fazer é tocar bem feito na hora do show. To pagando, pô!

Tudo isso por que? Bom, decidi que não quero ir no show dos Los Hermanos, mesmo que gostando muito, e mesmo eles tendo ficado tanto tempo separado o que fez uma pedaço do meu coraçãozinho quebrar em mil pedaços; nem do Chico Buarque, mesmo que eu não dê muita bola pra ele, eu queria só pra gritar “chico gostoso”, he.

É porque eu não tenho paciência para filas, para bandas de abertura, para caixas de som ruins, para improvisos, fãs histéricos, e morro de medo de descobrir que eles não são tão bons quanto no cd.

Continua :)

27/01/2012

Eu sou do tipo carne dura*

Eu não sou das pessoas mais simpáticas, confesso. As vezes sou, mas de forma genérica, não. Gosto de ser assim, mal encarada, pra deixar bem claro que não é pra mexer comigo. Mecanismo de defesa, sabe como é.

Mas acontece que a minha mãe vive me dizendo que eu tenho que ser simpática e me importar mais com as pessoas, e eu sempre respondo que não sei demonstrar essas coisas, e que quando tento, acho muito falso. Ela retruca que ninguém vai saber se é falso ou não, e com o tempo, isso passa a ser natural pra mim. Eu faço careta e desconverso.

Andei pensando nisso e naquela “coisa de ano, vida nova” e essa semana eu tirei pra ser simpática.

Percebi que é legal sorrir, dizer bom dia, perguntar se esta tudo bem: as pessoas te recebem melhor e são mais prestativas. E como eu passei uma semana sem ver ninguém conhecido, as pessoas não sabiam o quanto era forçado o meu sorriso e o meu bom dia, então elas retribuíram muito felizes. Foi muito legal!

Hoje duas pessoas não sorriram pra mim. Fiquei puta da vida, xinguei elas em pensamento, quis desistir, quis dizer: “você não sabe como eu estou me esforçando pra sorrir pra você, seu merda”, mas fiquei firme, esfriei a cabeça e continuei no meu propósito. Parabéns pra mim o/

a vida é como um espelho: se você sorri, ele sorri de volta.

Estou feliz, de verdade. Acho que estou pegando o jeito, he :)



* Conhece a carne fraca? Eu sou do tipo carne dura (Ellen Oléria - Testando)

16/01/2012

Eu sou linda, absoluta

No ano passado eu comprei em um desses sites de compra coletiva um cupom de uma massagem em um spa em Campinas. Fazia um bom tempo que eu queria ir em algum lugar que fizesse massagem, mas como eu sou uma pobre estudante, nunca tive dinheiro, então fui adiando.

Passada as correrias de final de semestre, fechamento do estágio, entrega de TCC; as festividades natalinas e a virada do ano; a minha mudança de casa em São Carlos (assunto para outro post); a busca pelo vestido de formatura (...), e tudo o mais, eu liguei para marcar a minha massagem.

A principio eu pensei que tinha sido enganada, porque eu passei um dia inteiro ligando e nada de alguém me atender. Mas também, quando me atenderam, foi tanta simpatia, que eu nem reclamei.

No dia da massagem, fomos lá o namoradinho e eu, toda nervosa, entrando num Spa num dos bairros mais chiques de Campinas, com a minha pobreza e simplicidade no estilo Jeca Tatu, he.

Fui tão bem tratada. Desacreditei. Eu pensei que por eu ter comprado um cupom, e economizado cerca de 70% do valor original, me tratariam com menos 70% de boa vontade. Mas não!

Enfim, foram 60 minutos maravilhosos. Eu escolhi a massagem aromaterápica e sai de lá, além de super relaxada, com a pele macia e super cheirosa. Minha mãe até brincou dizendo que eu estava cheirando mulher rica, rs.

we ♥ it

Sai de lá com um bom humor que há tempos que não tinha, me sentindo uma pessoa feliz, bonita, linda e absoluta. Foi realmente muito bom. Se eu fosse mais vezes, tipo uma vez por mês (bem que eu gostaria!) eu seria uma pessoa bem menos estressada, e teria bem menos dores nas costas!

Eu recomendo!

09/01/2012

4 anos, parte 3

Antes de fazer a minha revelação do amigo secreto, vou continuar a retrospectiva de comemoração aos quatro anos do Grão de Estrela e dez no mundo blogueiro.

O marcador de hoje é: vida social. Nele eu reúno textos que falam da minha relação com o mundo, do meu convívio com as pessoas, e o que eu acho disso tudo. Como eu sou regida pela filosofia de que “o inferno são os outros”, poucos posts desse marcador são relevantes, uma vez que na maioria deles eu reclamo das pessoas e da minha falta de tato para lidar com elas, he : )


3. #fikdik: “quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem”. Frase clichê do movimento social, mas o texto é bem menos revolucionário – diria até que não é nada revolucionário. É sobre as pessoas não serem agentes, ou seja, não fazerem as coisas com amor e responsabilidade. Vai ver esse é o grande mal da humanidade: comodismo.

2. Hoje tu ta presa: o post é grande e fala por si: o funk e a exacerbação da sexualidade. Não consegui expressar todas as minhas idéias a respeito do tema, porque fiquei com medo de parecer um pouco radical, mas quem se interessar, leia e dê uma opinião. Como eu trabalho com música, eu preciso de elementos para refletir sobre.

Só pra deixar claro o meu ponto de vista (que eu não tenho certeza se ficou bem defendido no post), a imagem abaixo, apesar de ser forte e eu não gostar desse tipo de sensaionalismo, expressa a idéia que eu quis passar:


1. Eu não sou pra casar: Lógico que eu sou pra casar. Quem disse que só porque eu não sei cozinhar, não sonho em ser mãe, não sou submissa, nem pretendo deixar de trabalhar para cuidar da casa e do marido, não posso ser "casável"? Por que existe esse paradigma de mulher para casar e porque as mulheres querem ser assim? Está entre os mais populares de todo o blog! (:



*

Faltam ainda mais 2 marcadores que eu gostaria de selecionar para registrar nessa retrospectiva, daí como eu não consegui terminar isso no ano passado, espero poder terminar ainda em janeiro (:



03/01/2012

Não será em 2012

Não vai ser esse ano que a sua vida vai mudar, que você vai encontrar aquela pessoa especial que te faça feliz, ou que todos os seus problemas vão se resolver. Pelo menos não pelo simples acaso da Terra estar ficando mais velha.

Sou daquelas que renovam a esperança e a força a cada começo de ano, mas não fico fazendo minhas promessas ou criando expectativas, vou apenas vivendo, tentando, ao menos, não regredir. Prefiro acreditar que o mundo vai caminhar para um lugar mais próximo da luz, mas nada, meus caros, vai acontecer se nós não fizermos nada. 


Ficou parecendo um pouco pessimista, mas eu juro que recomeços sempre me deixam feliz :) Tão inexplicável como no Natal, nessa época eu fico de bem com a vida, e vendo alegria em todos os lugares.

Por isso eu desejo que 2012 seja um ano de verdadeiras mudanças positivas em cada pessoa do mundo, inclusive para todos os blogueiros, hê :), para que, com os nossos quintais arrumados, possamos cuidar um pouquinho mais da Terra. E que venham os próximos 366 dias!



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Visual novo, com mudanças no perfil e em breve lista dos meus outros blogs atualizada. Beijos! :)

24/12/2011

Então bom Natal

Eu sei que tem muita gente que não gosta do Natal. Eu sou das que gostam, muito. Apesar de eu sempre lembrar que toda essa decoração natalina não tem nada de Brasil, e morrer de dó dos Papais Noeis de rua por seus chefes não terem a sensibilidade de adaptar a fantasia para o clima daqui, e também porque a data é só mais uma festividade capitalista onde somos persuadidos a mostrar que amamos e nos importamos com com alguém através de um presente bem caro, e porque as pessoas ficam pagando de cristã e benfeitoras mas chegando a virada do ano, elas querem "encher a cara e curtir a vida", quando na verdade Jesus nem nasceu no dia 25 de dezembro, e nem sabem que a comemoração do Natal veio apenas para suprimir festividades pagãs (Encontrei esse texto falando sobre a origem do Natal. Apesar de parecer bastante xiita, com as ênfases que o autor deu, eu achei bastante interessante)... Enfim, odeio toda a hipocrisia e capitalismo por trás do Natal, mas sei lá, talvez por me chamar Natália, a decoração, o espirito, me deixa muito feliz. De qualquer forma, gostaria de desejar um Feliz Natal para tod@s vocês!, que vocês possam estar com suas famílias, aproveitando esse momento para estar e sorrir juntos.

Pra finalizar, um vídeo muito gracinha que meu pai me mandou por e-mail há um tempo. O Natal na era digital, tenho certeza que vocês vão se identificar. Assitam!


21/12/2011

Retrospectiva de 4 anos, parte II

Nessa brincadeira de reler as postagens antigas, acabei encontrando várias que ficaram guardadas nos rascunhos. Algumas coisas inacabadas, outras bem bobinhas... Exclui algumas e outras eu publiquei, e estão aí para ser lidos, quem quiser se aventurar pelos arquivos do blog :)

Bom, pra dar continuidade a retrospectiva dos 4 anos de blog – antes que o ano acabe – o marcador de hoje é: devaneios. Eu sou o tipo de pessoa que se expressa melhor escrevendo, e como não tenho muito jeito com as pessoas, escrevo para mim mesma. Como eu já tive muitos problemas com pessoas conhecidas por conta das coisas que eu publiquei em blogs, eu decidi mascarar os textos mais íntimos, de forma que eles se pareçam com textos aleatórios, mas que dentro das metáforas colocam pra fora a mensagem que eu preciso externar. Por isso que a tag devaneios sempre está acompanhada de outra tag, que se refere ao verdadeiro problema.

Vamos ao top 5:

5. Odeio essa página da história: O post surgiu com o tema “madrugada” do Blogsintonizados. Foi escrito em um momento de crise do meu namoro. Pra quem conhece as músicas “Alta Noite” do Arnaldo Antunes e “I hate this party” das Pussycat Dolls, vai se familiarizar ;)


4.  Aquilo lá no fundo que eu sabia mas nãoassumia: A cada ciclo da minha vida, eu termino com as minhas amizades, como a forma mais drástica de “começar tudo de novo”. Mas teve um momento em que eu percebi que eu fui injusta demais em afastar as pessoas que eu mais amava, e me arrependi.

3. Percebimentos: Eu comecei a namorar meu noivo em uma fase onde eu precisava mudar todos os meus velhos hábitos para ter uma vida mais centrada. Eu já queria isso há muito tempo, mas nunca tinha encontrado uma motivação forte o suficiente pra mudar de verdade.

2. Previsão do tempo: Gosto muito desse por ser tão íntimo e tão nostálgico, que não vou nem explicar. Vou apenas reler e reler. Leiam também!


1. Fogo e Marte: Fogo é o elemento de Áries, Marte o planeja regente, e esse é um texto sobre a minha forma de amar. Escrevi para o meu noivo para lembrá-lo de como tudo começou, quais foram as nossas promessas e como eu me permiti amá-lo. Acho esse texto super a minha cara.

percebeu que

o que os olhos não vêem, o coração inventa?

09/12/2011

Uma nova ideia


Daqui até o final do ano decidi fazer um seleção dos meus posts favoritos para relembrar alguns momentos importantes desses 4 anos de blog. Para facilitar, já que foram muitas postagens, eu vou fazer um ranking dos marcadores mais utilizados.

O marcador de hoje é: Caminhando e cantando, que é usado para falar de coisas que me deixam revoltada. Começou a ser tão frequente que eu criei um blog-apêndice, o Subversão Ideológica, pra não deixar o Grão de Estrela muito pessimista, hê : )


Top 3

Texto de Felipe Berríos, fundador da ONG Um Teto Para o Meu País, que fala sobre a importância de ser jovem e usar a juventude como arma para uma mudança social. Gosto muito desse texto, e de tempos em tempos eu leio ele para eu não me esquecer de ser jovem

Ao invés de educarem os homens para não estuprarem, as mulheres cada vez mais são acusadas como culpadas pela violência que sofrem, tanto pelos lugares que frequentam, quanto pelas roupas que usam. Você também acha isso um absurdo? Então entenda o que foi a Marcha das Vadias, e veja como não se sentir vulnerável.

1. Para o triunfo do mal, basta que o bem não faça nada
Um dia eu voltei da escola que eu trabalho tão transtornada com as histórias que eu escutei, que eu não pude deixar de agradecer pela vida tranquila que eu tenho, e pedir força e coragem pra continuar trabalhando com educação. Eu me emociono sempre que eu leio.



Então por hoje é isso. Eu gostei bastante de recordar alguns posts antigos. Espero que vocês também gostem dessa seleção!

Divulgação: Subversão Ideológica

Olás, estou aqui só pra divulgar a nova postagem do meu outro blog. Nesse post, na verdade, eu não escrevi nada, só coloquei um vídeo que eu vi a galera passando no facebook. Eu fiquei indignada, e queria saber qual a opinião de vocês nesse absurdo.

Para ver o blog, clique aqui

Se não quiserem participar da polêmica, entrem no blog só pra ver a cara nova dele, he : )

28/11/2011

Sou foda, ou o dia em que eu passei no mestrado

Basicamente o meu ano foi em função de escrever o meu TCC. Algumas aulas aqui, estágio acolá, relatórios pra um, artigos pra congressos... Enfim, foi um ano bastante acadêmico. No meio dessa bagunça, inventei de prestar mestrado. É, assim mesmo, do nada.


Com medo de ser mais uma desempregada depois que eu me formar, e com pânico em pensar que eu teria que me submeter a educação infantil (nada contra, eu só não tenho aptidão), decidi que a ideia de continuar estudando me agrada. Então, meio que correndo, eu escrevi um projeto sobre a influencia da música na construção da cidadania de jovens de periferia, o projeto foi aprovado, fui fazer a prova escrita, passei na prova escrita, fui fazer a entrevista.....e

As vésperas de eu apresentar o meu TCC, estou aqui me contorcendo de tanta felicidade: porque eu passei no mestrado!!


Sério, estou muito mais feliz do que quando eu passei na faculdade. Na verdade é uma felicidade diferente, porque mesmo antes de terminar a graduação, eu já estou com o mestrado garantido. Não dá pra explicar. E pensar que eu concorria com pessoas que estavam se preparando ha mais tempo do que eu...!

Bom, isso só me dá mais certeza de que o trabalho que eu fiz durante esses dois anos, e que a minha dedicação à faculdade valeram todo o sacrifício, as noites mal dormidas e os estresses eventuais. Estou me sentindo foda : )

Agora só falta terminar a faculdade! Iei :D

23/11/2011

22 de novembro


Eu não sou católica, e não entendo nada sobre santos, e exatamente por isso, eu não gosto muito da ideia de feriados santos. Fere a minha crença, e eu me sinto um pouco enganada quando o Estado diz ser laico e me obriga a parar a minha vida por causa do dia da padroeira da cidade, por exemplo. Mas, como boa brasileira que sou, eu não vou reclamar de feriado, né? Hê :)

Dia 22 de novembro foi o dia de Santa Cecília, e a única coisa que eu sei é que ela é padroeira da música, e sendo assim, dia 22 de novembro foi o dia do Músico. Ouvi gente dizer “o dia do músico é todo dia, não no dia de uma santa”, mas, revoltas pagãs a parte, já que tem dia do dentista, do advogado, e de todas as profissões possíveis e imagináveis, vamos reservar um dia para os músicos e comemorar, e se incomodar o fato da escolha da data vir por conta de uma santa, finge que foi coincidência e para de ver pelo em ovo \o/


Nós músicos somos a parte estranha da sociedade. Ao mesmo tempo em que todos adoram, ninguém valoriza. Mas eu vou dizer uma coisa: não tem profissão melhor. Sabe aquele negocio que todo mundo fala: "Você precisa encontrar uma profissão que você goste de trabalhar"? Pois é disso que eu estou falando. Apesar de eu ter enveredado para o campo da educação ao invés do palco, eu me sinto musicista, eu amo, e respiro música o tempo todo! E essa alegria de ensinar música e tentar fazer com que mais pessoas sejam apaixonadas pela música não tem dinheiro que pague!

Então se você conhece um músico, alguém que vive de música, dê parabéns para ele, pelo seu dia (mesmo que atrasado), e pela coragem : )


17/11/2011

Seis coisas simples que eu quero fazer e ainda não fiz

Andei visitando alguns blogs e encontrei em vários deles essa lista de 6 coisas simples que a pessoa gostaria de fazer e que ainda não fez. Achei muito bacana por se tratar de coisas simples, e resolvi fazer a minha lista também para me motivar. Estão tod@s convidados a fazerem a sua!


Ter um diário legal

Não sei se esse vale, porque eu já fiz, mas enfim :) De uma forma ou de outra, eu sempre tive um diário. Nele eu escrevia coisas sobre o meu dia, frustrações, desejos, colava papel de bala ou qualquer pequena coisinha que pudesse me lembrar de algum momento bacana. Com o passar do tempo, a correria do dia a dia foi sugando a minha dedicação e agora meu blog é o que eu tenho de mais pessoal. Sinto saudade de ter um diário – afinal, não dá pra escrever tudo no blog; então eu gostaria muito de ter um novamente. Promessa para 2012 \o/

Me casar ♥

Depois de mais de quatro anos de namoro, é naturalmente o próximo passo. Como nem tudo são flores, precisamos terminar a faculdade, arrumar um emprego fixo e que pague o justo e o suficiente pra gente viver tranquilo, na nossa casinha com um pomar no quintal, onde a gente possa amarrar duas redes, e ficar balançando durante o pôr do sol, discutindo sobre política e educação, ou ouvindo música e fazendo outros planos. Não vejo a hora!

Montar uma sala de música na minha casa 

Eu queria ter um quarto na minha casa, que funcionasse como uma bolha: lá ficariam todos os meus instrumentos, uma bancada para confecção de instrumentos de sucata e demais materiais para aulas de música, uma estante com os meus livros, talvez até um pequeno set para fazer gravações, etc. Enfim, um lugar que eu pudesse ficar o dia todo fazendo e respirando música.

Fazer mochilão pela América Latina

Diferentemente da maioria esmagadora, eu amo a América Latina! Morro de vontade de conhecer todos os países. As cores, a músicas, a dança, a língua, tudo me cativa!  A principio, minha vontade original era visitar todos os países pedindo carona, mas como eu sou bundona e tenho cara de boba, não acho essa uma boa ideia, rs : ) Penso que eu poderia sair com o meu carro, ou até ir de ônibus, avião... Com um grupo de amigo talvez fosse mais divertido e seguro. Enfim, não sei como seria concretamente, mas está entre as coisas que eu quero fazer.


Tríplice: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho
 

Talvez até mesmo nessa ordem, por conta da complexidade, rs. Eu gostaria de plantar uma árvore em algum lugar que eu pudesse ver crescer, para eu me sentir parte da vida daquela árvore. Mas pra ser bem sincera, não sei se eu teria muita paciência pra esperar crescer não, acho que eu plantaria uma muda crescidinha já, hê. Um livro porque, bem, eu amo escrever, então eu tenho que aproveitar. Antigamente eu pensava em escrever um livro de literatura, hoje já penso que eu devo escrever um livro acadêmico (pois é, eu sei que perde todo o romantismo de escrever um livro, mas ainda sim é um livro). Quem sabe o meu mestrado não vira um?

Adotar uma criança

Por mais que de vez em quando eu ache legal essa coisa bonita de gerar uma vida, e até consiga me imaginar grávida, eu não quero em hipótese alguma parir (nem cesárea, nem nada) daí como não teria como a criança sair de mim, não rola ter um filho de mim :} Além de que, desde que eu tinha uns 7 anos e ia brincar com as crianças em um orfanato, eu falo pra todo mundo que eu quero adotar. Sei lá, penso que com tanta criança no mundo, abandonada, que daria a vida para ter alguém que cuidasse e amasse ela, eu não vejo porquê colocar mais gente no mundo. 



:)

13/11/2011

Dobradinha

Na semana passada, tivemos a semana do saco cheio na faculdade. É uma semana que junta um monte de feriado próximo e emenda tudo. O melhor mesmo é que esse período do semestre é realmente turbulento é só uma semana de folga pode salvar.

Aconteceu que nessa semana eu aproveitei para finalizar o meu TCC. Consegui transcrever 40 minutos de entrevistas, analisar os dados, embasar com referenciais teóricos e fazer a conclusão. Mas a minha orientadora achou pouco >.< Tudo bem, já está tudo certo, é só engordar um tiquinho.

Esta semana que passou eu estive em Vitória/ES participando de um congresso e apresentando trabalhos. Essa sim foi a minha semana do saco cheio. Esqueci de TCC, de trabalhos pra fazer, relatórios de estágio (...). Agora que eu estou voltando que fica tudo mais ou menos bagunçado - depois de duas semanas você se acostuma em não ir pra faculdade, hê.

Na verdade estou aqui só pra divulgar que o Blogueiro Secreto de 2011 já está no ar e que todos estão super convidad@s a participar! Entrem lá no blog que tá tudo explicadinho.



Força nesse final de semestre!

03/11/2011

#267

as pessoas me saturam.
como lidar?

01/11/2011

#236

Só vim dizer que estou viva. Que no meio de uma reflexão e outra, sinto que estou virando um espelho. Que tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e que eu não tenho administrado muito bem o meu tempo. Que tenho sentido muitos sentimentos ruins, e as pessoas tem me dito pra não compartilhar com elas porque parece que eu não faço do jeito certo - ?. As cobranças aumentam, os prazos encurtam, eu tendo a ficar ansiosa e atropelar tudo, mas tenho conseguido manter a mente quieta, a espinha ereta, e o coração tranquilo. Não confio em mais ninguém, isso me dá um vazio. Mas tamo firme. A faculdade tá acabando. Nossa....!

13/10/2011

Hoje tu ta presa

Não sei se todos sabem, mas eu faço faculdade de Música com habilitação em Educação Musical, e tenho trabalhado em alguns projetos, incluindo o estágio, em escolas estaduais tanto em bairro de classe média, central e periférico.

Um dos gêneros musicais mais ouvidos em todos eles é o funk. Para nós que estudamos Música, estamos acostumados a entender funk como aquele gênero musical criado na década de 60, que mistura jazz, soul e R&B, que tem como seu principal nome o James Brown; e nós costumamos dizer que funk é um gênero musical muito bom.

Mas o funk que os alunos escutam na escola não é esse, e esse funk, nós que estudamos Música, temos o costume de dizer que não é música, que é ruim, que é um lixo.

Eu particularmente não ouço funk em casa. Não tenho CDs, ou baixo na internet e coloco no celular para ficar escutando. Isso de forma bem genérica: quando eu descobri Gaiola das Popozudas eu achei o máximo algumas letras super feministas que diziam coisas do tipo: “eu dou pra quem quiser porque a porra da buceta é minha”. Qual o problema disso? Só porque a mulher quer estar no controle? Também passei bons tempos ouvindo Bonde do Rolê. Funk de classe média, me identifiquei, e adorei. Entre outros que não caberia citar.

Uma coisa que eu acredito que seja difícil discordar é que o ritmo do funk é muito contagiante. Por exemplo, ouçam essa batida. Ele te envolve e pede para que você se movimente junto. Não é o máximo?

A grande chave do problema, na minha opinião, e das pessoas com que eu costumo conversar sobre isso, é a letra.

05/10/2011

Terra e Marte


A armadura é para defender dos incômodos, ela sempre diz, e, ainda que sorrindo um sorriso meigo, quer convencê-lo de que é durona. Sou de Áries, completa. Nunca ninguém deu bola, e ela continuava na defensiva, mas ele diz: nossos signos combinam. Quando eu morrer vou virar uma estrela, diz ela tentando se fazer de louca para espantar. Deixa de besteira, ele ri. Sentados de frente para o outro, ele gasta todos os seus elogios, enquanto ela olha em seus olhos e tenta descobrir a cor. Você é tão especial, por que não deixa ninguém se aproximar? A armadura é para defender dos incômodos, replica e então levanta, dá um beijo em seu rosto e sai. Ele fica, inconformado. Ela volta e diz que os chifres do carneiro que a defende também machuca os outros sem querer.  Ele aceita, dobra uma folha de papel e entrega. Ela abre e vê um coração desenhado, acha infantil, mas entende. Dobra a folha novamente, joga no chão, pisa, depois pega e devolve para ele. Se o coração for forte, ele agüenta, diz. Ele pega uma caneta e desenha um coração na camiseta dela. Se o coração for de verdade, ele bate. Encostou o ouvido em seu peito. Tum. Todos ouvem. Se olham. Você é forte, ela diz. Você é humana, ele diz. Ela deixa a armadura de lado e segura sua mão. Me protege? Ele faz que sim, e ela se apaixona.

25/09/2011

Tudo junto e misturado in Rio


Eu sou um tanto quanto desligada. Talvez por não assistir TV, nem entrar em sites de notícias - nem participar de círculos sociais onde as pessoas são mais antenadas, eu só me toquei sobre o Rock in Rio quando eu vi uma mensagem no facebook que dizia assim: "Ia ser bom se tocasse Iron Maiden nas micaretas ai as pessoas iam se tocar de como é ter que ouvir Claudia Leite, Ivete e etc no Rock in Rio!". Não fiquei nada surpresa, afinal se Sandy e Junior e Britney Spears - com playback - tocaram, porque não as rainhas do axé?

Não vou nem entrar no mérito de música boa ou música ruim, porque toda música pode ser boa para alguém ou para alguma coisa, e nós só podemos julgar isso de acordo com a nossa opinião pessoal, que não é nem de longe a verdade universal. Mas enfim,

A grande questã que me deixa inconformada é: porque um evento que se chama Rock in qualquer coisa não se destina a ser um evento de rock? Eu juro que se eu fosse do rock e fosse lá por causa das bandas de rock eu ia achar tudo uma grande patifaria - Não que eu fosse discriminar os fãs dos outros gêneros/artistas, ou qualquer coisa do tipo, como eu vi que aconteceu. Mas pô! Coloca outro nome então!!

É medo de não dar certo? Com essa programação dificilmente não daria, por mais que o nome fosse esdruxulo: Paralamas, Titãs, Milton, Maria Gadú, Rihanna, Móveis, Ed Motta, Nação Zumbi, Esperanza Spalding, Orquestra de Heliópolis, Kesha, Africa Bambaataa, Joss Stone, Maroon 5, Zeca Baleiro, Arnaldo Antunes (esses são os que eu veria, hê) (...)

Se eu fosse do tipo de pessoa que tem o desprendimento de gastar dinheiro com shows (incluindo aqui o ingresso, a viagem de ida e de volta mais a hospedagem e alimentação), eu ia fácil : D

De qualquer forma, o SWU, que não se propõe a nada além de ser sustentável (todos rimos) é mais do rock que o Rock in Rio, e eu só queria compartilhar a minha opinião sobre isso. Eu acho que tudo cabe, mas o nome que você dá para o evento gera uma certa expectativa que é totalmente massacrada quando você olha a programação. Pronto, falei : )

13/09/2011

Estupro: a culpa não é da vítima

A postagem de hoje é um redirecionamento de uma postagem do meu outro blog, Subversão Ideológica. Peço por favor, para que todos entrem e leiam esse post. É sobre uma campanha para acabar com a violência conta as mulheres.


06/09/2011

Metalinguagem pura

Fui mexer nos arquivos do meu último blog procurando um texto que eu escrevi alguns anos atrás. Era tudo tão simples, tão ingênuo, cheio de risadas e coloquialismos, como se eu escrevesse para pessoas que realmente me conhecessem. Eu colocava links de tudo, falava coisas sem sentido, frases soltas, ideias, frustrações, histórias, estórias. Eu fazia os meus próprios templates, tinha um perfil detalhado sobre mim - sempre fui uma pessoa reservada, mas usava o blog para extravasar. Percebo que hoje em dia meu blog não é minha prioridade (também porque a faculdade nem permite), mas gostaria de voltar a ter a sensação de confiar coisas tão minhas para pessoas que também compartilham suas vidas em blogs, e cativar a elas tanto quanto elas me cativam com suas simplicidades :) Inclusive, estive fazendo as contas, e descobri que eu tenho blogs desde 2001! São 10 anos! Caramba!


Bom, eu não tinha nenhuma pretensão quando comecei a escrever esse post, então vou encerrá-lo de qualquer forma mesmo :) Mas com a promessa de reservar um tempo para postar mais e retribuir comentários com mais atenção. Obrigada a tod@s que fazem e/ou fizeram parte desses 10 anos!

17/08/2011

Gente mais gente

Acabei de ver no blog da Dani e resolvi responder também - inclusive pelo mesmo motivo: vontade de atualizar sem ter o que dizer (queria tirar o post sobre o fim da faculdade do início porque isso realmente me deprime) -, é um meme literário. Eu repasso a quem ainda não tenha feito e queira fazer :)
As regras:
1. Pegar o livro mais próximo (O MAIS PRÓXIMO, não outro!).
2. Abrir na página 161.
3. Procurar a 5ª frase completa.
4. Colocar a frase no blog.
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro!

Pedagogia da Autonomia - Paulo Freire
(como o livro só tem 146 páginas, vou pegar a última página)

"Não nego a competência, por outro lado, de certos arrogantes, mas lamento neles a ausência de simplicidade que, não diminuindo em nada seu saber, os faria gente melhor".

Tive sorte de ter pegado justo esse livro (tem vários livros sobre educação musical espalhados por aqui, rs), porque ele é recheado de frases incríveis e qualquer frase que eu tivesse que copiar seria ótima.
Sempre quis ler Paulo Freire, mas nunca me senti madura suficiente para digerir as suas ideias; agora eu me sinto e inclusive, casaria com ele fácil :)

05/08/2011

Último semestre

Nessas férias, apesar de eu ter ficado igualmente entediada como em todas as outras depois da segunda semana sem ter o que fazer, eu não queria que as aulas voltassem.

Esse é o meu último semestre da faculdade. Foram quatro anos aprendendo muito sobre música, sobre educação, sobre pessoas, convivência, tolerância de forma muito intensa. Imaginem o drama: há quatro anos 20 pessoas saíram de suas cidades para estudar em São Carlos, lá elas não conheciam ninguém, e, para facilitar o processo de acomodação ao novo ambiente, elas se aproximaram e passaram a apoiar uns aos outros - até então desconhecidos. Depois desses quatro anos vendo-os todos os dias, das oito da manhã até as nove da noite, quando não até mais tarde para fazer trabalhos ou festas, almoçando a comida estranha do RU, ou fazendo churrascos, fundues, ou indo em rodízios, aguentando o estresse de final de semestre, o mau humor matinal, as boboses, as ideias malucas... eu não imagino como será a minha vida sem esses pequenos estranhos que hoje são tão essenciais na minha vida.

E será muito diferente, cada um voltará para a sua cidade, se aventurará em outra cidade e de um dia para o outro a rotina vai mudar completamente. Não sei se estou preparada para isso.

21/07/2011

Há males que são indiferentes

Indiferente talvez seja muito forte, mas por falta de um sinônimo mais ameno, vai esse mesmo ;) Receber o diagnóstico de vitiligo foi mais tranquilo do que eu imaginei, ainda mais porque depois de tanto tempo fazendo diversos exames inúteis eu só queria que algum médito me dissesse friamente: é isso! - sem contar que existem tantas doenças mais preocupantes...! O mais chato mesmo foi descobrir que eu não lido tão bem com as minhas emoções como eu pensei que lidava.
O vitiligo tem relação com o estresse, o que quer dizer que muito provavelmente houve um incidente mau resolvido que desencadeou no meu corpo uma reação dessa. O lado positivo é que agora quando eu falar para as pessoas que existem doenças psicossomáticas e elas não acreditarem em mim (porque eu sempre sou a "zen" que acredita demais na força do pensamento) eu vou ter um caso ao vivo para comprovar, hê :)
Que isso sirva de impulso para eu conversar mais e entrar em harmonia comigo mesma. - Dica: prestem mais atenção nos pequenos sinais que o seu corpo te dá: uma dor nas costas pode ser muito mais do que apenas noites mal dormidas!

ah yum hunab ku
evan maya e ma yo
(salve a harmonia
da mente e da natureza)

29/06/2011

Descubra a Orquestra

O projeto Descubra a Orquestra é uma iniciativa da OSESP para formar público para a música sinfônica. Ele leva alunos e professores de escolas para assistir um concerto na Sala São Paulo. Antes do concerto, um professor da escola selecionada para participar do projeto, precisa fazer um curso de capacitação para preparar os alunos para o ambiente e para o repertório. Inscrevemos a escola, e, com muita alegria, fomos selecionados. Foram 102 crianças, dessa escola estadual de um bairro de periferia (leia-se 'tenso'), 8 funcionários da escola, entre coordenadores, professores e inspetores, e nós 10 do PIBID. Como na nossa escola nós já estamos fazendo um trabalho com música, nós ficamos responsáveis em fazer essa preparação dos alunos. Nessas preparações, foram trabalhados aspectos como paisagem sonora, a consciência dos sons que fazem parte do nosso dia-a-dia, dos sons que fazemos, gerando reflexões sobre se eles são bons, se são ruins, como diminuir os sons ruins, etc. Os levamos para assistir concertos da Orquestra Experimental e da Camerata Vivace da UFSCar. Apresentamos os instrumentos de uma orquestra sinfônica, família por família. Mostramos três músicas do repertório que seriam tocadas no concerto, duas eruditas e duas populares. Como conseguir que aqueles alunos que ouvem funk, pagode, rap tivessem interesse de ouvir uma música orquestral?, uma ópera? Como fazê-los escutar uma música que tem duração de 8 minutos? Essa tarefa se torna simples quando você tenta ver tudo com os olhos dos seus alunos e planejar as suas atividades pensando neles. A tarefa mais difícil era: como fazê-los ficar em silêncio, sentados, prestando atenção? Desenvolvemos algumas atividades para direcionar a energia deles, fazendo-os se mexerem, gritarem, para então, mais calmos, ficarem sentados e em silêncio. Tarefa árdua, mas funcionou. A viagem até São Paulo foi um grande momento para conversarmos, não de professor-aluno, mas de pessoa para pessoa. Pudemos conhecer melhor quem não conhecíamos, contar piadas. Foi uma prática social incrível. Chegando em São Paulo, as crianças que estavam no meu ônibus ficaram espantadas com o lixo jogado no chão, as pessoas dormindo na rua, as pareces pixadas, o céu cinza; e no meio desse ambiente descontraído pudemos conversar sobre como tratamos o patrimônio público, como cuidamos da nossa escola... Ao passarmos pela cracolândia, o que teria uma conotação de sermão, se feito em sala de aula, se transformou num espelho onde as crianças, por um momento, se viram partes daquela realidade, e elas, por elas mesmas, decidiram que não queriam acabar assim. Já na Sala São Paulo, aquele palácio, todos – inclusive nós – ficaram de boca aberta com a grandiosidade, com o brilho, com o sonho que era aquele lugar. A Orquestra de Heliópolis, que se apresentou para nós, fez um concerto lindíssimo, muito animado, contagiante, que até os mais resistentes foram contagiados. Certa hora, o regente fez uma pergunta para a platéia, e, para surpresa, um garoto da nossa escola respondeu e respondeu certo. Nós aplaudimos muito, a orquestra aplaudiu, a sala toda ovacionou!, e, ao dizer que tocava violino, o garoto foi convidado para subir no palco para tocar alguma coisa, qualquer coisa, que a orquestra ia acompanhando. Meu! O garoto da 5ª série da escola! Subir no palco com a Orquestra de Heliópolis e tocar junto com ela! Fiquei muito emocionara. Todos gritavam por ele. Mas com vergonha, não foi. No final do concerto, quando havia se instalado uma grande euforia, onde todos estavam em pé cantando e batendo palma, um dos violinistas desceu do palco e subiu com o garoto, que, no palquinho do Maestro, regeu a orquestra, me fazendo cair em lágrimas, e com a orientação dele, fez os movimentos de corte, e a orquestra parou de tocar. Todos gritavam, eu gritei muito. Foi uma emoção sem fim. Imagina o que não passou na cabeça desse menino? Imagine a felicidade de ouvir tanta gente gritando por ele. Esse menino, com certeza, não voltou o mesmo para casa. E todos nós, reles mortais, que não subimos no palco, também não voltamos iguais. De um lado da rua a Sala São Paulo, do outro lado da rua a cracolândia. De que lado cada um escolhe ficar? Quando você não conhece a luz, parece natural seguir os caminhos que a vida indica para nós. Mas quando entramos em contato com algo que é muito mais grandioso do que a vida miserável que se pretendia ter, mais do que a lembrança de momentos bons, ganhamos a opção de escolher; escolher continuar nessa maré, ou escolher sair. Nós, com o simples propósito de dar a oportunidade para eles conhecerem algo novo, demos a chance deles escolherem ser algo novo, e isso, não tem recompensa que pague.

25/06/2011

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces, porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.

No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida e eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados, para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.

Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.

E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas, serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes

#223


Arrumo a casa como quem arruma a vida.




Tenho a sensação de que algum poeta conhecido já tinha disto isso. Mas eu repito essa frase para mim tantas vezes, que já tenho ela como minha. Por isso vai assim mesmo, sem aspas.

25/05/2011

Status: tccendo

O tão esperado e temido último ano da faculdade chegou, e trouxe com ele uma série de preocupações para além-faculdade que eu não tinha antes. Acredite, a frase: "e agora, o que eu vou fazer?" é bem mais complexa do que se parece. Estou tentando construir uma carreira acadêmica para caso eu deseje fazer mestrado, e estou aproveitando com muita dedicação cada oportunidade, para ganhar experiências diversas, caso eu vá trabalhar. Penso que o meu TCC - trabalho de conclusão de curso - pode me abrir muitas portas, já que ele é sobre uma proposta de como enxergar a Educação Musical nas escolas, mas para isso ele precisa ser visto. Sendo assim, tenho escritoo muito e aprimorando minhas experiências, torcendo para que todo esse esforço renda bons frutos. Resultado disso é que a minha cabeça está super lotada. Tenho lido tanto, que até ler legenda de filme me cansa; escrito tanto, que fico com preguiça de entrar no msn para conversar. Fico nervosa ao ver as pessoas da minha turma totalmente desesperadas por conta do TCC, e fico desejando que elas guardem essa angústia para elas, assim como tenho feito, mesmo sabendo que de tempo em tempos, é bom contar para alguém como isso está nos pressionando. De qualquer forma, venho aqui pedir desculpas pelo infinito sumiço e total descaso; é que se eu paro para pensar em mim e nas coisas que eu estou fazendo e da forma como estou conduzindo toda essa vida bandida, eu desmorono.

11/05/2011

#219

É como se para a pessoa do quarto ao lado eu fosse só um meio de conseguir as coisas que ela não é capaz de fazer sozinha.

29/04/2011

Vários convidados

O que talvez muitos de vocês que acompanham o blog não saibam, é que um dos meus gêneros musicais favoritos é o Rap Nacional. Desde quando eu tinha uns 12 ou 13 anos. Hoje, com menos intensidade e sem acompanhar as novidade, ainda ouço e gosto muito. Posso até dizer que o Rap fez eu ser o que eu sou (leia mais aqui).

Hoje eu estava lembrando do show do Dexter que teve em Campinas no ano passado. Eu fiquei mais de um mês planejando, morrendo de ansiedade. Quando o dia realmente chegou, o meu lado classe média começou a se manifestar. Eu ficava pensando: "eu vou ser a pessoa mais branca desse show, eu vou apanhar", "eu e meu namorado temos moicano, vão achar que a gente é punk e a gente vai apanhar" (...). De fato, eu devia ser a pessoa mais branca, todos ficaram olhando pra gente, a gente chamou muita atenção enquanto dançava loucamente ao som do KL Jay ou cantava a todos pulmões (no meu caso, rs), mas eu nunca fui tão bem tratada!

www.rapnacional.com.br

Toda vez que alguém esbarrava em mim, pisava no meu pé, derrubava bebida, era uma chuva de "desculpa, foi mal" que eu desacredidei. E era pra mim, depois viravam pro meu namorado e pediam desculpa pra ele por terem feito qualquer coisa comigo. Juro, nunca vi tamanha educação/preocupação.

Sem contar o cara de Capão que se juntou a nós do lado de fora, que era simpático a sua maneira, e ficou conversando e bebendo com a gente.

Isso me fez pensar na visão que a gente tem das coisas. Sempre me julguei "melhor" por ouvir Rap, e me sentir mais próxima das pessoas que vivem nas periferias, por nós termos algo em comum; mas quando eu tive a chance de estar junto com essa galera, eu senti medo (não sei nem se "medo" é a palavra certa). Isso me provou  que todos nós temos preconceitos e por mais que a gente não os aceite e não queira que eles se manifestem, eles estão dentro de nós. E enquanto nós não o entendermos e não soubermos lidar, ele ainda vai estar lá.

15/04/2011

Dois patinhos na lagoa

Eis que mais um ano se passou, e venho aqui compartilhar com vocês que hoje é meu aniversário e que eu estou completando meu vigésimo segundo ano de vida!


E nessa brincadeira de pensar sobre fazer aniversário, fiz uma lista de coisas que provam para mim que eu estou ficando velha:
- Este é meu último ano da faculdade,
- Abri uma poupança para o meu casamento,
- Leio textos sobre Educação e morro de vontade de ter um filho pra ser meu cobaia, he :)
- Vejo crianças e morro de vontade de ter filho,
- Folheio revistas de designe de interiores e planejo minha casa com o meu futuro marido
- Vivo no dilema da minha profissão: trabalhar muito e ganhar pouco: será que isso não tem solução?
Entre outras coisas, claro.

Ao mesmo tempo que tudo isso me desespera um pouco, estou tranquila, porque eu sei que eu vou fazer as coisas sem pressa, e que tudo vai dar certo.

O jeito é aproveitar mais um dia de festa, porque o resto...
seja o que for!

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Curiosidades
Em dias 15 de abril, o Titanic naufragou, Oswaldo de Andrade e sua mulher Pagu foram presos, foi inaugurado o primeiro McDonald's em uma cidade de Illinois, Fidel Castro visitou os EUA pela primeira vez, foi liberado o uso de cartão de crédito brasileiro no exterior. Leonardo da Vince e Fernando Pessoa nasciam; e Joey Ramone morria.

Com 22 anos, Gandhi já tinha três filhos, era casado há nove anos e trabalhava como advogado; Che Guevara fazia uma viagem por 12 províncias Argentinas, percorrendo 4 mil km em uma moto.

01/04/2011

Seja voluntário

É o seguinte: começou a campanha universitária da ONG Um teto para meu País, e como eu sempre faço, estou aqui para convencê-los a participar.

Fui voluntária duas vezes durante as construções universitárias de férias. Duas foram as vezes que eu consegui, mas já estive, em pensamento, em várias outras.

Quero deixar claro que não é fácil. Não tenho pretensão nenhuma de iludir ninguém. Viajar para São Paulo é demorado e caro – isso sempre me breca.

Para mim, estar com pessoas que eu não conheço é verdadeiramente penoso: eu julgo muito, não me sinto a vontade... E lá estou fora da minha zona de conforto, sem ter pra onde fugir.

Quando a caixa de água da escola onde ficamos alojados é pequena e insuficiente, não podemos tomar banho – ou banho ou água para beber e fazer comida. E quando se meche com terra, madeira, e fica em baixo do sol, isso é terrível.

Acordar cedo é um dos meus tormentos. Acordar cedo, tendo ido dormir tarde e cansada, com pessoas super animadas, me irrita.

Mas eu não fui ser voluntária pensando em mim.

Subir e descer morros, andar por vielas estreitas, carregar muita madeira, cavar buracos, martelar, enquanto o sol nasce até ele morrer... Todo aquele exercício físico que eu nunca fiz na vida. Cansa. Cansa muito.

Das famílias que conheci, uma onde a filha parou de falar depois de um tapa que levou da professora; outra que estava grávida do 11º filho; uma que teve que levar o filho pra longe porque ele não dormia de tanto pensar na casa que ia ganhar.

Realmente, nada daquele esforço eu estava fazendo para mim.

Mas estranhamente eu saio com a sensação de ter ganhado uma nova vida.

Não tenho coragem de reclamar de falta de dinheiro, dos meus pais que não me entendem, de ter que andar a pé, no sol, carregar peso. “Eu já ergui uma casa” – é o que eu sempre falo quando quero dizer que sou forte.

Mas sinto raiva de ver outras pessoas reclamando por tão pouco, por falta de dinheiro, por uma saúde mais instável, por não terem a casa dos sonhos, precisarem de tantas drogas para conseguir encarar a vida, e tantas outras coisas que a gente sempre reclama sem pensar... Sinto tanta raiva quando ouço essas reclamações, mas a única coisa que eu penso é: “Vá construir com o Teto”.

Minha vida não é perfeita, e eu sei que não vai ser. A sua também não será, e não é pessimismo. Precisamos dos momentos baixos para valorizar os altos, e dos altos para conseguirmos sair dos baixos.

Você pode dar um sentido para a sua vida ajudando alguém que está abaixo da linha da miséria e que está tão acostumado com a pobreza que não acredita mais em uma vida melhor.

Um novo teto é só um símbolo. Um impulso para o recomeço. É um chacoalhão, “olha, sua vida pode melhorar”. Nós, classe médias, subidos o morro e erguemos uma casa, tão inesperado quanto isso, sua vida pode melhorar.

E você pode tornar isso real. Basta perceber que você ganha muito mais do que doa, e que mesmo sendo pouco, muitas pessoas ganham com você.

Faça a diferença. Seja voluntário.
Campanha Universitária 2011
Construções dias 21, 22 e 23. Saiba mais em umtetoparameupais.org.br

28/03/2011

Sem nada pra fazer

N: Você gosta de beber
A: Você gosta de beber
T: Se apaixona facilmente
A: Você gosta de beber
L: Você gosta de beber
I: Você é ótimo na cama
A: Você gosta de beber

Jesuis, será que eu gosto tanto assim de beber?