07/11/2008

Motivos? Nenhum.

No lugar mais escondido, onde as janelas dos apartamentos não avistavam, e nem a luz do poste alcançava. Em um horário onde provavelmente todos já estariam dormindo, ou, ao menos, dentro de suas casas. A mais nova no meio de garotos mais velhos não sabia o que fazia, mas fazia tudo e com muito gosto, não lhe parecia ruim. Quase um ano nessa rotina de alegria transcedental, inexplicavel. O fim clichê, mas desconhecido. O medo, o pavor, o pânico, o tudo, o nada, e o vazio. Vidas, sub-vidas, tentativa de vida depois de tudo que se viu, se fez, e aconteceu. Uma necessidade de uma mão que a segurasse firmemente. Um suspiro triste e estranhamente saudoso toda vez que se lembra. Dor junto de um sorriso quando se tem vontade. Mas a certeza de que o passado não volta se a gente não quiser, e a tranquilidade de saber que não se quer.

“Escolha viver, escolha um emprego, escolha uma carreira, uma família. Escolha uam televisão enorme, escolha lavadoras, carros, cd players, e abridores de latas elétricos. Escolha saúde, colesterol baixo e plano dentário. Escolha uma hipoteca a juros fixos. Escolha sua primeira casa, escolha seus amigos. Escolha roupas esporte e malas combinando. Escolha um terno numa variedade de tecidos. Escolha fazer consertos em casa e pensar da vida domingo de manhã. Escolha sentar-se no sofá e ficar vendo game shows chatos na tv, comendo porcaria. Escolha apodrecer no final, beber num lar que envergonha os filhos egoístas que pôs no mundo para substituí-lo. Escolha o seu futuro. Escolha viver. Mas por que eu iria querer isso? Escolhi não viver, escolhi outra coisa, e os motivos... não há motivos!”
("Trainspotting" - Danny Boyle, 1996)

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