04/10/2013

Das fases da vida

     Eu causei quando eu era adolescente. Embora eu sempre diga para os meus pais que eu sempre fui responsável (e era), eu aproveitei muito, e aprontei muito também!

Na época eu dizia que os meus pais não me entendiam, mas hoje eu percebo que eu não entendia os meus pais (salve, Renato Russo!). Meus pais nunca foram do tipo super protetores, mas é óbvio que se preocupavam e se importavam comigo - é que quando a gente tem 15 anos, se nossos pais não nos deixam sair para ir a uma super festa no sábado a noite, com aqueles amigos que eles nunca ouviram falar, em um lugar totalmente afastado da cidade, a gente só consegue pensar que eles não entendem como ir naquela festa é importante pra gente, e isso quer dizer, obviamente, que eles nos odeiam.

Mas não odeiam.

Mesmo os meus pais sendo bem firmes (o que me impediu de aprontar muito mais, porque eu sempre tive medo dos meus pais saberem e ficarem decepcionados comigo - e brigarem comigo), eu aproveitei bastante. De verdade. Fui a muitas festas, fui a muitos shows, fui a muitas casas de amigos que meus pais não conheciam. Dancei muito, dancei sem música, entrei em bate cabeça. Fiz vários piercings, coloquei alargadores. Bebi muita bebida destilada, fumei muito cigarro de puta chique. Beijei quem eu não conhecia, beijei mais de 10 pessoas em uma noite, beijei mais de 2 pessoas ao mesmo tempo, beijei homem, beijei mulher, beijei travesti. Dormi fora de casa pra não ter que voltar bêbada pra casa. Disse que saí com uma amiga, mas saí com outra. Falei que ia para um lugar, e acabei indo para outro. Ia em show de rock, em show de rap, em festa eletrônica, em manifestações de rua...

Mas eu sempre olhei para mim e me achei a mais certinha do grupo, nunca achei que tudo isso fosse algo exagerado, nunca fiz pra chocar alguém, nunca quis aparecer pra ninguém. Infelizmente, a lembrança que eu tenho é da minha família apontando o dedo pra mim direto. Lembro de ter ouvido coisas do tipo "você é um desgosto para os seus pais", "eles fazem tudo por você e você retribui desse jeito?", "por que essa roupa?", "por que esse cabelo?", "por que essa música?", "por que você faz isso?". Talvez meus pais nem saibam o quanto a minha família só me fez ter vontade de continuar sendo a ovelha negra, o anjo torto.

O que ninguém da minha família nunca reparou é o quão podre eles também eram. Eu não vou apontar os podres, porque, lógico, não faz sentido nenhum eu fazer isso, ainda mais aqui. Mas eu queria dizer para o mundo que eu não me arrependo de nada do que eu fiz. Se meus pais sofreram, eu só posso pedir desculpas, e dizer que eu sempre pensava neles - de verdade! Eu aproveitei minha adolescência conscientemente, do jeito que eu queria aproveitar, fiz as escolhas que quis fazer, e elas, sem dúvidas, moldaram a pessoa que eu sou hoje. E eu tenho muito orgulho da pessoa que eu sou, das escolhas que eu fiz, das coisas que eu faço, eu não mudaria quem eu sou nem por um milhão de elogios. Sei que meus pais também se orgulham, e acreditam em mim.

Me basta.

Parte de mim, no entanto, gosta de mostrar o sucesso que é a minha vida, a minha carreira, o meu namoro, meu novo relacionamento com os meus pais, mas tento não deixar isso ficar muito forte, afinal, assim como eu mudei muito, eles também podem ter mudado.

Família é família, e, pelo menos no caso da minha, no fundo todo mundo se quer bem - eu sei disso. Colocando o dedo onde não é chamado, ou sendo relapso algumas vezes, eu sei que todo mundo se gosta, e não sou eu quem vai tentar destruir isso só pra mostrar que eu estou feliz.

3 comentários:

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