25/10/2008
Aquilo lá no fundo que eu sabia mas não assumia
Passaram-se horas, e eu ainda estava sentada no telhado de uma casa qualquer, esperando que todas aquelas pessoas sumissem. Não sei bem porque eu fugi, mas quando ví aquele tanto de gente correndo na direção onde eu estava, tranquilamente, sentada na cadeira de balanço, na frente de casa, sentindo o vento bagunçar o meu cabelo, eu fiquei assustada, e minha primeira reação foi levantar e correr também. Não sabia para onde, não sabia para quê, mas corria sem parar. Depois de um tempo comecei a achar divertido, eu olhava para trás e as pessoas não estavam bravas, parecia uma brincadeira e eu ri. Ri tanto que um desespero tomou conta de mim, o riso virou pranto, e eu não tinha mais forças para correr. Comecei a andar um pouco sem jeito de tão cansada até encontrar uma casa com o portão aberto. Entrei, e, em um impulso inexplicável, subi no telhado, e fiquei lá espiando aquele mundarél de pessoas incansáveis e malucas. De cima eu pude ver que elas faziam um tapete humano de cerca de um quilómetro! Quando passaram da casa onde eu estava, todos pararam e voltaram, e ficaram na frente, acampados, durante horas. Eu me escondia, mas era certeza que sabiam que eu estava lá, e, me parecia, que estavam esperando a minha rendição. Mas de quê? Para quê? Quando as primeiras estrelas começaram a aparecer no céu, toda aquela gente se transformou em um único ser, um gigante vistoso, imponente, que veio e ficou bem perto de mim, me olhando. Não disse nada, não fez nada, quase não se mecheu, só me olhava com um olhar sereno e ao mesmo tempo triste. Eu evitava olhar para os seus grandes olhos, com medo de ser mal interpretada, mas neles havia um imã que atraiam os meus, e que me davam uma tranquilidade para que eu me entregasse. Fiquei mas um bom tempo encolhida, com medo, aflita, até decidir levantar e me aproximar. Foi só olhar para ele que a distância entre nós encurtou, e, inexplicavelmente eu estava bem à frente dele. Não sabia o que fazer, não sabia o que falar, e ele também não fez e não falou nada. O encarei e ví nele todas as pessoas que passaram pela minha vida, todas aquelas que de alguma forma, deixaram uma sementinha que hoje me faz ser o que eu sou, as mesmas pessoas que depois de terem me feito bem durante tanto tempo, eu arranquei sem pensar muito da minha vida. O gigante sorriu, era isso que estava me faltando enxergar. Abri os braços, olhei para o céu, e com toda a minha forta eu gritei: “me desculpem, eu não sei o que eu fiz!”. E novamente um sorriso, e o olhar sereno, dessa vez, feliz. Ele voltou ao tamanho normal, a multidão reapareceu, e todos foram andando, calmamente, na direção contrária. Fui seguindo-os com o olhar até ficarem bem pequenos, e finalmente desaparecerem. Não sabia o que aconteceu, ainda mais porque, depois de um grande suspiro, eu estava de volta na cadeira de balanço, com o coração apertado, cheio de saudade e remorço.
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