22/08/2009

Canções da vida II

Não precisava estar falando, mas vou. Do principio. É para tirar as lembranças ruins de dentro de mim, de vez.

Nas férias eu fiz uma faxina no meu quarto e selecionei algumas roupas (quase todas de frio) para doar. Na semana passada eu fui para São Carlos e me deparei com um frio congelante. Voltando para Campinas constatei a necessidade de ter mais roupar de frio para não morrer petrificada. No sábado fui fazer compras e quando eu voltava para a minha casa fui assaltada. O moço, pirralho, no máximo 16 anos, me abordou com a mão por dentro da camiseta, e no transtorno que fiquei, cedi e dei minha bolsa para ele. As compras, a carteira, o celular, as chaves de casa, minha vida toda, foi-se. Acabou que pela falta dos documentos não fui para São Carlos na segunda, para poder fazê-los novamente. E no decorrer da semana, ainda assustada, não tive coragem de sair de casa, sozinha, carregando mala, e ir para a rodoviária. Enrolei e decidi que só voltaria para lá semana que vem. Na quinta recebo um telefonema do meu pai. Ele recebeu um email do trabalho dele com uma nota de falecimento do filho de uma mulher que trabalha lá. Meu melhor amigo. Perdi o chão totalmente, não conseguia pensar em nada, fazer nada a não ser chorar. Não consegui olhar para ele dentro do caixão. Não consegui ficar perto na hora do enterro. Não consegui abraçar os pais e a namorada dele. Não conseguia pensar em nada. Vários amigos da escola de música onde estudamos juntos durante cinco anos estavam lá e todos ficaram com medo de eu não ficar sabendo. É que perdemos o contado há muito tempo. Ele ainda era o meu melhor amigo. Eu sabia que nós não precisávamos mais estar juntos, porque já tínhamos escrito a nossa história. Já tínhamos definido os nossos planos, feito nossas teorias. Já vimos três estrelas cadentes juntos. Já rimos muito, brigamos pouco. Nos aconselhávamos e nos apoiávamos sempre. Tudo com a maior intensidade do mundo, que nenhuma distância e nenhum tempo destruiriam. Tentamos evitar quando percebemos a distância, e por mais que nos fosse triste, sabíamos que estava sendo natural, e que não ia fazer diferença. Quase quis agradecer por ter sido assaltada, por ter ficado com medo. Se eu tivesse ido para São Carlos talvez eu não chegasse a tempo de ir ao enterro e conseguir acreditar que isso era verdade. Acidentes de carro é a forma mais estúpida de se morrer aos 20 anos. Ele estava namorando e feliz, fazendo faculdade e feliz, trabalhando e feliz, o cabelo dele tava enorme, ele devia estar muito feliz! As batatas vão dominar o mundo, os James já tiveram a sua chance de dominar, metal is the law, vamos todos virar estrelas. As pessoas deviam ser como patos amarelos de fita vermelha no pescoço; assim como você era. Uma pessoa iluminada, que iluminou milhares de vidas, tornando os dias de todos nós muito mais feliz. O mundo precisa de pessoas com a sua alegria, que mesmo um pouco pessimista e crua, contagiava o mundo todo. Não me arrependo de nada, não mudaria nada. Tenho saudade e tristeza. Não sou mais de ferro, você se espantaria. Talvez fosse por isso você não ter muitos planos, você devia sentir. Decidimos que nossa amizade se chamaria casamento, porque casamento é para sempre. E na minha eterna promessa de ser fiel a você, continuo te amando, com toda a saudade do mundo!

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